Televisão

Ratinho faz 20 anos de SBT e fala da evolução do programa: 'Me dou melhor brincando'

Aos 62, apresentador diz sonhar com um novo contrato de 20 anos

O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, do SBT, com alguns de seus bonecos
O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, do SBT, com alguns de seus bonecos - Rubens Cavallari/Folhapress

Leonardo Volpato
São Paulo

​Consolidado no ar com o seu programa, que geralmente fica em segundo lugar no ibope com índices entre 8 e 12 pontos, Carlos Roberto Massa, o Ratinho, 62, acaba de completar 20 anos de SBT. 

Foi no dia 8 de setembro de 1998 que começava sua jornada na emissora com o Programa do Ratinho. De lá para cá, a atração sofreu muitas mudanças. O que não muda é o carisma do apresentador, que conta detalhes e rememora passagens dessas duas décadas de história.

“Acho que o mais marcante de todo esse tempo foi a minha mudança de um programa de sensacionalismo para um de entretenimento. Apesar disso, não perdi o público. Nesses 20 anos, observei que, em programa policial, de muita tragédia, se vende muito pouco. Ninguém quer atrelar seu produto a ele. Vi que tinha que mudar”, conta.

Apesar da boa audiência, quando Ratinho quebrava fax, brigava com os câmeras e fazia algumas confusões no palco, o programa não se sustentava sem anunciantes. Foi então que em 2006 ele deu uma pausa e retornou em 2009, já bem diferente.

“Observei que o SBT partiu para um lado familiar. Então a mudança para o entretenimento se juntou com o DNA da emissora”, lembra. “O grande sucesso do Ratinho era sair da casinha. Depois fiquei mais tranquilo”, diz.

Olhando hoje, Ratinho conta que essa virada foi fundamental para que ele colhesse os frutos que tem hoje. As “loucuras” que fazia no palco tiveram muita importância para revelar ao Brasil quem ele era.

“Se eu me apresentasse de terninho e gravata na TV, com o nome Carlos Massa e lesse umas notícias eu não sairia de um ponto no ibope. Mas como comecei a passar dos limites, quebrar tudo, derrubar cenário, era tudo para chamar a atenção para o programa. Mas era espontâneo. Se você sair comigo na rua você vai ver que eu faço cada coisa que você nem imagina”, relata ele, que diz não se ligar em ibope hoje em dia. “Não conseguiremos ganhar da Globo nunca, então, mantendo o segundo lugar, já está bom.”

Anos e anos de casa trouxeram mais amadurecimento ao apresentador, que foi percebendo e moldando sua atração. “Com o tempo fui entendendo que eu me dou melhor brincando do que falando sério. Se eu fizesse o Jornal Nacional ficaria uma merda. Fui ficando mais politizado, comecei a entender que quando a imprensa descia o cacete em mim ela, em partes, estava certa”, revela.

Agora, duas décadas depois, Ratinho conta que tem conquistado um novo público. “O de adolescentes e de crianças. Todo o mundo, hoje, pode sentar na sala e ver meu programa sem constrangimento”, completa.

CONTRATO DE 20 ANOS

Carlos Massa, o Ratinho, não quer nunca mais sair do SBT. O apresentador, 62 anos, que já passou pela extinta CNT e pela Record entre 1997 e 1998, conta que se sente totalmente em casa.

“Um sonho que eu tenho é o Silvio Santos me oferecer um novo contrato de mais 20 anos. Mas sei que isso não vai acontecer, então um outro sonho que tenho é fazer o meu programa até quando me quiserem”, afirma.

Ratinho conta também que tem pensado em virar produtor de TV. Ele deseja, um dia, começar a produzir atrações para vender, tratar de negócios da televisão. Ele já é dono da Rede Massa, uma rede de comunicação de afiliadas do SBT no Paraná.

Mas enquanto não chega o dia de dar esse salto, o apresentador segue adorando o que faz e revela mais sobre a sua relação com Silvio Santos. “É meio piegas o que vou falar, mas meu ídolo sempre foi o Silvio. Aliás, o Silvio já me falou que existe uma coisa chamada carisma que poucos têm. Ele tem, você o assiste falando na TV e não consegue mudar”, opina.

Além do Dono do Baú, Ratinho pega referências com outros apresentadores famosos. “Tenho a inspiração de cinco caras para criar o personagem Ratinho: Flávio Cavalcanti [1923-1986] para as broncas que eu dava, Bolinha [1936-1998] na hora das brincadeiras, Silvio no momento de mexer com o auditório, o Chacrinha [1917-1988] quando passava do limite e, quando a bronca era mais pesada, a indignação do jornalista Alborghetti [1945-2009].” ​

ESPECIALISTAS EM TV ANALISAM

Para especialistas em TV, Ratinho tem a cara do povo. “Essa trajetória dele cresceu e acendeu no ponto em que ele começou a falar a linguagem do povo. É um cara que surgiu de baixo e está muito próximo do que pensa o povo. Consegue, com isso, atingir a uma parcela grande da população”, opina o especialista Dirceu Lemos.

Para ele, a mudança na imagem foi inteligente. “Quando ele volta no meio dos anos 2000 ele chega mais popular e menos popularesco, mais light. Esse viés mais popular se assemelha ao do Silvio Santos”, conta.

Para o especialista Claudino Mayer, Ratinho soube atingir o tom correto para colher os frutos da consolidação. “Em todas as suas etapas, seja quebrando fax, com o teste de DNA ou com os fatos policialescos, ele construiu tudo na base da verdade. Cada fase foi importante, um apresentador construído pelo povo.”

Apesar de Ratinho não querer sair do SBT, o especialista finaliza dizendo que ele teria espaço em qualquer outra emissora. “O estilo dele e do seu programa atende uma demanda de mercado. Em qualquer emissora, sempre vai ter um tipo de público semelhante ao público do SBT. Ratinho tem a função de ser um representante das classes inferiores, ele chegou lá e tem voz ativa.” 
 

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