Celebridades

Um ano após drama do hidrogel, Andressa Urach fala sobre celibato, cicatriz e tentações

Um ano atrás, Andressa Urach protagonizava uma das cenas mais marcantes de 2015: deitada no leito de um hospital público no Rio Grande do Sul, ela exibia as coxas, não musculosas e bronzeadas como diariamente no Instagram, mas com as feridas necrosadas de uma infecção que quase a levou à morte.

Após três meses de internação, cirurgias e antibióticos, ela conseguiu o que prefere chamar de milagre: sobreviveu, se recuperou e em poucos meses voltou a andar. O resto da história todos já sabem: a experiência traumática fez Andressa repensar a vida e se converter à igreja Universal. Trouxe o filho para morar com ela em São Paulo, abandonou as baladas, holofotes, programas e concursos de bumbum e revelou todos os podres do passado em uma autobiografia, que vendeu mais de 500 mil exemplares.

Um ano depois, Andressa ainda sofre com sequelas da infecção por hidrogel e metacril. Findos os medicamentos e a fisioterapia, ela ainda tem resíduos do produto químico em seu corpo, que a proíbem de praticar esportes e exercícios físicos intensos. Antes adepta da vida "maromba", hoje só pode fazer caminhadas leves —qualquer esforço um pouco mais pesado provoca dores na coxa, onde o músculo está necrosado. Quando viaja de avião, precisa usar meias compressoras para evitar inchaço e dores.


Os tão sonhados resultados da musculação —pernas grossas, barriga negativa, bumbum durinho— já não importam mais para Andressa, que abandonou sua coleção de biquínis e vestidos justos. Em sua página no Instagram, onde abundavam curvas, pele e poses sensuais, hoje só se vê trechos bíblicos com fotos de pôr do sol ao fundo.

cilada

Com a nova rotina e novos valores, Andressa se afastou, naturalmente, dos antigos amigos. Um dos motivos, ela admite: é para se manter longe das tentações.

"Vou fazer o quê em shows e baladas, onde vai ter gente bebendo as bebidas que eu gostava, fumando cigarro, que eu também gostava, homens bonitos me paquerando e eu vou ter que dizer não, porque hoje eu sei que o que eles querem comigo não é o mesmo que eu quero?", desabafa.

Há mais de um ano em celibato voluntário, ela se colocou um prazo para voltar a namorar: só quando chegar aos 30. Com 27 anos completados em outubro passado, diz ter se acostumado à solidão.

"Eu era viciada na sensação de ter um homem na minha cama. Foi difícil no começo, porque eu tinha essa obsessão de ter alguém o tempo todo. Depois descobri que isso era um vazio espiritual. Foram quase 2.000 homens, é um número muito alto", lembra.

"Preciso de mim nessa fase. Se aparecer uma pessoa agora, vai ter que esperar", avisa Andressa, que trocou até de número de telefone para evitar convites e ofertas insistentes de antigos clientes e ex-amantes. "É muita tentação. Eu amava o dinheiro".

novas companhias

Andressa encara as ofertas tentadoras como um teste de resistência. "As pessoas sabem que eu mudei e continuam me convidando para sair e viajar. Tem gente que não acredita na minha mudança, dizem não vai durar, que daqui a pouco eu volto. Entendo essas pessoas, talvez eu mesma no passado também não acreditaria se me dissessem que eu estaria assim", confessa ela, que se impõe uma punição drástica: "Eu oro para que, se eu não resistir às tentações, Deus me leve".

Crédito: Reprodução/Instagram/andressaurachoficial Andressa Urach diz que a favor das gay --- https://instagram.com/p/8TA2Dwl1KI/
'Estou de braços abertos para quando eles quiserem ir à igreja comigo', diz Andressa sobre antigos amigos

No verão de 2015, a ex-modelo estava em estado grave na UTI enquanto as amigas mais próximas viajavam e curtiam a estação. Não recebeu nenhuma visita. Logo que teve alta, viajou para Santa Catarina, ainda debilitada, para tentar encontrar a turma. "Achava que minha felicidade estava com essas pessoas", conta. Acabou contraindo outra infecção perigosa, que a levou de volta ao hospital.

"Me afastei das pessoas que usavam cocaína, das meninas que ainda fazem programa, para ninguém vir me oferecer tentação. Ainda falo com alguns, mas não dá para viajar junto, passar uma tarde junto, sabe? Oro por eles e torço para que eles também tenham esse encontro com Deus. Estou de braços abertos para quando quiserem ir à igreja comigo. Mas sei que é difícil. É mais fácil eles me puxarem para baixo do que eu puxá-los para cima".

"Parei de seguir um monte de gente no Instagram. Não quero ficar pensando naquelas pessoas, até para não ficar julgando. Não que eu seja santa. Pelo contrário: sei o que me faz mal e quero distância".

Agora ela tem novas companhias —e todas femininas. Diz que tem evitado conversar com homens e só abre exceção para assuntos do trabalho: ela é repórter do "Domingo Show", da Record. Seu novo círculo social inclui um grupo de mulheres da igreja com quem troca informações sobre como "se valorizar" e "ser uma boa mãe e dona de casa". "Coisas que minha mãe nunca me ensinou", justifica.

vaidade

Entre as propostas indecorosas que tem recebido, Andressa também se deparou com alguns cirurgiões plásticos que se oferecem para consertar de graça as cicatrizes de sua perna. Recusou todas.

"Gosto das minhas cicatrizes. Elas me fazem lembrar o quanto eu sofri, e que estou viva e venci a batalha. Gosto até das minhas rugas. Fazia muito botox, mas agora parei, quero ter rugas! Quero ser quem eu sou", diz sorrindo. "Claro que não perdi a vaidade. Faço unha, cabelo, uso perfume. Mas minha perna, só quem vai ver agora é meu futuro marido", brinca. E só depois dos trinta.


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