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Silvio Santos: o tio que dá dinheiro é rei
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DE SÃO PAULO
O homem mais admirado pelos brasileiros não é o presidente Lula. Nem o jogador Pelé. E nem mesmo Jesus Cristo. Mas sim um apresentador de TV que anda com um microfone grudado no corpo, como se fosse uma gravata. E que grita desde que nos entendemos por gente: "Quem quer dinheiro?". E sai jogando notas de 50 reais para a plateia como se fosse um maluco. Ou como se seu auditório fosse formado por crianças pedindo bala em dia de Cosme e Damião.
Silvio Santos é personalidade mais admirada no Brasil
A pesquisa foi divulgada pelo site da revista "Forbes" e coloca Silvio quatro lugares na frente de Jesus Cristo. O que o apresentador-empresário nos oferece desde que somos crianças? Dinheiro, um carro novo.
Seu Baú da felicidade fazia sucesso e oferecia bens de consumo em épocas em que o poder aquisitivo do brasileiro era bem menor que hoje. Era febre. As pessoas compravam um carnê, que era transformado, caso você fosse sorteado, em produtos dos sonhos. O nome é enigmático: Baú da Felicidade. A felicidade é um carro novo. Simples.
Se a pesquisa estiver certa, pouca coisa mudou. Ainda continuamos achando que felicidade é ganhar um "televisor" (sim, Silvio é vintage). "Neguinho compra três TVs de plasma, um carro, um GPS e acha que é feliz", canta Gal Costa na música "Neguinho", de Caetano Veloso, recém lançada.
Silvio abria a porta da esperança! O nome é muito poderoso. Gênio. Hoje, continua jogando dinheiro em cima dos outros e, mesmo com o baú falido (a falência de suas empresas comoveu seus telespectadores, que os têm como alguém da família), faz sucesso, muitas vezes, humilhando as pessoas.
Ele apresenta pegadinhas que pegam pesado com a plateia. Ri da cara de uma criança, a menina Maysa, e de sua própria filha, jurada de um de seus programas. Silvio Santos, além de dar dinheiro, é também o rei do bullying.
A gente deve gostar de ver alguém levando bullying pela TV, já que levamos muitos na vida. E dinheiro, bem, quem não quer? Nessas, neguinho Silvio Santos vira rei.
Nina Lemos tem 40 anos e é carioca exilada em São Paulo. Escreve para a "Folha" desde os anos 90 onde, entre outras coisas, atuou como colunista com o trio 02 Neuronio. É autora de cinco livros com o grupo e do romance "A Ditadura da Moda". Atualmente é repórter especial da revista "Tpm".
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