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Descrição de chapéu The New York Times

Emojis de coração e carinha rindo continuam os mais usados em 2021

Com pandemia, seringa, caveira e micróbio subiram nos últimos anos

Emojis AFP

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Anna P. Kambhampaty
The New York Times

A pandemia afetou todos os aspectos da vida moderna, das roupas que vestimos à comida que comemos e os lugares em que passamos nosso tempo. Mas há uma coisa que praticamente não mudou: os emojis que enviamos.

De acordo com dados do Unicode Consortium, a organização que define os padrões para comunicações digitais via texto, nove dos 10 emojis mais usados em 2019 (a última ocasião em que a organização divulgou dados) continuam entre os 10 mais este ano.

O emoji do coração vermelho está em segundo lugar, e o emoji das lágrimas de alegria continua em primeiro lugar, apesar de os membros da Geração Z o considerarem como nada "cool", em companhia de repartir o cabelo de lado e usar calças jeans skinny.

Para as pessoas que criam e estudam emojis, a persistência das lágrimas de alegria, também conhecidas como emoji do riso-choro, não causa surpresa.

"Tem relação com o motivo para que muitas pessoas usem emojis. Se os emojis fossem coisa da Geração Z apenas, ele não teria posição tão elevada", disse Alexander Robertson, pesquisador de emojis no Google. "Por conta do número bruto de pessoas que usam emojis, mesmo que um grupo considere que um deles é tosco, seria preciso que o grupo fosse bem grande para afetar as estatísticas".

"E faz sentido que a Geração Z ache que alguns emojis não são bacanas", disse Jennifer Daniel, presidente do subcomitê de emojis do Unicode e diretora de criação do Google. É parte da "experiência adolescente de criar uma subcultura na qual existe um modo certo e um modo errado de se comportar".

Além disso, apontou Daniel, há um "espectro" de formas de riso que podem ser expressas em texto: "Há a risadinha leve. Há o riso de reconhecimento, um sinalizador de empatia". Usar emojis como a caveira ("estou morto") ou o rosto choroso (chorar de rir) pode ajudar a ilustrar essa gama.

Mas se a observação for conduzida em uma só plataforma, a história observada pode ser ligeiramente diferente. De acordo com dados obtidos do Twitter, o emoji de lágrimas de alegria foi o mais tuitado em 2020, mas caiu para a segunda posição em 2021, substituído pelo da carinha chorosa. As lágrimas de alegria tiveram uma redução de uso de 23% entre 2020 e 2021.

Mas o fato de que a maioria dos 10 mais entre os emojis mais usados, de acordo com o Unicode, que cobre múltiplas plataformas e apps, tenha se mantido razoavelmente firme também é uma indicação de como o atual conjunto de emojis é flexível.

"Isso indica basicamente que temos o necessário para comunicar uma ampla gama de expressões, ou mesmo conceitos altamente específicos", disse Daniel. "Não é necessário um emoji específico para a Covid ou para a vacinação porque temos emojis para bíceps, seringas e curativos adesivos, o que semanticamente é a mesma coisa".

Daniel acrescentou que, no começo da pandemia, as pessoas usavam o emoji do micróbio, ou vírus, e o emoji da coroa para se referir à Covid-19 ("corona" é coroa, em espanhol). O emoji da seringa saltou para o 193º lugar este ano em termos de uso geral, ante o 282º lugar em 2019. O do micróbio também subiu, de 1.086º em 2019 para 477º.

Embora os dois últimos anos tenham sido diferentes de tudo que vimos no passado, a gama de emoções que expressamos via emojis, enquanto as vivíamos, continuava a ser em geral familiar.

"Vimos alta no uso do emoji do vírus, mas não de uma maneira que o tornasse nem próximo dos emojis mais usados, porque ainda tínhamos muito sobre o que rir e chorar, quer por conta da pandemia, quer não", disse Lauren Gawne, uma das apresentadoras do podcast "Lingthusiasm" e professora sênior de linguística na Universidade La Trobe, em Melbourne, Austrália.

"Mesmo em meio a essa imensa pandemia mundial que nos preocupava por parte tão grande de nosso tempo", acrescentou Gawne, "continuamos a dedicar muito tempo a desejar feliz aniversário aos amigos, manter contato com pessoas ou rir sobre algum elemento novo e inesperado da estranha crise em câmera lenta que vivemos".

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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