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Dia do Amigo: Provas de amizade vão de companhia para consulta a casamento

Amigos celebram parceria construída durante a vida neste 20 de julho

A criadora de conteúdo paulistana Erika Gentille, 34, é casada com o melhor amigo, o bancário paulista Orlando Henrique Madeira Junior, 32 Karime Xavier/Folhapress

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São Paulo

No dia 20 de julho é celebrado o Dia do Amigo. Segundo especialistas, uma boa amizade pode superar até mesmo a força de um grande amor. Demonstrar afeto, da maneira que for, faz muito bem. E há quem opte por viver isso em grande estilo.

A amizade que começou em 2005 era tão forte que a criadora de conteúdo Erika Gentille, 34 anos, e o bancário Orlando Henrique Madeira Junior, 32, resolveram transformar tudo aquilo em amor.
Melhores amigos desde a época em que cantavam e tocavam juntos na igreja, eles subiram ao altar em 2019.

“Continuamos sendo melhores amigos, conversamos muito e nossas origens são iguais. Não existe relação perfeita, mas existe parceria. Não acredito em amores que não tenham amizade”, diz ela.
Para Erika, a parceria vai além da questão homem e mulher —trata-se de um “encontro e almas”.

“Passei por situações difíceis como a perda do meu pai e uma operação de um tumor na cabeça em 2013. E ele sempre esteve junto. Acredito que o amor pode curar.”

Se depender da vontade de ambos, a amizade que evoluiu para amor poderá render frutos mais para frente. “Vamos esperar as coisas no país se estabilizarem com relação à pandemia para começar uma nova família. Queremos ter um filho”, almeja o bancário.

De acordo com o psicólogo Leonardo Morelli, esse laço faz com que as pessoas aprendam a ser mais compreensivas, solidárias e colaborativas. “Podemos não querer uma relação amorosa, mas uma relação interpessoal é de suma importância para que sejamos realmente afortunados”, diz o especialista.

As amizades também podem começar na infância e da forma mais pura. É o caso das pequenas Lisbela, 6 anos, e Amora, 5.

Amora nasceu de 27 semanas e precisou terminar seu desenvolvimento fora do útero durante três meses e meio. Sofreu com hemorragia intracraniana, o que resultou em uma paralisia cerebral. Como consequência, a menina apresenta dificuldade motora e não consegue coordenar a fala, nem andar. Por isso, passa por uma rotina intensa de terapia.

Amora se diverte com a amiga Lis em casa
Amora (à esq.) se diverte com a amiga Lis em casa - Arquivo pessoal

E em praticamente todas as sessões e consultas quem está ao lado dela é Lisbela, também chamada de Lis, sua amiga inseparável que a ajuda a se comunicar, desenhar e se locomover.

“Um adulto que às vezes não tem contato com a Amora não entende o que ela quer, mas a Lis entende. Brincam de tudo”, diz a mãe de Amora, a administradora Agda Dias, 36 anos.

Recentemente, Lis pediu de presente de Natal uma cadeira com rodinhas igual à que a parceira utiliza em casa. “O modo como as duas interagem é muito raro de ver. No começo da pandemia, fazíamos terapia online. A Lis a ajudava, ficava contando as repetições dela, incentivava e ajudava em seu desenvolvimento”, conta Agda.

Parceira de aventuras, Lis conta o que mais gosta na “irmã” que a vida lhe deu há dois anos.
“Eu gosto de brincar, de ajudar. Eu sei que ela gosta de mim, ela gosta da ‘Peppa Pig’ que nem eu. E eu gosto de fazer as coisas junto. Amo quando a gente passeia”, conta a pequena Lis.

AMIGAS NA DOR E NO TRABALHO

Largar tudo, mudar de vida e começar a trabalhar em sociedade com a melhor amiga sem perder os vínculos saudáveis fora do expediente também é uma demonstração de amizade. Foi isso que fizeram as empresárias de Fortaleza Isabelle Holanda, 35, e Clarissa Ventorini, 35.

A perda de um bebê por parte de Isabelle acabou por causar uma transformação na vida das duas. A dentista, que na ocasião já estava cansada desse ramo, costumava ser consolada pela amiga no restaurante dela, que meses depois acabaria fechado. Foi então que as duas decidiram criar a própria empresa de alimentação saudável em São Paulo, a We Nutz.

“O fundamental é que nos encontramos em períodos difíceis na vida e nos identificamos nesse momento, nos compreendemos, uma apoiou a outra. E construímos disso uma relação profunda e que nos motivou a trilhar essa trajetória”, avalia Isabelle.

As empresárias Isabelle Holanda, 35 (à esq.) e Clarissa Ventorini, 35, dizem que em São Paulo são como uma família
As empresárias Isabelle Holanda, 35 (à esq.), e Clarissa Ventorini, 35, dizem que em São Paulo são como uma família - Divulgação

Na época, as empresárias se viram em fase de descobertas de novas carreiras. “Tem que ter muita maturidade para amigas trabalharem juntas. Não é fácil, mas quando há respeito fica tranquilo. A Cla zela pela relação”, emenda Isabelle.

A curiosidade é que a amizade das empresárias começou por influência de outros dois amigos inseparáveis, os maridos delas. “Equivale a uma grande família. O próximo passo é engravidar juntas, quem sabe? A gente quer que nossos filhos perpetuem essa amizade”, almeja Isabelle.

Na opinião de Clarissa, hoje as duas se complementam e estão muito realizadas, pessoal e profissionalmente. “Fomos nos ajudando nos momentos mais difíceis. Minha casa era um ponto de apoio, às vezes jogávamos conversa fora, outras vezes chorávamos. Mas agora não deixamos mais nada nos abalar”, conclui.

TER AMIGOS AJUDA A MANTER O CORAÇÃO SAUDÁVEL

De acordo com psicólogos, a amizade faz bem para o corpo e a mente. Sobretudo em tempos de pandemia, nunca a frase “ninguém é feliz sozinho” fez tanto sentido, mesmo quando a companhia se dá por meio das redes sociais ou chamadas por vídeo.

“A ciência já comprova que ter amigos e pessoas que gostamos ao redor é sinônimo de prolongar a vida com qualidade. Para saúde física também é bom para diminuir os índices de estresse, depressão e doenças relacionadas a isso, além de manter o coração saudável”, analisa Sonia Eustáquia, psicóloga e psicanalista pós-graduada em neuropsicologia.

Na visão da profissional, a pandemia ajudou a firmar e a consolidar as amizades reais. “Pessoas que dão e sabem doar são mais felizes. Dentro do trabalho voluntário acontece isso. Não há forma de pagamento, só ver o outro feliz”, opina.

O psicólogo Leonardo Morelli concorda. Para ele, amizades verdadeiras ajudam inclusive a evitar ou reverter hábitos prejudiciais como o alcoolismo, o uso excessivo do tabaco e a compulsão alimentar.

Ele explica que os vínculos de amor e amizade fazem disparar no cérebro o hormônio da ocitocina, o que dá uma sensação de prazer a cada vez que estamos perto de quem gostamos.

Portanto, construir e manter uma boa amizade pode equivaler ou até superar um grande amor. “São vínculos fundamentais que desempenham papel em nosso desenvolvimento enquanto seres humanos. Esse laço faz com que a gente aprenda a ser mais compreensivo, solidário e colaborativo”, diz.

“Podemos não querer uma relação amorosa, mas uma relação interpessoal é de suma importância para que sejamos realmente afortunados”, define o especialista.

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