Cena do filme

Cena do filme "Velozes e Furiosos 9" Divulgação

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Mekado Murphy

Eles lançaram carros ao ar, da traseira de aviões. Saltaram com carros de torre a torre em Abu Dhabi. Correram com carros sobre o gelo ártico, sendo perseguidos por um submarino. O que virá a seguir para os realizadores da série “Velozes e Furiosos”, uma franquia que é um ímã para os espectadores há 20 anos?

Bem, que tal literalmente ímãs? Para “Velozes e Furiosos 9”, o filme mais recente da série, que tem estreia programada no Brasil para o dia 24 de junho, os realizadores consultaram cientistas para conceber novos e absurdos “stunts”, ainda que eles não obedeçam às leis da física.

O herói dos filmes, Dominic “Dom” Toretto (Vin Diesel), está vivendo sossegado com Letty (Michelle Rodriguez) e seu filho. Mas volta à ação quando o planeta é ameaçado por um homem com quem ele tem história: seu irmão Jakob (John Cena), com quem ele se desentendeu no passado, e que por acaso é dono de um eletroímã.

O aparelho consiste em discos magnéticos que podem ser encaixados uns aos outros ou usados separadamente. Um disco de controle (com um conveniente botão de controle de força) serve para aumentar ou reduzir a polaridade dos ímãs.

Um disco pode criar um campo magnético de intensidade menor, capaz de arrancar um garfo da mão de alguém. Mas se o controle for levado ao seu limite, o eletroímã, caso seja montado embaixo de um avião, tem, por exemplo, a capacidade de apanhar no ar um carro que está caindo de um penhasco. E assim começa a diversão.

O diretor Justin Lin, de volta à série após dirigir os episódios três a seis, afirma que se interessou pelo conceito do ímã em uma viagem à Alemanha com um produtor, em busca de inspiração para os filmes. "Fomos parar em Hamburgo, e àquela altura eu estava interessado em aceleradores de partículas", ele diz em uma entrevista por vídeo. "Era algo sobre o que eu estava pensando, mas não fazia ideia de onde me levaria."

Lá eles visitaram o centro de pesquisa DESY, que abriga um acelerador de partículas usado para estudar a estrutura da matéria. Lin diz que um dos cientistas, Christian Mrotzek, mencionou a ideia de que a tecnologia de ímãs usando correntes elétricas poderia criar graus variáveis de polaridade. O conceito serviu de base à arma que Lin concebeu com Daniel Casey, que escreveu o roteiro de "Velozes e Furiosos 9" com ele.

Mas não é como se eles respeitassem rigorosamente os limites científicos. Afinal, estamos falando de filmes que colocam um motor-foguete em um Pontiac Fiero. A equipe em lugar disso decidiu usar a ideia de ímãs que podem ser ligados e desligados para criar uma sucessão de “stunts” impressionantes.

Em uma sequência que acontece nas ruas de Edimburgo, o eletroímã arrasta um carro inteiro, o vira de lado e o arrasta por uma loja e deposita na caçamba de um caminhão. Não, nada disso foi feito com ímãs reais. A equipe de Lin preparou a sequência posicionando o carro sobre uma base móvel e puxando-o por uma janela até o caminhão.

Alguns dos “stunts” mais impressionantes surgem na cena final de perseguição de carros, em Tblisi, Geórgia. A equipe de Dom liga e desliga os eletroímãs e joga carros no meio da rua para agir como obstáculos, ou usa os ímãs para virar um veículo blindado de 26 toneladas e quatro metros de altura (construído especialmente para o filme).

Como parte da sequência, Dom, dirigindo um Dodge Charger equipado com eletroímãs, se vê encurralado entre duas picapes. Ele gira o botão, e “gruda” as picapes à lateral de seu carro. Depois reduz a força do campo magnético e as arremessa contra fileiras de carros estacionados.

Lin diz que para essa e outras cenas, ele planejou todas as tomadas em pré-visualização, com as locações digitalizadas no computador de modo a determinar os ângulos e lentes a usar. Depois ele filmou imagens de referência das picapes, em um estúdio, para entender o funcionamento do sistema, “para que eu pudesse ver de verdade como o veículo se move quando ele está sendo puxado, e resistindo."

Por fim, a cena foi filmada em Tblisi com motoristas de ação que conduziram os caminhões até o carro de Dom de um modo que fazia com que parecessem imantados e presos a ele. Mas o resultado é meio caótico, intencionalmente. Lin gosta de dirigir suas cenas pensando sobre os estados mentais e frustrações de seus personagens, quando eles estão executando manobras ao volante.

"Embora eu tenha a opção de fazer cenas perfeitas, não gosto disso, na verdade", diz ele. "Quero que o esforço que eles fazem seja parte da edição, para que a audiência possa participar conosco."

The New York Times

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci.

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