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Sikêra Jr. perde anunciantes após xingar LGBTQIA+ de 'raça desgraçada'

Apresentador é reincidente nos ataques à comunidade

Sikêra Júnior - Divulgação
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São Paulo

Ao menos três empresas não irão mais patrocinar o programa Alerta Nacional, produzido pela TV A Crítica e exibido nacionalmente na Rede TV!. As decisões das marcas são reações aos comentários homofóbicos do apresentador Sikêra Jr. que chamou homossexuais de “raça desgraçada”, na última sexta-feira (25).

A MRV Engenharia disse, em nota, que acredita e pratica a diversidade. A companhia falou que não compactua com qualquer forma de preconceito, por isso programas que pregam a intolerância e o preconceito não podem fazer parte dos nossos planos de mídia.

"Ao longo de 41 anos de história, o propósito de construir sonhos que transformam o mundo da MRV foi reinventado e ampliado para ajudar a construir um mundo cada vez mais justo, é uma questão de princípios: o respeito ao próximo está em sintonia com tudo em que acreditamos".

Além do posicionamento, a empresa ainda publicou outra mensagem em comemoração ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, comemorado nesta segunda (28), defendendo que as pessoas são diferentes e devem ser acolhidas. “Falar sobre orgulho é falar sobre transformação e aceitação. É sobre felicidade em ser quem é”.

Outra anunciante do programa, a Hapvida Saúde disse, em nota, que não apoia forma alguma de preconceito e respondeu do ex-deputado federal Jean Willys, que criticou o patrocínio, dizendo que não anuncia mais no programa.

“Não apoiamos forma alguma de preconceito, seja social, de credo, raça, gênero ou orientação sexual. No momento, suspendemos o patrocínio do Alerta Amazonas. Estamos sempre trabalhando por uma sociedade mais saudável”.

A empresa de saúde também publicou nas redes sociais uma mensagem no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. “Esse orgulho reflete no amor, na forma de amar, no respeito e, na verdade, da nossa história e de quem somos. Que possamos construir um mundo melhor para que todos possam aproveitar com o seu orgulho de viver para valer”.

Em nota, a Tim Brasil informou que já realizou a suspensão da propaganda da plataforma de anúncios automáticos. "A companhia reforça que não está ligada a movimentos, nem compactua com disseminação de notícias falsas e discursos de ódio".

O Magazine Luiza, que não anuncia no programa da RedeTV!, informou nas redes sociais que bloqueou no YouTube a veiculação automática de anúncios que a plataforma colocava nos vídeos do programa Alerta Nacional, publicados no canal da TV A Crítica.

“O Magalu é contra qualquer forma de LGBTfobia e nunca admitiremos isso. Não patrocinamos o programa, mas havia anúncios sendo exibidos de forma automática pelo YouTube no canal. Eles já foram bloqueados e não serão mais exibidos".

Nas redes sociais, a cantora Daniela Mercury afirmou que o apresentador tem que perder todos os patrocinadores e publicou um vídeo com outras falas homofóbicas dele. " Nós LGBTs temos muito poder. Use o seu poder. Só compre de empresas que nos respeitam, lutam por nossas causas e incluem e empregam pessoas LGBTQIA + e todas as minorias", escreveu a cantora.

​ENTENDA O CASO

Sikêra Jr. ficou irritado com o comercial que a rede de fast food Burger King criou para o Dia do Orgulho LGBTQIA+, celebrado na segunda (28).Criado pela agência David e veiculado apenas na internet, o filme "Como Explicar" mostra filhos de casais homoafetivos contando como são suas famílias. As respostas são espontâneas.

Ao criticar a propaganda, Sikêra Jr. chamou gays de "raça desgraçada". “A gente está calado, engolindo, engolindo essa raça desgraçada que quer que a gente aceite que a criança... deixe as crianças, rapaz!", afirmou o apresentador.

​Sikêra Jr. é reincidente e já tinha se manifestado de forma homofóbica em outras oportunidades. O MPF assina a ação em conjunto com a associação Nuances – Grupo Pela Livre Expressão Sexual, que atua na defesa dos direitos humanos da população LGBTQIA+.

Na ação, é pedido também que Rede TV! e Sikêra Jr. sejam condenados a pagar R$ 10 milhões por danos morais coletivos —valor a ser destinado à estruturação de centros de cidadania LGBTQIA+.

Além disso, a ação civil pública solicita a exclusão da íntegra do programa Alerta Nacional de sexta (25) dos sites e redes sociais, e que tanto a emissora como seu apresentador sejam obrigados a publicar retratação pelos mesmos meios e mesmo tempo e em idêntico horário, especificando tratar-se de condenação judicial imposta nos autos da ação, devendo a referida postagem permanecer nos sites da empresa ré pelo prazo mínimo de um ano.

Procurada, a Rede TV! informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não tem ciência da ação e que não comenta processos judiciais em andamento.

Na segunda (28), o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) protocolou uma representação contra o apresentador Sikêra Jr., acusando-o de homofobia e transfobia pelas falas ditas por ele no programa Alerta Nacional.

"Em um verdadeiro discurso de ódio e discriminatório contra a comunidade LGBTQIA+, o apresentador diz que: as pessoas da agência vão pagar caro pela justiça divina, que é uma tara, que as pessoas fazem isso porque não têm filhos, não procriam, não reproduzem, que precisam de tratamento, que querem acabar com a família, que as redações estão cheias desse tipo de gente, que são uma raça desgraçada, que o comercial é podre e nojento, chama o criador do comercial de vagabundo, repete que as pessoas LGBTQIA+ não reproduzem, não procriam e que querem acabar com a família, associa a homossexualidade à pedofilia e ao abuso infantil, insinua que família homoafetiva é zona, que criança paga o pato, fala pejorativamente que as pessoas LGBTQIA+ querem dar o rabo, que são raça do cão, tudo maconheiro e que o Senhor Jesus para castigar essas pessoas."

O deputado disse que "falas homofóbicas e transfóbicas como a do apresentador Sikêra Jr. colocam em risco a vida da população LGBTQIA+".

"Principalmente quando o mesmo diz que 'uma hora esse povo brasileiro vai ter que fazer uma coisa maior, um barulho maior."

Miranda destacou outra fala do apresentador. "Ou ainda na fala: 'Você pode se sentir uma mulher, eu entendo, respeito. Só que na hora do exame de próstata, meu filho, você vai ter que ir. Não tem como mudar. Você vai ter que ir...vai pra dedada no novembro azul. Mas você vai porque já está acostumado mesmo, é o ano todo'. Uma verdadeira incitação ao ódio".

O psolista defendeu que o comentário de Sikêra "não é liberdade de expressão", e sim "um verdadeiro discurso de ódio".

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