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De sacolé a bicarbonato: saiba segredos por trás das cenas de ação da série 'Impuros'

Raphael Logam conta curiosidades da história da Fox

Raphael Logam é Evandro na série 'Impuros', da Fox

Raphael Logam nos bastidores da série 'Impuros', da Fox Divulgação

São Paulo

Quem não gosta de saber curiosidades de suas séries preferidas? Foi pensando nisso, que o protagonista da série “Impuros”, o ator Raphael Logam, 34, que interpreta o traficante Evandro do Dendê, revelou detalhes de como são feitas cenas cheias de sangue, ação e adrenalina da produção, que já tem duas temporadas disponíveis na Fox e na plataforma Globoplay.

A série, que tem muita perseguição entre polícia e bandidos, se passa no Rio de Janeiro da década de 1990 e, segundo o ator, usa desde sacolé de frutas vermelhas para fazer o sangue até cigarros com composição especial para não prejudicar a saúde dos atores. Já quando as cenas têm drogas existem outros artifícios para que fiquem bem reais.

Apesar do sucesso na série, Logam quase negou fazer o personagem. “Há cinco anos que eu venho negando papeis de preto bandido estereotipado. Mas ainda bem que minha empresária insistiu e me convenceu. Agradeço 100% a ela”, afirma ele, que chegou a tomava banho com sal grosso depois de cenas desgastantes e fortes, como as gravadas dentro de uma prisão.

O ator foi indicado ao Emmy Internacional pelo papel e conta que teve um mix de sensações. “Óbvio que fiquei desnorteado, maluco, berrei, chorei. A única coisa que fiquei chateado foi que o Evandro é o protagonista, mas ele é só a cereja de um bolo. Seria mais legal se todo mundo de ‘Impuros’ fosse indicado.”

Veja o que Raphael Logam conta sobre a série:

SÉRIE Fazer parte [dela] é uma coisa maravilhosa. A gente busca estar sempre em trabalhos que tragam bons resultados. Dava para sentir a energia da equipe desde os tempos da leitura do roteiro. Mas não esperávamos nada desse sucesso. A repercussão foi muito melhor do que nós imaginávamos.

TRABALHO DE CAMPO A gente estudou bastante. Como tenho 34 anos, vivi muito dos anos 1990 --época em que a série é situada. Então, eu lembro muito do linguajar que não é muito diferente do de hoje. O elenco teve liberdade de improvisar nas gírias, mas sem esbarrar no tipo de linguajar de 2020 .

PROTAGONISTA Como sou considerado um ator novo, aparecendo agora, apesar se ter 20 anos de carreira, esse foi o primeiro trabalho de grande expressão que fiz. No início me senti mais íntimo dos diretores e da produtora executiva. Do elenco, tinha amizade forte já com a Lorena Comparato [vive Geise]. O [Sérgio] Malheiros [vive traficante Wilbert]. A gente sempre se esbarrava e na série viramos grandes amigos. Com o Leandro Firmino [traficante Gilmar] também foi assim.

MAIS AMIZADES O Rui [Ricardo Diaz, que vive policial Morello] a gente nunca tinha se visto. Mas nós viramos amigos em três minutos. A Cyria Coentro, que interpreta a minha mãe [Arlete]... Meu sonho era trabalhar com ela, e ela foi a minha grande surpresa positiva. Me senti filho dela mesmo, sempre corria para o colo dela em todas as cenas. Minhas cenas mais difíceis foram com a Cyria. Cenas fortes, de emoção.

MORELLO X EVANDRO Até hoje sofro muito com isso. Moro no bairro carioca da Gávea, do lado de uma delegacia, e todos os policiais civis e militares brincam falando que vão me prender [assim como o policial Morello tenta na série]. Nas redes sociais é sinistro, tem o "team Evandro" e o "team Morello".

DESLIGAR DO PERSONAGEM? Esse processo era o mais difícil, pois eu já acordava como Evandro no corpo. Era engraçado, pois em casa mesmo eu já pegava celular, carteira e tentava achar a minha arma, como se estivesse como Evandro do Dendê. As cenas eram gravadas das 6h até 19h, e quando chegava em casa, após 20 cenas, era só tomar banho e deitar. Foi complicado tirar o Evandro de mim. Esse processo durou dois meses.

NOVA TEMPORADA A terceira temporada nós já gravamos, mas não sabemos quando vai ao ar. Mas normalmente cada temporada é lançada de 12 em 12 meses. Teoricamente, em novembro de 2020 ela chega na Fox.

O QUE PODEMOS ESPERAR? Na terceira temporada, o Evandro estará em situações ainda mais complexas, sinucas de bico. Ele não estará mais tão paciente como antes. O traficante foi de um menino dócil a um entendedor do mundo do crime. Não tem volta. Ele entendeu que aquele é o mundo dele e quer ser o melhor nessa vida. Vai ter muita treta internacional.

CURIOSIDADES Evandro, apesar de traficante, não cheira. Mas o pó branco inalado é bicarbonato. Os cigarros são feitos especialmente para a série, não têm nicotina, é mais especial, para não prejudicar. Já o whisky é mate, chá. Tem uma curiosidade. O Rui [ator que faz o policial Morello] fuma muito na série, mas ele teve que aprender a fumar. Ele se mudou para o Rio de Janeiro e começou a frequentar os bares e botecos de Copacabana para pegar os trejeitos de quem fuma e bebe ao mesmo tempo, como seguram o copo e o cigarro com uma mão.

CRIME E SANGUE A gente tem a honra de sempre fazer coisas praticamente reais. Quando a cena é em favela a gente vai na comunidade. Uma cena em que o Evandro mata um inimigo a facadas na segunda temporada... A faca é aquela que você aperta um botão e ela recua, então bate e não machuca. Já o sangue é artificial. A produção prepara uma bolsinha com sacolé derretido [frutas vermelhas]. Quando aperta sai aquele vermelhão todo. Não podia errar, pois senão teríamos de parar para trocar a roupa, colocar uma idêntica.

NERVOSISMO Ficávamos mais ansiosos do que nervosos. Mas há algo interessante. Gravamos em um presídio real, porém desativado, de Niterói (RJ). A energia era de prisão mesmo. Era tudo pichado, havia umas marcas de mão na parede, aqueles riscos com faca na parede. Apesar de limparmos tudo, não deixa de ser um local onde teve mortes. Eram celas em que cabiam 15 e tinham 180 pessoas. Eu saía e tomava banho de sal grosso.

PAPEL IMPORTANTE Foi o melhor personagem que eu fiz, de expressão. Mas era um personagem que eu tinha negado, não queria fazer o teste e minha empresária me fez mudar de ideia. Há cinco anos que eu venho negando papéis de preto bandido estereotipado. Mas ainda bem que minha empresária insistiu. Agradeço 100% a ela.

INDICAÇÃO AO EMMY A indicação foi um divisor de águas. Me alavancou legal. Depois disso comecei a fazer a série "Homens?", com o Porchat. Estou fazendo "Amor de Mãe" (Globo) que teve as gravações paralisadas. Faço o Felipe. Enfim, tudo fluiu.

SENSAÇÃO A gente, quando faz teatro, TV, cinema, quer um reconhecimento básico. Mas quando você é agraciado com uma indicação como essa, o maior nível de prêmio da TV, é um sonho. Óbvio que fiquei desnorteado, maluco, berrei, chorei. A única coisa que fiquei chateado foi que o Evandro é o protagonista, mas ele é só a cereja de um bolo. Seria mais legal se todo mundo de "Impuros" fosse indicado.

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