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Livro compara Justin Bieber a personagem de J.D. Salinger

11/03/2013 - 21h27

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FRANCISCO QUINTEIRO PIRES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

Jonny Valentine se tornou um astro pop após um vídeo no YouTube revelar o seu talento musical. Da noite para o dia, os executivos de uma gravadora de Los Angeles inventaram a sua carreira, administrada com mão de ferro pela mãe ambiciosa.

Aos 11 anos, Valentine está prestes a atingir o ápice do seu sucesso: ele vai se apresentar no Madison Square Garden, em Nova York.

Protagonista do livro "The Love Song of Jonny Valentine", de Teddy Wayne, o garoto não comemora esse feito. Aos poucos, percebe o preço da fama e as armadilhas da indústria do entretenimento.

Apesar das milhares de fãs, ele se vê sozinho. Mantém um relacionamento postiço com uma garota. Vomita antes dos shows. Tem dificuldade para dormir. Começa a tomar escondido remédios da mãe. Está triste por ser uma invenção para o consumo das massas.

Os críticos viram em Valentine uma mistura de Justin Bieber e Holden Caulfield, protagonista de "O Apanhador no Campo de Centeio", clássico do escritor americano J.D. Salinger (1919-2010).

Valentine e Bieber fizeram sucesso primeiro no YouTube. E uma das epígrafes do romance é uma resposta do astro canadense numa entrevista: "Quero que o meu mundo seja divertido. Sem pais, sem regras, sem nada. Tipo, ninguém pode me parar."

"Entendo por que compararam Valentine a Bieber", diz Wayne, 34. "Mas Valentine se aproxima de Caulfield porque tem dificuldade de transitar no mundo adulto."

Reprodução/Instagr.am/justinbieber
O cantor Justin Bieber
O cantor Justin Bieber

ÍCONE ADOLESCENTE

Quando "O Apanhador no Campo de Centeio" foi publicado, em 1951, Caulfield se tornou ícone de rebeldia e angústia para os adolescentes.

Ao criar Valentine, Wayne diz ter buscado "o retrato comovente de um adolescente". Ele usou o universo da música pop para narrar a história de alguém em busca de identidade. Fez essa escolha, apesar de saber que "a literatura séria" não costuma abordar a cultura pop.

"Meu livro é uma análise crítica da obsessão pela celebridade e da tendência de todos nós nos promovermos como uma marca", conta. "Ao mesmo tempo, a história apresenta um adolescente em transformação com o qual o leitor vai simpatizar."

Wayne optou pelo mesmo tipo de narrativa empregado em "Kapitoil" (2010), o seu premiado livro de estreia. "Eu precisei escrever na primeira pessoa, pois tinha de criar uma interioridade única para Valentine", diz o autor.

"Esse é o ponto de vista do qual mais gosto, porque posso atuar como o ventríloquo de uma outra pessoa."

Colaborador de publicações como "The New Yorker", Wayne teve contato estreito com publicitários enquanto escrevia uma coluna sobre negócios para "The New York Times". Ele se valeu dessa experiência ao inventar o discurso de Valentine.

"Ao mesmo tempo em que fala como um jovem qualquer, ele adota a linguagem do marketing", afirma.

"Era a minha intenção inicial capturar essa colisão de vozes: a manifestação ingênua de um garoto de 11 anos versus o jargão cínico e esperto de um executivo."

THE LOVE SONG OF JONNY VALENTINE
AUTOR Teddy Wayne
EDITORA Free Press
QUANTO R$ 23 (e-book) no site da Amazon

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