Zapping - Cristina Padiglione

Natal do Porta dos Fundos vira desenho animado

Agora em nova plataforma, enredo da vez focaliza Jesus no Ensino Médio

Fábio Porchat, roteirista do especial de Natal, dublará animação - Divulgação

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Depois de um especial de Natal em que Cristo era mau e Judas, bom, em 2018, vencedor do Emmy Internacional de comédia, de um outro especial natalino em que Jesus era gay, em 2019, que motivou censura e até ataque terrorista, e de um especial de Natal em forma de documentário, em 2020, o Porta dos Fundos inova mais uma vez para o filme de fim de ano deste 2021.

A produção da vez, "Te Prego Lá Fora", virá no formato de animação, com dublagem dos atores do grupo. Mas quem reclamava tanto das polêmicas criadas pelo grupo de humor, do YouTube à Netflix, agora terá de pertencer à plateia paga de uma outra plataforma.

O Especial será uma coprodução com o estúdio de animação Estricnina, especializado na produção do gênero, e terá estreia exclusiva na Paramount+.

"Te Prego Lá Fora" revelará a vida de Jesus, que ainda não era Cristo, na adolescência. Na história, ele está chegando a uma nova escola de Ensino Médio e, com a ajuda do amigo Lázaro, tenta se integrar com a turma.

“Sempre quisemos fazer uma animação”, conta Fábio Porchat, de novo roteirista do projeto de Natal, em texto distribuído pela assessoria do Porta dos Fundos.

A crise sanitária trazida pela Covid-19 e todas as restrições de filmagens impostas pela situação, também pesou na decisão de optar pela animação. “A pandemia fez desse desejo uma necessidade, afinal, desenho não passa vírus”.

No enredo da vez, o foco ficará sobre os infortúnios e desventuras de um grupo de amigos no colégio, mostrando o quão mesquinhos os meninos podem ser.

Em 2019, o Porta dos Fundos recebeu o Emmy Internacional de Comédia, pelo Especial de Natal "Se Beber, Não Ceie", lançado em 2018 pela Netflix, mesma plataforma do polêmico "A Primeira Tentação de Cristo". No ano passado, "Teocracia em Vertigem" ridicularizava a intolerância e foi feito sob inspiração de "Democracia em Vertigem", documentário de Petra Costa finalista ao Oscar. Este foi lançado diretamente no YouTube e somou mais de 1.3 bilhão de impressões nas mídias sociais.

Particularmente, prefiro os dois especiais da Netflix, especialmente o primeiro, vencedor do Emmy, que põe em xeque a construção de mitos ao longo de milhares de gerações. "Se Beber Não Case" é muito mais contundente no questionamento dos valores cristãos do que "A Primeira Tentação".

No entanto, o fato de Jesus (Gregório Duvivier naquela edição) rediscutir sua orientação sexual motivou atitudes anticristãs em uma plateia conservadora, para quem Cristo poderia ser malvado, como o de 2018 (então vivido por Porchat), mas jamais abrir mão de sua masculinidade.