Tony Goes

Quase toda impecável, cerimônia do Oscar de 2017 entrará para a história por causa do erro final

Eu quase desliguei a TV no meio dos discursos dos produtores de "La La Land". Não faltava mais nenhum prêmio a ser dado; nenhum número musical; nenhuma piada boba.

Aí entrou um sujeito nervoso no palco, com um envelope vermelho na mão. E o pessoal de "La La Land" passou por um vexame histórico: teve que entregar o Oscar de melhor filme para "Moonlight", o verdadeiro vencedor.

Foi mais ou menos a reedição do Miss Universo de 2016, quando o apresentador Steve Harvey se confundiu e coroou Miss Colômbia, quando deveria ter coroado Miss Filipinas. Só que, dessa vez, numa escala ainda maior.

Culpa de Warren Beatty e Faye Dunaway, os astros veteranos encarregados do prêmio mais importante da noite? Culpa do envelope errado que foi parar nas mãos deles, que dizia "Melhor Atriz: Emma Stone por 'La La Land'"?

Não importa. O que interessa é que este momento fará com que a entrega do Oscar deste ano seja lembrada para sempre. A chuva de memes já começou.

O mais irônico é que a noite correu sobre carretéis até o último bloco. Foi ótima a ideia de abrir o show com "Can't Stop The Feeling", da animação "Trolls", indicada ao prêmio de melhor canção. Justin Timberlake levantou a plateia do Dolby Theatre, em Los Angeles.

Também foi divertido o momento em que um grupo de turistas desavisados adentrou o teatro e se esbaldou de tirar selfies com as estrelas da primeira fila. Combinado ou não, o número funcionou direitinho.

Ainda teve guloseimas caindo de paraquedas do teto, inúmeros discursos políticos e a presença no palco da quase centenária Katherine G. Johnson, a única remanescente do trio de matemáticas negras retratado pelo filme "Estrelas Além do Tempo".

O apresentador Jimmy Kimmel foi até respeitoso, deixando o chumbo pesado para seu amigão Matt Damon com quem supostamente é rompido há anos, numa piada recorrente de seu talk show na rede americana ABC.

Tudo isto era parte do esforço da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para dar agilidade à transmissão, famosa pelas homenagens intermináveis. Desta vez, foi tudo mais enxuto e direto ao ponto.

Aplausos para todos os envolvidos, que agora terão seus meses de trabalho duro ofuscados para todo o sempre pela derrapada final. O Oscar de 2017 ficará conhecido como a noite em que "Moonlight" arrancou o prêmio das mãos de "La La Land" aos 47 minutos do segundo tempo.

"Dar um moonlight" vai se tornar sinônimo de virada de última hora. Pelo menos esta foi simpática, ao contrário do que aconteceu na última eleição americana.


Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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