Celebridades

Selena Gomez usa sua ascendência mexicana para expressar medo por ataques a imigrantes

'Como nós tratamos os outros seres humanos define quem somos nós'

Selena Gomez ao receber o prêmio de Mulher do Ano, da Billboard, em 2017
Selena Gomez ao receber o prêmio de Mulher do Ano, da Billboard, em 2017 - Mario Anzuoni/Reuters
São Paulo

A cantora americana Selena Gomez, 27, escreveu um testemunho na revista Time sobre o orgulho que tem de sua ascendência mexicana para expressar a sua opinião sobre a política de imigração do governo Donald Trump. A artista usa exemplos de refugiados de conflitos armados que vivem seus dias nos Estados Unidos com medo de serem pegos. 

"Como mulher mexicana-americana, eu sinto a responsabilidade de usar a minha plataforma e a minha voz pelas pessoas que têm medo de falar", afirma Gomez em seu texto que ela inicia com a história de sua própria família. 

"Nos anos 1970, minha tia cruzou a fronteira do México para os Estados Unidos escondida na traseira de um caminhão. Meu avó a seguiu, e meu pai nasceu no Texas logo depois. Em 1992, eu nasci uma cidadã americana graças à bravura e ao sacrifício deles", inicia ela o texto.

A artista explica que seus parentes têm lutado por mais de quatro décadas para conquistar a cidadania americana, e ela fica grata por não ter de passar por toda a burocracia que eles tiveram de enfrentar. "Mas quando eu leio as manchetes dos jornais e vejo esses debates sobre a raiva contra imigrantes nas mídias sociais, eu sinto medo por todos que estão nessa situação. Sinto medo pelo meu país", afirma a artista.

Para Gomez, imigração é um tema que vai além da política e das manchetes. "É uma questão humana que afeta pessoas reais, que desmantela vidas reais", defende a artista. "Como lidamos com isso diz muito sobre a nossa humanidade, a nossa empatia, a nossa compaixão. Como nós tratamos os outros seres humanos define quem somos nós."

A cantora pondera a sua opinião dizendo que acredita em regras e regulações, mas é preciso ter a ideia de que um país também é formado por pessoas que chegam de outros lugares. "É tempo de ouvir as histórias complexas de cada um daqueles que teve o seu caso reduzido a uma manchete nos jornais", afirma ela, citando o documentário "Living Undocumented", produzido por ela e que narra a história de famílias de imigrantes.

Gomez se encontrou com alguns personagens do documentário para saber mais sobre seus dramas e seus sonhos. Entre eles, irmãos que fugiram de conflitos em Israel e colombianos que sofreram com ameaçadas do narcotráfico de seu país. 

"Uma das meninas disse que deseja estudar design de interiores e conta que passou a sua vida inteira sentimento medo", relata a cantora. "Ela conta que foi assaltada de forma violenta na semana passada, mas teve medo de chamar a política. Ela não queria que eles descobrissem a situação ilegal de seus pais." 

A cantora ainda citou o exemplo de Pablo, que foi aceito na Universidade americana de San Diego, mas não pôde ir porque o seu pai foi detido e humilhado pela imigração americana que o deportou para a Colômbia. "Desde então, Pablo e seus irmãos vivem escondidos." 

Nesta semana, Trump chegou a sugerir que fosse criado um poço de cobras para impedir a entrada de imigrantes na fronteira do México com os Estados Unidos.

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