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Celebridades

'Paulo Gustavo seria muito importante nesse Brasil terrível', diz Mônica Martelli

Amigos do ator se reúnem em homenagem a ele no desfile da São Clemente

A mãe do ator Paulo Gustavo, Déa Lúcia, participa do desfile da São Clemente, na Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escola homenageou o ator Paulo Gustavo, morto em 2021 em decorrência da Covid-19 - Marlene Bergamo/Folhapress
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Rio de Janeiro

Antes de seguirem rumo ao sambódromo para o desfile da São Clemente em homenagem ao ator Paulo Gustavo (1978-2921), alguns de seus melhores amigos (e eles são muitos) se reuniram num hotel no centro da cidade para um "esquenta".

Foi uma celebração que teve em alguns momentos "um clima esquisito", segundo Patrycia Travassos, uma das estrelas do elenco do filme "Minha Mãe é Uma Peça 2". "Todo mundo festejando, esperando a hora de vir, e ele não estava lá. Foi uma ausência estranha", conta.

A escola levou para a avenida o enredo "Minha Vida é uma Peça", que lembrou a vida e a obra do ator niteroiense, morto pelo coronavírus no ano passado, aos 42 anos.

O desfile da Sapucaí contou com a participação de mais de 50 amigos de Paulo —e não havia um sequer que não tenha se emocionado na avenida. "Estou até com a cara inchada de tanto chorar", disse Ingrid Guimarães, ajeitando a coleira à la Luma de Oliveira que ostentou no pescoço. No lugar do nome de Eike, ela exibia as iniciais de Paulo Gustavo.

Samantha Schmütz e Regina Casé tinham opinião parecida sobre tudo o que viveram na noite de Carnaval. "Foi mix de emoções: saudade, tristeza e revolta. O Paulo morreu de Brasil, de falta de vacina. É um momento de celebrar, mas não de esquecer. E a gente precisa mudar o que está acontecendo aqui, porque esse governo não é a favor da vida".

Para Regina, o desfile foi uma catarse, "a coisa mais misturada" que já sentiu na vida. "Tinha horas que chorei pra caramba, e horas que ri muito, só de relembrar as palhaçadas que ele fazia. Foi um percurso todo de lembranças."

A falta que Paulo faz ficava escancarada nos detalhes das roupas —o vestido de Mônica Martelli tinha um "Amizade é amor" bordado nas costas, em pequenos cristais— e no choro de todos ali. Alguns estavam em prantos, como Katiuscia Canoro, que parecia em transe quando desceu do carro.

Ela chorava do início ao fim do desfile e dizia, repetidamente "É muito amor. É muito amor, só isso". Heloísa Perisse também teve dificuldade para definir o que sentia. "Na hora parece que a gente está anestesiado dançando, mas só pensei na alegria que ele teria".

Ainda cabe uma boa dose de indignação entre os amigos de Paulo, pelas circunstâncias em que ele morreu —depois da descoberta da vacina, em meio a acusações de corrupção, e num país que, àquele momento, em março de 2021, já tinha mais de 400 mil vítimas do coronavírus.

"Eu sempre me pergunto: Por quê, meu Deus?", indigna-se Mônica Martelli. "Ele seria tão importante nesse Brasil terrível de hoje, o Paulo era um símbolo de aceitação, de amor, de leveza. Eu não consigo compreender nem aceitar que ele tenha partido."

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