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Fotógrafo divulga nu de famosos e de anônimos e diz que 'não somos todos iguais, somos todos pele'

Gianecchini e Flávia Alessandra estão entre os clicados para livro

Paloma Bernardi
Paloma Bernardi - Reprodução/Instagram/pele
Fernanda Pereira Neves
São Paulo

​Caetano Veloso já definiu pele como “a parte mais clara da alma”. O sambista Jair Oliveira, como “roupa natural”. Para o fotógrafo Brunno Rangel, é o nome e o personagem de um projeto iniciado há dois anos e que já fotografou 160 pessoas, entre famosos e anônimas, sempre nus. 

“Mostramos pessoas vestidas delas mesmas. Não tem nenhuma maquiagem, produção ou equipe gigante por trás das fotos. Era só eu e o Marcelo [Feitosa] no estúdio, ele fazendo a direção criativa e eu fotografando”, conta o fotógrafo, que lançou no último dia 13 o livro “Pele” (R$ 152, 300 págs.),  consolidando esse trabalho. 

Conhecido entre os famosos, Rangel conta que o projeto, também intitulado Pele, começou com uma proposta diferente de tudo que já havia feito. Eram pessoas comuns clicadas da forma que achassem melhor, sem foco na beleza e na sensualidade ou mesmo pretensões comerciais. 

Não à toa, o fotógrafo elege duas dessas pessoas como inspirações para o projeto: a atendente de telemarketing Amanda Carvalho, 21, que teve mais de 50% do corpo queimado em uma acidente; e uma prima de Bruno, Ana Carolina Matos, que pesava 120 kg na época em que foi fotografada. 

“Essas duas marcaram a gente justamente pela história, pela coragem de se expor e por se aceitarem tanto a ponto de posarem. Muita celebridade perfeita ao olhar da sociedade, impecável esteticamente talvez não seja tão segura quando Amanda, por exemplo, que tem o corpo queimado”, afirma ele. 

A ideia começou com uma página no Instagram, que logo começou a atrair mais e mais seguidores, até que alguns estavam pedindo para serem fotografados. Para a dupla de idealizadores, resultado da energia do próprio projeto, que foi atraindo as pessoas, independente da escolha deles. 

Em um único dia de estúdio, a dupla chegou a fotografar 18 pessoas, sempre com a mesma orientação: “mostre o que você quer mostrar, fique do jeito que você quer ficar”. Assim, foram clicados histórias como a de Nadedja Costa, que estava tratando um câncer de mama, e Felipe Lima, que teve parte das pernas amputada. 

“A ideia sempre foi mostrar que todo mundo é pele, independente de ser gordo, baixo, roxo, lilás, ter a pele queimada ou ser anão”, afirma o fotógrafo, que decidiu incluir celebridades apenas depois de meses de projeto, com nomes como Reynaldo Gianecchini, Flávia Alessandra, Sabrina Sato e Bruno Lopes —sempre sem cachê.

“Onde você se veste de você mesmo com a sua personalidade. Por que por baixo da roupa somos todos pele”, afirmou Gianecchini ao divulgar uma das fotos em suas redes sociais no início do ano. Já a atriz Priscila Fantin, que também faz parte do projeto disse após seu ensaio que “só acredita no que é natural e sem retoques (na vida!!)”. 

O livro começou a ser pensado apenas no início de 2018 e contemplou todas as 160 pessoas clicadas desde o início do projeto, respeitando alguns pedidos pontuais dos “modelos”. Apesar disso, Brunno afirma que não houve censura, o que o deixou o livro “ainda mais rico” do que a página no Instagram. 

A publicação, no entanto, não coloca um ponto final no projeto, que deve continuar a clicar todos os tipos de pessoas. Pedidos não faltam, veem da Bahia, Minas, Pernambuco e até Portugal, sempre via redes sociais. A dupla também pensa em fazer uma exposição. Ainda sem data, eles planejam para 2019. 

"A gente vai continuar como já vinha fazendo. Se estamos indo para Florianópolis, avisamos no Instagram e reunimos os interessados. Nada pago, as pessoas querem posar mesmo. É um projeto autoral, sem lucro nenhum. Um projeto pelo amor que a gente tem à arte e ao ser humano", diz Brunno.

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