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Descrição de chapéu The New York Times

Elizabeth Banks cria podcast sobre sexo e fala de inspirações e chá da tarde

'Educação sexual para adultos', diz a atriz sobre My Body, My Podcast

Elizabeth Banks Instagram/elizabethbanks

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Alexis Soloski
The New York Times

“Eu nunca conheci alguém que dissesse: 'Deus, meus pais falavam demais comigo sobre sexo'”, afirma Elizabeth Banks, 47, atriz, diretora e produtora, mãe de dois meninos. E porque um deles estava chegando à puberdade, ela sabia que teria de começar a falar sobre o assunto, em breve.

Para se preparar, ela criou o podcast My Body, My Podcast, uma série íntima e descontraída lançada pela Audible em 29 de julho. Os seis episódios do podcast falam de sexo, sexualidade, gênero e imagem do corpo, e envolvem convidados como Laverne Cox, Lindy West e a mãe de Banks. Peggy Orenstein participa para falar sobre a cultura dos encontros sexuais casuais; Jameela Jamil detona a indústria da dieta.

Banks, falando de Dalkey, Irlanda, onde está filmando a comédia “Cocaine Bear”, se refere ao podcast como “aulas de educação sexual para adultos” e como o trabalho mais pessoal que ela já fez. Como todos os seus projetos recentes – a versão repaginada de “As Panteras”, a série de filmes “A Escolha Perfeita”, a série de streaming “Shrill”—, My Body, My Podcast tem por foco histórias de mulheres, contadas com franqueza e sem pedir desculpas. “Estou tentando ser discretamente revolucionária”, diz Banks.

Usando um suéter confortável e segurando uma xícara de chá morno com alguns cubos de gelo –“eles não servem chá gelado por aqui, isso não existe”—, ela discutiu a arte e as ideias que influenciam seu trabalho atual e as experiências e artefatos culturais que lhe dão prazer. Abaixo, trechos editados da conversa.

1. “Girls and Sex” e “Boys and Sex”, de Peggy Orenstein
São livros nos quais Orenstein entrevista jovens sobre todas as suas experiências sexuais. Li “Girls and Sex” com meu grupo de leitura, e ficamos todos meio chocados com a maneira pela qual Peggy nos mostrou o quão pouco as mulheres jovens estão se divertindo. Foi um despertar total para mim, como mulher, como mãe, como ativista e como artista. Foi o que me inspirou a criar “My Body, My Podcast”, na verdade. Depois Peggy lançou “Boys and Sex”, que eu também li, e confirma que garotos e homens estão desesperados por conexão e que os padrões para eles são tão insanamente elevados quanto são para as garotas e mulheres.

2. Mulheres no esporte
Quando eu era menina, gostava de esportes. E continuo a ser esportiva. Quero celebrar cada mulher que chegue inegavelmente ao topo de seu ramo esportivo e use a plataforma que criou para tornar o mundo melhor para as outras de nós. Para mim, tudo começou com Billie Jean King lutando pelo Título 9 [a lei de igualdade entre os sexos no esporte universitário americano] e pela igualdade de remuneração. Depois a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos, Naomi Osaka, Simone Biles, Serena Williams. Agora mesmo, nas Olimpíadas, há todas aquelas mulheres fazendo seu melhor com seus corpos femininos. E, no entanto, aqueles corpos continuam a ser discutidos e dissecados.

3. Tanglewood
Tanglewood é um centro de música em Lenox, Massachusetts. Eu cresci em Pittsfield, uma cidade industrial logo ao norte de Lenox. Em retrospecto, vejo como era inspirador ir lá quando menina. Vi concertos regidos por John Williams, vi a orquestra Boston Pops. Música fina para pessoas finas. Para mim, o paraíso é poder deitar na grama em uma noite de verão e ouvir música, olhando as estrelas, e cercada de amigos e parentes.

4. Jackson Browne, “Running on Empty”
Era o disco favorito de minha tia Barbara. Tia Babs morreu no começo do primeiro lockdown da Covid. Comecei a ouvir em homenagem a ela. Ela me mostrou aquele disco em uma viagem de carro. Há uma sensação reconfortante de nostalgia que surge quando o ouço.

5. “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, de Yuval Noah Harari
“Sapiens” é um livro sobre a história da humanidade em todas as culturas. Como mulher e feminista, o livro foi um lembrete importante de que nós, como seres humanos, mais ou menos decidimos que dar à luz e cuidar de bebês era menos importante do que vender vacas, arar a terra e usar armas. Para que as mulheres não pudessem acumular qualquer parte daquela riqueza e poder. O livro esclareceu, para mim, a forte sensação que tenho de que os direitos reprodutivos são a base da igualdade para as mulheres.

6. “Conta Comigo”
Adoro os filmes de Rob Reiner. Aspiro a uma carreira parecida com a dele, como diretora. O filme é um tratado incrível sobre os danos que a masculinidade tóxica causa, palavras que não estavam em uso quando o filme saiu, e sobre seus antídotos óbvios, que são conexão, apoio e amor fraterno. Meu marido e eu estamos criando meninos, e queremos que se sintam conectados a nós, à sua família, aos amigos, à natureza, e que apreciem cada dia. Tudo isso são lições que estão naquele filme.

7. Nia DaCosta e Chloé Zhao
Existe essa narrativa em Hollywood sobre homens que fazem um filme pequeno e pessoal, que faz sucesso em um festival, e aí imediatamente recebem as chaves do reino, o grande emprego em Hollywood. A narrativa continuada é a de que as mulheres ou não querem esses empregos ou não são capazes de ocupá-los. Nia DaCosta e Chloé Zhao acabaram de vez com essa narrativa. Com Chloé à frente de “Eternals” e Nia fazendo “The Marvels”, elas conquistaram o direito a ter ambição, o que é complicado para as mulheres em qualquer setor. É essa ambição nua que me atrai. É isso que quero.

8. O chá da tarde
Foi algo que redescobri recentemente aqui na Irlanda. Quando era criança, eu ia a Boston e tomava chá da tarde com minhas tias. O que mais gosto são os scones recheados de creme, os canapés, os petit fours, um English Breakfast Tea com um pouco de leite e um cubinho de açúcar colocado com pegadores de prata legítimos. É algo que adoro em qualquer lugar do planeta em que esteja.

9. Vinho em lata
Acampamos muito, fazemos trilhas, andamos de bicicleta, percorremos rios e lagos. E eu não gosto de cerveja, mesmo. Mas amo vinho. Uma lata de vinho em um cooler deixado no rio? Foi como se uma lampadazinha acendesse em minha cabeça. Percebi como o vinho em lata se encaixa em minha vida assim que fui apresentada a ele.

10. Sitcoms clássicas
David Wain, diretor e roteirista de “Wet Hot American Summer”, e eu estamos trabalhando em um projeto, agora. E começamos a conversar sobre nossa apreciação por cenas de humor bem estruturadas, começando por “I Love Lucy” e Jackie Mason. Uma piada bem estruturada, a capacidade de encená-la, e o timing –tudo isso são coisas que estão no topo da minha lista como artista, agora. “Friends”, “30 Rock”? Aqueles caras eram perfeitos.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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