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Cirurgião do programa Botched diz que pode 'fazer coisas que nenhum outro no mundo pode'

Quinta temporada do reality estreia nesta quinta-feira no canal E!

Cirurgiões Terry Dubrow e Paul Nassif, que apresentam o programa Botched, do canal E!

Cirurgiões Terry Dubrow e Paul Nassif, que apresentam o programa Botched, do canal E! Divulgação/E! Entertainmen

Fernanda Pereira Neves
Los Angeles

Próteses rompidas, narizes tortos e bochechas de cimento. A coleção de cirurgias plásticas com resultados inusitados não tem fim na lista dos médicos americanos Terry Dubrow, 60, e Paul Nassif, 58. A culpa, no entanto, não é deles, o objetivo dos dois amigos é na verdade corrigir esses erros. 

Os desafios começaram lá em 2014, quando os dois médicos, amigos há 19 anos, estrearam o programa Botched, no canal E!. E o formato, diferente de tantos outros realities de cirurgias plásticas, parece ter dado certo, já que a quinta temporada chega ao Brasil nesta quinta-feira (7), às 22h. 

Dubrow diz que não esperava esse sucesso quando foi convidado para dividir a apresentação com o amigo. Hoje, no entanto, o reality recebe a cada temporada “dezenas de milhares” de inscrições, de todo o mundo, com pedidos para reparos em suas cirurgias plásticas –no primeiro ano, esse número era em torno de 500.

Com essa variedade de casos complexos, a dupla diz ter entrado num patamar de excelência na cirurgia plástica. “Eu posso fazer coisas que nenhum outro cirurgião no mundo pode. Não porque sejam menos talentosos, mas porque ninguém na história da cirurgia plástica tem essa experiência, com pessoas vindo de vários países com problemas impossíveis, e nós consertamos dia após dia”, diz Dubrow. 

O médico chega a comparar as operações estéticas a prática de esportes. “Se você quer ser um fantástico jogador de tênis, você tem que jogar, jogar muito. Arrume o melhor técnico, encontre o melhor parceiro de treino e você vai melhorar cada vez mais. Nós ganhamos esse presente de fazer casos que nenhum médico no mundo faz. Tem procedimento que os médicos costumam fazer um por ano, e eu faço três na semana”, completa. 

SE DER PRA EVITAR, EVITE

Mas não é apenas isso que os dois médicos destacam como aprendizado do programa. Após quatro anos no ar, eles dizem que o atendimento em seus consultórios mudou e, hoje, também concentra casos de reparação. Além disso, eles avaliam de forma diferente as plásticas e os cirurgiões que fazem esse tipo de procedimento. 

“Soa estranho falar isso, mas cirurgiões plásticos nem sempre colocam o paciente em primeiro lugar. A maioria não aconselha apropriadamente, e eu posso me incluir nesse grupo, acho que todos nós fazemos isso. O paciente chega querendo uma cirurgia e você faz porque precisa alimentar sua família. É uma situação complicada”, afirma Dubrow. 

O cirurgião afirma que os riscos começam já na anestesia e persistem até depois da alta, quando ainda pode ocorrer necrose ou rejeição a alguma prótese, por exemplo. “Estar em Botched me mostrou como a plástica é potencialmente perigosa e me tornou um médico melhor. Se você puder evitar a cirurgia plástica, evite”, alerta ele. 

Não à toa, a dupla também mostra casos considerados irreparáveis e chega a recusar alguns procedimentos no programa. Isso por julgarem invasivo demais ou por não terem certeza de que alcançarão um resultado melhor. 

Um dos casos emblemáticos é o da atriz transexual Rajee Narinesingh, 51, que apareceu várias vezes no programa em busca de ajuda para remover o preenchimento de cimento que colocou há décadas no rosto. Ela chegou a ser recusada pelos médicos, mas chamada de volta quando Dubrow achou uma forma de amenizar o problema. 

“Quando você fala em trans em cirurgia plástica, geralmente está falando de algo novo. É comum surgir um procedimento que todos aderem e só depois descobrimos que é perigoso, como o uso de gordura para aumentar os glúteos, a ‘brazilian butt lift’’, que se popularizou e hoje sabemos que é realmente perigoso”, afirma Nassif. 

PROCEDIMENTOS MAIS POPULARES

As campeãs em resultados ruins, no entanto, são as cirurgias mais comuns. Nassif, que se especializou em operações na face, aponta a rinoplastia, ou plástica no nariz, inclusive por ser um dos procedimentos mais complexos. Já Dubrow elege na sua área o aumento dos seios, que, apesar de ser um procedimento simples, tem grandes chances de complicações, por rejeição da prótese. 

Nesta quinta temporada, eles afirmam que esses casos podem voltar a aparecer, mas também haverá novidades, como problemas provocados pelo próprio paciente, como uma mulher que apunhalou os seios 20 vezes com uma agulha para estourar a prótese de silicone e tentar fazer o fabricante cobrir uma nova cirurgia para mudança do tamanho. 

“O corpo não gostou nada disso [do procedimento] e apertou, deformou o seio. Eu olhei pra ela e pensei ‘talvez esse fosse um caso que eu deveria passar’. Mas ela estava tão deformada... Uma bela mulher, de 24 anos. Então você tem que aceitar o caso, tem que fazer”, afirma Dubrow. 

Também estarão entre os casos dessa temporada o de um paciente que teve parte do nariz arrancada por um cachorro e outro que perdeu parte da pele do rosto devido a um procedimento alternativo contra um câncer de pele. Os dois casos passaram por cirurgias anteriores, que acabaram malsucedidas. 

“Nós vemos pessoas que chegaram à cirurgia plástica por problemas significativos, mas a cirurgia acabou muito mal. Isso deixa as coisas ainda mais difíceis, aumenta o risco de problema de suprimento de sangue, de cicatrização. São situações únicas, mas muito legais, positivas”, afirma Dubrow.

*A repórter viajou a convite do canal E! 

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