Celebridades

Justiça de SP nega trancar inquérito contra Felipe Prior, suspeito de três estupros

Crimes teriam ocorrido de 2014 a 2018, segundo acusação de vítimas

Felipe Prior - Instagram
São Paulo

A Justiça de São Paulo negou, nesta terça-feira (14), em caráter liminar (provisório) o pedido de trancamento de inquérito feito pela defesa do ex-BBB e arquiteto Felipe Prior, 27, acusado de estupro e tentativa de estupro por três mulheres.

Segundo a defesa do arquiteto, a decisão foi da magistrada Carla Santos Balestreri, que solicitou informações à autoridade policial sobre o inquérito em andamento, para apenas depois pedir o parecer do Ministério Público e então julgar o mérito da ação.

A defesa de Prior voltou a afirmar que ainda não teve acesso ao inquérito que foi instaurado pela Delegacia da Defesa da Mulher de São Paulo e que já teria ouvido as três vítimas. O arquiteto nega qualquer participação nesses crimes.

“Ele reafirma a sua inocência à exaustão, eis que nunca praticou qualquer ato de violência sexual contra ninguém”, já havia afirmado sua assessoria. “A equipe jurídica de Felipe está tomando todas as medidas cabíveis sobre aqueles que o acusam de qualquer ato que não cometeu”.

A denúncia feita pelas três jovens vieram a público apenas após a eliminação de Prior do BBB 20, no início deste mês. Os crimes teriam acontecido entre 2014 e 2018 e foram noticiados pela revista Marie Clare. Os relatos foram confirmados ao F5 pela advogada Juliana de Almeida Valente, que representa as vítimas.

ENTENDA OS CASOS

Segundo a advogada, os três crimes teriam acontecido após festas dos jogos universitários InterFAU, que são realizados anualmente e reúnem alunos de várias faculdades de arquitetura de urbanismo do estado de São Paulo. As três mulheres não teriam registrado boletim de ocorrência na ocasião por vergonha e medo.

Uma das vítimas afirma, segundo a advogada, que estava com uma amiga, em uma festa de comemoração dos jogos universitários na cidade de São Paulo, quando pegou carona com Prior. Ela conta que, depois de deixarem a amiga em casa, ele teria encostado o carro em uma rua escura e teria ido para cima dela, que estava embriagada.

Prior teria puxado a jovem para o banco de trás e teria forçado a relação sexual de forma violenta e incisiva, apesar de ela dizer não. A violência teria provocado um ferimento na região vaginal da vítima, o que teria levado a um grande sangramento. Ele então teria parado e se oferecido para levá-la ao hospital, o que ela teria recusado.

A jovem teria ido posteriormente ao pronto-socorro, onde teria sido questionada sobre um possível abuso sexual, mas ela teria se recusado a falar sobre o ocorrido por vergonha. Segundo a advogada, ela ficou uma semana de cama e posteriormente teve abalo emocional, crise de pânico e dificuldade em relacionamentos.

Outro caso teria ocorrido na cidade de Biritiba Mirim, interior paulista, durante o InterFAU 2016. Segundo a Marie Clare, ela acompanhou Prior até sua barraca de camping, mas teria desistido da relação sexual por não ter camisinha. Ele então teria tentado força-la e impedi-la de deixar o local, mas ela teria conseguido se desvencilhar.

Valente afirmou que a vítima resolveu procurá-la apenas depois do início do Big Brother Brasil 20, após um tuíte apontar casos de assédio e abuso relacionados a Prior. O post acabou sendo apagado pela autora, mas a partir daí a jovem encontrou as outras duas vítimas.

O caso mais recente teria acontecido em 2018, também no InterFAU, em Itapetininga. Ainda de acordo com a revista, ela também teria aceitado ir até a barraca de camping do arquiteto e teria tido relações sexuais com ele, mas em certa altura ele teria passado a ser agressivo e ela falou que não queria mais, mas ele não teria parado.

O InterFAU afirmou, em nota, que Prior não poderia ingressar e tampouco participar das atividades do evento desde outubro de 2018, justamente por causa de denúncias envolvendo-o em casos de assédio “além de uma acusação de crime sexual durante o InterFAU de 2018”.

A advogada das três vítimas encaminhou uma notícia crime à Justiça. Segundo ela, o caso agora poderá dar origem a um ou mais inquéritos, a depender da decisão do Ministério Público. A partir daí, as denúncias serão apuradas e poderão levar Prior à julgamento. Ela disse ainda que recebeu notícias de que existiriam mais relatos de vítimas do mesmo problema com Felipe Prior, apesar de nenhum caso ter chegado diretamente a ela.

Um pedido de medida protetiva chegou a ser feito, mas foi negado pela juíza Patrícia Álvares Cruz, do Foro Criminal da Barra Funda em São Paulo.

Procurada, a Globo diz que "é veementemente contra qualquer tipo de violência, como se percebe diariamente em seus programas jornalísticos e mesmo nas obras do entretenimento, e entende que cabe às autoridades a apuração rigorosa de denúncias como as que foram feitas contra Felipe Prior".

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem