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Famílias apaixonadas por culinária passam suas receitas de pais para filhos e de avós para netos

Prazer de comer e o gosto pela cozinha são transmitidos de geração a geração

Mariana Freire e pães de batata que aprendeu a fazer com a mãe
Mariana Freire e pães de batata que aprendeu a fazer com a mãe - Karime Xavier/Folhapress
Descrição de chapéu Agora
Débora Melo Tatiana Cavalcanti
São Paulo

Personalidade, caráter, gestos e trejeitos, bens materiais. Tudo isso é passado de pais para filhos, mas não só. O prazer de comer e o gosto pela culinária também são transmitidos de geração a geração, perpetuando histórias de famílias que amam se reunir em volta de uma mesa.

A professora de Ciências Camila Costa Castilho, 36, herdou das avós dois livros de receitas que ela considera preciosos. "As duas despertaram em mim o gosto pela cozinha, o gosto de preparar algo para as pessoas", conta.

Antes de chegar até ela, porém, as receitas passaram pelas mãos de seus pais, os aposentados Miriam e José Carlos Castilho, ambos de 63 anos —os três costumam cozinhar juntos. Com a avó materna, Carol, a professora aprendeu a fazer beliscão (doce de goiaba) e pão caseiro; já a avó paterna, Irene, a ensinou a fazer uma "deliciosa" rosquinha de pinga.

Elas não estão mais aqui, mas Camila mantém viva a memória das avós quando está na cozinha. "Elas me fizeram ser uma apaixonada por cozinhar", diz ela, que também já colhe frutos dessa tradição. "Às vezes faço algumas coisas de confeitaria por encomenda."

A estudante de hotelaria Patrícia Valéria da Silva Souza, 36, conta que também herdou de sua avó a paixão por cozinhar. Sua especialidade é o bolo de mandioca, que na Bahia —de onde vem a família— recebe o nome de bolo de puba (massa fresca de mandioca).

"Eu aprendi com minha avó, mas minha mãe fazia também", diz. "Dá saudade da casa da minha avó só de lembrar", diz ela sobre a vó Aurelina, que morreu há quatro anos. "E era tudo feito no fogão à lenha."

Esse tipo de sensação é tão comum que a comida que tem um valor nostálgico, sentimental, ganhou até um nome específico, em inglês: comfort food —comida de conforto. E o bolo que Patrícia prepara faz tanto sucesso que ela até começou a vender. "O povo gosta e acaba encomendando."

A engenheira agrônoma Mariana Freire Lara, 31, também herdou receitas da família. Entre os vários pratos que aprendeu a fazer ainda criança, o que tem mais saída é o pão de batata. A receita foi passada pela bisavó dela, Maria, para a mãe dela, Cidinha, que a ensinou.

"A minha mãe sempre deixou a gente ficar na cozinha, testar receitas. A gente fazia a maior bagunça, sujava tudo e [a comida] ficava horrível, mas ela sempre dizia que estava uma delícia", conta, aos risos. "Com seis anos eu fiz um cursinho de culinária no Sesi", lembra.

Entre as outras receitas que Mariana aprendeu com a mãe estão doce de mamão e de figo, requeijão e esfirra de carne. E ela garante que aprendeu tudo na prática, cozinhando com a mãe. "Eu nunca pedi para minha mãe simplesmente me passar as receitas, sempre foi uma coisa do tipo: 'vamos fazer juntas?' E eu ia anotando. Tem muita dica que, de outro jeito, teria passado batido. Esse laço familiar é muito gostoso."

Confira as receitas:

PÃO DE BATATA
família Freire

Ingredientes
1 kg de batata (cerca de 6 batatas médias)
quase 2 kg de farinha
250 ml de leite morno
250 ml de óleo
1 pacotinho de fermento
1 colher (de sopa, bem cheia) de manteiga
3 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de sal
3 ovos

Modo de fazer
1. Cozinhe as batatas, amasse e reserve
2. Em uma tigela, coloque metade da farinha, o açúcar, o sal, o fermento e misture
3. Adicione os ovos, o óleo, as batatas e o leite morno
4. Amasse bem e vá adicionando o restante da farinha até a massa parar de grudar nas mãos 
5. Faça as bolinhas (ou rolinhos) e coloque em uma forma untada com óleo
6. Preaqueça o forno a 180°C e asse por 40 minutos em 205ºC

Dicas
. Evitar corrente de vento na cozinha
. Sovar bastante
. Após finalizar a massa, faça uma bolinha e coloque-a em um copo com água enquanto os pães descansam; assim que a bolinha subir, a massa estará pronta para ser levada ao forno

ROSQUINHAS DE PINGA
Família Costa Castilho

Ingredientes
1 xícara de cachaça
1 xícara de óleo
1 xícara de açúcar
farinha até dar o ponto (quando estiver soltando da tigela e fácil de modelar as rosquinhas)

Modo de fazer
1. Misturar tudo até dar o ponto
2. Fazer as rosquinhas
3. Assar a 180ºC até ficar sequinha 
4. Enquanto esfria, faça uma mistura com açúcar impalpável e cachaça em banho-maria (em ponto de calda grossa)
5. Banhar a parte de cima das rosquinhas nessa calda

BOLO DE PUBA (bolo de mandioca)
Família Silva Souza

Ingredientes
1,3 kg de mandioca ralada
3 xícaras de açúcar demerara
4 ovos
3 xícaras de leite (também uso o copo de requeijão, dá no mesmo)
50 ml ou 1/2 xícara de óleo de coco (pode ser o óleo de soja, de milho ou girassol, mas de coco fica melhor)
1 colher (sopa) de manteiga
100 g de coco ralado fresco (pode ser de saquinho, mas não dá o mesmo sabor e crocância)
1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de fazer
1. Em uma vasilha grande, coloque metade da mandioca ralada e metade do coco fresco. Misture e armazene
2. Em um liquidificador, coloque os ovos, o óleo, a manteiga e o açúcar. Bata até virar uma massa homogênea 
3. Logo após colocar a mandioca ralada, o coco fresco e o leite, misture usando o pulsar; não bater muito, só misturar
4. Coloque essa mistura junto à mistura da vasilha e mexa bem
5. Finalize acrescentando o fermento
6. Coloque em forma quadrada e leve ao forno a 180°C até ficar dourado, por cerca de uma hora e meia a duas horas (a assadeira vai ficar bem cheia, parece que vai transbordar, mas é assim mesmo)

Agora
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