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De sono ruim a comida apimentada: repórteres lembram perrengues em Olimpíadas

Jornalistas da Globo e SporTV se preparam para cobertura dos Jogos de Tóquio

Jornalistas da equipe olímpica da Globo: da esq. para a dir.: Karine Alves, Julia Guimarães, Marcelo Courrege, Bárbara Coelho e Guilherme Roseguini - Arquivo Pessoal

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São Paulo

Imagine ir para uma Olimpíada e não conseguir assistir à Olimpíada. É mais ou menos isso o que acontece com alguns dos repórteres que recebem a responsabilidade de cobrir os Jogos in loco. Na correria das transmissões, às vezes fica difícil acompanhar tudo como espectador.

Foi o que aconteceu com o repórter Marcelo Courrege, 39, na cobertura da cerimônia de abertura da Rio 2016, a primeira dele na carreira. Os perrengues, segundo o profissional, fazem parte da profissão.

“Quem trabalha em eventos desse porte sempre tem histórias curiosas para contar. Em 2016, na abertura no estádio do Maracanã, víamos todas as delegações passarem e entrevistávamos os atletas mais famosos. Foi muito bacana, mas não conseguimos assistir nada. Tão perto, tão longe”, relembra em papo com o F5.

Essa é só uma das situações atípicas vividas em Olimpíadas, tão comuns para os jornalistas. Colega de Courrege nas transmissões de 2021, Guilherme Roseguini, 40, é mais um escalado para contar histórias dos Jogos direto do Japão. Será sua sexta Olimpíada.

O perrengue de que ele recorda, por outro lado, é um momento em que esteve de folga das transmissões ao vivo. “Na China [2008], cometi um erro comum para quem nunca havia viajado ao país: não levei o nome do meu hotel escrito em chinês. Como o taxista não entendia a minha pronúncia, ficamos mais de três horas rodando na cidade”, relembra.

E diz que não se deu bem com a culinária local. “Em um restaurante de Pequim, confiei na marcação do cardápio indicando que o prato continha pouca pimenta. Mas pouca, para o padrão chinês, era muita para o meu paladar. Dei uma garfada e fiquei mais de uma hora com os lábios adormecidos”, emenda.

Courrege e Roseguini fazem parte da equipe que já viaja a Tóquio para a cobertura das Olimpíadas, que começa oficialmente no dia 23 de julho e termina em 8 de agosto. Todos já foram vacinados.

Courrege será o responsável por contar as emoções dos jogos de vôlei masculino e feminino. As partidas acontecerão todos os dias e a correria será intensa. Ele também acompanhará os treinos do Brasil e os jogos de algumas outras seleções importantes.

“Como já aconteceu no Rio de Janeiro, nós também devemos ser deslocados ao longo da competição para alguns locais de provas que precisem de reforço de cobertura, em eventos que tenham chance de medalha para o Brasil”, conta.

Roseguini será o repórter que ficará encarregado das coberturas de atletismo e natação. “A rotina é sempre bastante puxada. Chegamos à arena duas horas antes do início do evento e saímos três horas depois de ele acabar. O trabalho envolve entradas ao vivo durante a competição, além de gravação de entrevistas, roteirização e edição das reportagens”, revela ele.

Os protocolos, segundo os jornalistas, são bem rigorosos para todos os envolvidos, seja atletas ou mídia. “Conseguimos ouvir melhor o que dizem os técnicos, auxiliares técnicos e os jogadores durante as partidas. Isso é um ganho para a transmissão”, reforça Courrege.

A Olimpíada será realizada sem público nas arenas de Tóquio devido ao aumento de casos de coronavírus. A informação foi divulgada por Tamayo Marukawa, ministra da Olimpíada, nesta quinta-feira (8) após reunião entre governo do Japão, Comitê Organizador de Tóquio e COI (Comitê Olímpico Internacional). A nova diretiva acontece após decretação de novo estado de emergência em Tóquio.

Em grandes transmissões como essas, o contato com a família e sobretudo o fuso de 12 horas de diferença se tornam desafios. Os jornalistas da equipe contam quais serão as táticas utilizadas por eles para a adaptação.

Roseguini, por exemplo, diz ser adepto de um sono completo na primeira noite. Na segunda, porém, ele gosta de acordar de madrugada e não dormir mais. Livro, exercícios e vídeochamadas com a família farão parte da madrugada em claro.

Já Bárbara Coelho, 33, conta que não se preparou para o fuso e que não sabe como será esse momento de adaptação. Karine Alves, 39, que já trabalha no horário noturno no Brasil com o Troca de Passes (SporTV), crê que não terá tanta dificuldade de se adaptar.

“Aliás, a vida inteira sempre fui meio coruja, ficando acordada de madrugada. Como no Japão a manhã deles é a nossa madrugada, acordarei numa boa antes de o galo ameaçar cantar”, diz a apresentadora.

Mesmo que na hora algo não saia como o planejado, para ela não há problemas: “Não existe cobertura de grandes eventos sem perrengue [risos]. Mas que venham os perrengues, eles sempre viram boas histórias para contar depois”.

‘SEREMOS O ROSTO DA GLOBO EM TÓQUIO’

As jornalistas Bárbara Coelho e Karine Alves vão trabalhar nas Olimpíadas como apresentadoras. A função de ambas será ancorar os principais eventos ao vivo e fazer a tabela entre repórteres e outros comentaristas do Brasil.

“Seremos o rosto da Globo em Tóquio. É minha primeira vez no Japão, um país que sempre tive curiosidade de conhecer. E nada melhor do que conseguir aliar as duas coisas: conhecer um país como esse enquanto trabalha com o que você mais ama fazer”, diz Bárbara Coelho.

Na visão dela, que participou da Rio 2016, ter a oportunidade de acompanhar de perto a nata do esporte e os atletas mais importantes do mundo “vai ressignificar muita coisa”.

“Estamos vivendo um momento único no mundo e ir para Tóquio com a responsabilidade de reportar para o Brasil tudo o que está acontecendo nos Jogos é uma honra. Então, a minha expectativa e a minha ansiedade estão gigantes”, define.

Karine também viajará pela primeira vez ao outro lado do mundo. Desde que soube dessa incumbência, começou a se preparar. “Comecei a ler notícias e estudos voltados para os outros esportes olímpicos, além de me arriscar no japonês, sozinha mesmo, para falar pelo menos o básico da língua”, revela.

“Gosto muito dessa troca cultural que eventos dessa magnitude nos proporcionam. E, quando aparece uma oportunidade assim, mergulho de cabeça. A minha expectativa é conseguir passar a energia para quem vai estar assistindo aos Jogos”, emenda a jornalista, que também esteve na Rio 2016.

Na época dos Jogos, estará muito calor no Japão. Na mala, Karine diz que a ideia inicial era colocar tudo o que pudesse. “Mas, desta vez, o que não pude deixar de levar foram máscaras, lenços descartáveis com álcool em gel e uns chocolatinhos marotos porque ninguém é de ferro”, diverte-se.

ESTREIA EM OLIMPÍADAS

Esta será a estreia de uma cobertura in loco de Olimpíada para a repórter Julia Guimarães, 30. Apaixonada por esportes desde sempre, ela conta que já colocava os Jogos como um dos maiores objetivos de sua carreira.

Em 2016, quando a competição aconteceu em solo brasileiro, Julia foi a responsável por mostrar a repercussão do evento esportivo na Grécia e na Alemanha. “Pude sentir um pouco o clima de uma cobertura grande como essa, mas, quando é no local onde tudo acontece, com certeza a emoção é diferente”, opina.

A função dela em Tóquio será cobrir o vôlei de praia, um esporte que já rendeu 13 medalhas para o Brasil. “A expectativa é grande para, logo na minha estreia em Olimpíadas, presenciar uma conquista de medalha para o país. Temos atletas que são potência mundial, então a chance é muito grande.”

Julia participou da Copa do Mundo da Rússia em 2018 como videorrepórter, onde, inclusive, foi vítima de um assédio. Agora, diz ela, trata-se de um dos maiores momentos de sua trajetória. Ainda mais pelos desafios que poderão ser enfrentados por causa da pandemia.

Ela afirma que as limitações impostas pela Covid-19 fizeram com que as equipes buscassem uma criatividade a mais para contar boas histórias no esporte desde março de 2020. E isso será levado como lição para o Japão.

Fora isso, a jornalista conta que tentará aproveitar ao máximo o pouco tempo que estará livre. “Vai ser o destino mais distante do Brasil para o qual eu vou na minha vida. Acho que um livro e um filme ou série vão ajudar a relaxar e dormir quando o jetleg aparecer. Vou levar também brindes brasileiros, como pins, broches e chaveiros para trocar com os japoneses e pessoas de outros países.”