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Elogiado por Kardashian, vendedor de açaí ganha bolsa integral para cursar administração no Rio

Wellington Couto ficou famoso ao batizar produto com nomes do clã

Ambulante Wellington Couto vende sacolé de açaí com nome das Kardashians no Rio
Ambulante Wellington Couto vende sacolé de açaí com nome das Kardashians no Rio - Reprodução
Cris Veronez
Rio de Janeiro

Em menos de um ano vendendo açaí na praia de Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, Wellington Couto teve a vida completamente transformada. O carioca de 26 anos ficou conhecido por ter se inspirado na família Kardashian para dar nome ao seu produto –o Kardashians Açaí.

A história dele foi parar nas redes sociais, ganhou like de Khloé Kardashian e, daí para frente, foi só alegria. Couto já tem planos de expandir os negócios e chegou até a ganhar bolsa integral para fazer faculdade de administração.

Em entrevista ao F5, o ambulante conta um pouco de sua história e diz, orgulhoso, que já virou inspiração para crianças e jovens do Complexo do Alemão, onde mora. "Comecei vendendo salgados árabes na praia, mas o trabalho estava maçante e queria lançar algo que me permitisse ser meu próprio patrão. Precisava vender algo que saísse bastante na praia e que tivesse um diferencial. Fiquei matutando sobre isso e me veio na cabeça a família Kardashian,"

Em abril de 2018, Couto levou uma bolsa térmica com 20 sacolés de açaí com banana e leite condensado para vender nas areias de Ipanema. Com camiseta estampada com a foto do clã, ele foi tentar a sorte. "Dizia que era o açaí de Kim Kardashian. Ela está numa fase mais fitness agora. Mas ela come de tudo e está com o mesmo corpo, linda. A galera abraçou a ideia. Na saída da praia, comprei uma caixa de isopor de 17 litros e voltei no segundo dia com 30 sacolés."

O ambulante conta que o público se interessou tanto pela originalidade de sua ideia que começou publicar fotos ao lado dele nas redes sociais. "Quando vi que o lance das fotos estava excessivo, percebi tinha que melhorar a estética da caixa, e coloquei uma estampa nela também. Aí, começaram a fazer vídeos. Até artistas começaram a divulgar no Instagram."

A postagem que levou Couto a experimentar o gostinho do sucesso internacional foi a da cliente Isis, que tem Khloé como seguidora. A celebridade deu um like no post e gerou um boom no negócio do ambulante. "Com Kim, conquistei as meninas. Para alcançar a rapaziada, resolvi lançar o açaí do Kanye West. Ele tinha acabado de declarar que a bipolaridade dele era um dom, então fiz com chocolate ao leite e chocolate amargo."

Inspirado no gloss e no batom da Kylie Jenner, que venderam mais que a Chanel nos primeiros dias, o ambulante criou o açaí com granulado e leite condensado. Um dia depois, ele criou o da filha dela, Stormi, com leite ninho.

Wellington Couto faz questão de salientar que “não vende mulheres”, mas um conceito. "Uma feminista uma vez disse que eu estava vendendo mulheres, mas não é isso. Estava vendendo meu Kardashian’s Açaí sem nenhuma intenção de ser pejorativo ou depreciativo. Atinjo todos os públicos, desde crianças até senhoras, com a minha criatividade e com o conceito que criei."

Expansão do negócios em outros lugares do Rio

Wellington Couto vende 150 sacolés por dia –que custam R$ 5 e, em breve, serão reajustados para R$ 6, para que ele consiga investir no negócio. "Neste montante estão incluídas as unidades que vendo para outros ambulantes, para eles revenderem. Vou ter que contratar mais gente para trabalhar. Estaremos na zona norte do Rio, no Parque de Madureira. E empregar a galera da comunidade. Quero levá-los comigo.”

Nas últimas semanas, Couto fechou uma parceria com a amiga de infância Sabrina, que mora na comunidade do Jacarezinho, onde ele viveu durante muitos anos. "O boom foi muito rápido para mim. E é coisa de Deus. Tem muita gente me procurando, mas prefiro tratar com gente da minha comunidade e que conhece alguma coisa de negócios. Minha origem é humilde e a dela também. Queremos vencer juntos."

A ideia do Kardashians Açaí chamou a atenção de uma universidade, que ofereceu a Wellington Couto uma bolsa integral para o curso de administração. O ambulante pretende iniciar os estudos no segundo semestre. "Mesmo assim, não vou abandonar meus clientes da praia, pois foram eles que me levantaram."

Sobre o futuro, Couto diz: “Não sei o que vai ser, mas sei que Deus tem algo muito grande para mim. Deixo tudo na mão do papai do céu. Nunca vendi droga, nunca trafiquei, sempre trabalhei direitinho e acho que é por isso que estou sendo abençoado."

Por ter vivido lado a lado com o tráfico, o jovem afirma já ter passado por muitas provações na vida. Ele diz que sua mãe, Mariete, que trabalha em estações do BRT vendendo doces, foi sua grande inspiração para se manter longe de más influências.

"Tive um tio que pedia dinheiro na rua. Um dia, ele me levou junto enquanto minha mãe trabalhava. Quando voltou, ela me deu uma surra. Disse que não queria que eu fizesse aquilo porque trabalhava duro para me dar do bom e do melhor. Por isso, tenho a minha mãe como inspiração. Tive uma boa educação. E nem toda pessoa da comunidade é bandido. Tem gente que acorda de madrugada para trabalhar. Acho que também estou honrando isso."

Outra inspiração para Wellington Couto é a cantora Anitta, a qual pretende homenagear com um novo sabor de açaí no Carnaval. "Temos coisas em comum. Ela planejou a carreira dela, investiu, se esforçou, ganhou reconhecimento. E hoje eu também sou inspiração para outras pessoas." 

"Quando eu passo na comunidade, sinto que as crianças me reconhecem porque me viram na TV. É inspirador para eles ter uma pessoa da comunidade que começou a crescer e a vencer na vida já que eles veem muito tráfico e gente armada", completa. 

"Por isso que vou fazer essa homenagem para Anitta no Carnaval", afirma o ambulante, sem revelar quais serão os ingredientes que vai usar para fazer referência à cantora. "Só posso dizer que vai ser uma coisa muito boa."

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