Cinema e Séries

Protagonista diz que 'Arrow' acaba na hora certa e usará a folga para tirar cidadania americana

Stephen Amell fala da última temporada, que estreia no Brasil dia 27

Stephen Amell
Stephen Amell - Divulgação
São Paulo

Os fãs da série “Arrow” começam a se despedir de seus ídolos nesta terça-feira (15), pelo menos os americanos. Isso porque o programa estreia sua oitava e última temporada nos Estados Unidos, trazendo personagens antigos e revivendo suas tramas de maior sucesso, afirma o ator Stephen Amell, que dá vida ao protagonista. 

Para o intérprete de Oliver Queen, a volta ao estúdio para gravar os dez episódios dessa última temporada foi triste, inclusive pela ausência de Emily Bett Rickards, que interpretou Felicity nos anos anteriores, mas também motivo de comemoração, principalmente por ter deixado um legado na TV, com seus derivados “The Flash”, “Supergirl” e outros. 

“Provamos que é possível fazer uma série de super-herói na TV e conseguir que funcione”, afirma ele em entrevista fornecida pela Warner, sem esquecer a antecessora “Smallville”. “Produzimos muito conteúdo que as pessoas curtem. E agora há muito mais séries como a nossa na televisão. Não vai durar para sempre, mas fico contente por termos chegado primeiro.” 

Aos 38 anos, o ator espera com a pausa na carreira ter mais tempo para se estabelecer em Los Angeles, onde já tem uma casa, e conseguir sua cidadania americana. Nascido no Canadá, ele é casado com a modelo americana Cassandra Jean, ex-participante do reality America’s Next Top Model, com quem tem uma filha de seis anos. 

No Brasil, "Arrow" pode ser visto na Warner, mas os fãs terão que esperar um pouquinho mais para assistir à oitava e última temporada. Ela está prevista para estrear no dia 27 de outubro. 

Leia a entrevista completa: 
 
Como você descreveria a temporada final de “Arrow”?
Seria simplista demais dizer que estamos voltando aos nossos grandes temas na temporada final, mas é exatamente o que estamos fazendo. Vamos retomar as tramas de maior sucesso. Nos três primeiros episódios, Oliver resolve situações com cinco personagens que ele talvez não imaginasse que viria a reencontrar satisfatoriamente. E de maneiras muito inesperadas, também. Ele deixou muitas pontas soltas ao longo do caminho, mas espero que possamos atar o máximo possível delas durante a temporada.
 
O que lhe passou pela cabeça ao ler o primeiro roteiro da oitava temporada?
Francamente, fiquei muito emocionado, porque comecei a pensar no fim. Mais especificamente, fiquei muito, muito entusiasmado por meu personagem enfim dar a volta por cima sobre Josh Segarra [que interpreta Adrian Chase/Prometheus], porque aquele escroto estava sempre dez passos à minha frente.
 
Você está satisfeito com a decisão de encerrar a série?
Com certeza. Eu apoio a decisão que tomamos na metade da temporada seis. Achava que o fim aconteceria na temporada sete, mas a ideia de produzir 10 episódios para encerrar a história na temporada oito foi ótima. Todas as minhas séries favoritas sempre tiveram um final, e sinto que a definição de uma data final muda um programa para melhor. Por exemplo, eu não gostei da temporada três de “Lost”, mas quando eles anunciaram que a série duraria mais três anos, terminei curtindo as temporadas quatro, cinco e seis. Creio que a qualidade melhorou quando eles estipularam uma data de encerramento.
 
O final de “Lost” foi bem controverso. Você gostou?
Sim, gostei. Mas adoro todos os finais. Adorei o final de “Seinfeld”. Amo o último episódio de “Game of Thrones”. Amo o último episódio de “Seinfeld”. Não curti tanto assim o final de “Breaking Bad”, mas esse parece ser um exemplo de final universalmente adorado.
 
Você já sabe como vai terminar a história de Oliver Queen?
Sim.
 
E como você se sente a esse respeito?
Bem. Creio que uma coisa que algumas pessoas não percebem é que nosso episódio do crossover é o oitavo da temporada, e assim temos mais dois para o lado B. Eu já sabia o que aconteceria no crossover, mas só foi informado sobre o episódio final recentemente —e fiquei entusiasmado quando descobri o que vai acontecer. É realmente bacana.
 
O que o empolga mais sobre o crossover desta temporada, “Crisis on Infinite Earths”?
Fico incrivelmente grato por ter a oportunidade de trabalhar nisso. É o ponto máximo das histórias da DC. O fato de que tenhamos a chance de fazê-lo e que a história coincida com o encerramento de nossa parte da jornada é maravilhoso. Eu jamais teria imaginado. Serei eternamente grato. E realmente espero que eles tenham ouvido algumas das minhas ideias.
 
A sensação de chegar ao estúdio foi diferente, nesta temporada?
Diferente? Não. A melhor coisa sobre o primeiro episódio foi o quanto ele pareceu familiar.
 
Houve uma sensação de tristeza por aquele ser o primeiro episódio da última temporada?
Oh, com certeza. Muita tristeza. A sensação de tristeza me tomou diversas vezes, mas o sentimento dominante era quanto tudo aquilo me parecia familiar.
 
Qual foi a sensação de fazer a temporada final sem Emily Bett Rickards?
Nada boa. Olha, não há como esconder. Em um mundo perfeito, ela continuaria na série. É péssimo que isso não tenha acontecido. Ela é uma das minhas melhores amigas. E, no plano pessoal, estou contente por ela. Chorei quando li a crítica do The New York Times à sua peça. Quando parti para Vancouver para filmar a temporada final da série, lhe mandei uma mensagem de texto: “Você não está aqui, e isso é péssimo”. Mas acho que as duas coisas podem ser verdade, nesse caso. Pessoalmente, espero que ela não volte, porque amo despedidas. Amo despedidas finitas, melhor explicar. Mas se ela quiser voltar, será ótimo.
 
Qual é a sensação de se despedir de “Arrow”?
Fico muito emotivo, mas é a hora certa. Veja, tenho 38 anos, e comecei esse trabalho aos 30. Antes disso, jamais tive um trabalho que durasse mais de um ano. O fato de que tenha feito a série por quase uma década e agora não vá continuar fazendo é um pouco assustador.
 
O que lhe passa pela cabeça quando você pensa sobre seu trabalho na série?
A série me deu uma plataforma que vai bem além da oportunidade de aparecer 23 vezes por ano nas TVs dos espectadores. Também me deu voz para trabalho filantrópico, para questões sociais que me interessam. Pude fazer um treino com o time de beisebol pelo qual torcia na infância. Tive oportunidades cinematográficas que foram resultado direto do trabalho que fiz aqui. E sei que, quando o fim chegar —e depois de dois meses de completo sumiço—, próximo capítulo será muito empolgante para mim, em termos pessoais e profissionais.
 
O que vem a seguir para você?
Um dos motivos pelos quais eu queria o fim da série é que tenho dificuldade em pensar nas minhas aspirações quando estou no meio de um projeto e há muita coisa que quero fazer. Mas talvez seja verdade o que dizem sobre os homens e o trabalho multitarefas. Não consigo. Não consigo. O que virá a seguir para mim? Quero restabelecer raízes em Los Angeles. Minha mulher e eu temos uma casa gostosa lá, mas nos últimos quatro anos, passei 100 dias nela. Um dos meus objetivos é me tornar cidadão americano. Para isso, você precisa passar mais de 50% do seu tempo no país por pelo menos cinco anos. Minha filha tem dupla cidadania. Minha mulher é americana. Tenho imóveis. Pago impostos. Mas não posso votar e, assim, esse é um dos meus objetivos: passar tempo suficiente nos Estados Unidos para me qualificar para cidadania.
 
Qual é o legado de uma série inovadora como “Arrow”?
É um pergunta realmente difícil de responder por que para mim é muito, muito difícil contemplar o que fizemos na série com algum desprendimento, quando ainda estou no meio do processo. Acho que a prova do que realizamos está no trabalho. Sabe? Agora temos “Arrow”, “The Flash”, “Legends”, Supergirl” e “Black Lightning”. E temos também “Iron Fist”, “Jessica Jones” e “The Defenders”. Além de “Agents of Shield”. Provamos o conceito de que é possível fazer uma série de super-herói na TV e conseguir que funcione, mas é justo mencionar a carona que pegamos em “Smallville”. Isso jamais deveria passar em branco. Sinto que o legado que deixamos é que produzimos muito conteúdo que as pessoas curtem. E agora há muito mais séries como a nossa na televisão. Não vai durar para sempre, mas fico contente por termos chegado primeiro.
 
Tradução de Paulo Migliacci

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