Saiu no NP

Comerciante ressuscita e 'mata' mulher de susto

"Mãe, acredita, o pai tá se bolindo lá dentro do caixão", disse assustada Cordiunila Antônio da Silva, no velório do pai, o comerciante José Antônio da Silva, que, em 20 de janeiro de 1972, entrara em óbito, de acordo com os médicos que o atenderam em um hospital de Garanhuns (PE), município onde vivia com a família.

"Que nada minha filha, você está perturbada! Ele morreu mesmo, já está com Deus, e tudo isso é impressão sua!", reagiu em prantos Alice Ferreira da Silva, a viúva, numa tentativa de confortar a filha em um dos momentos mais difíceis de suas vidas. A causa da morte era desconhecida pelos médicos.

Cordiunila, no entanto, conforme os relatos da edição do "Notícias Populares" de 21 de janeiro daquele ano _ que cobriu o caso _, continuava cutucando a mãe, tentando convencê-la de que havia notado sinais claros de vida no corpo do pai: "Mãe, agora o pai mexeu com a sobrancelha, presta atenção!", insistiu a jovem. Mas fora mais uma vez repreendida pela mãe.

José Antônio da Silva, que era tido como um dos mais conceituados comerciantes de Garanhuns, teve um velório à altura de seu prestígio. "Velas acesas, ladainhas entoadas à moda da terra e o corpo repousando tranquilamente entre bem cuidadas flores", contava o "NP".

Dezenas de pessoas compareceram à cerimônia, inclusive um representante da Câmara dos vereadores da cidade, tamanha a influência do "morto" na região. O salão onde seu corpo era velado estava lotado, num misto de choros e orações, como é de se esperar em situações do tipo.

Tudo parecia correr bem para a realização do sepultamento, no entanto, numa ação repentina e inusitada, João abriu os olhos, levantou-se e, sentado no caixão, perguntou: "Onde, diabos, me encontro?". E continuou: "O que que é isso?", "Que zoeira é essa?". A resposta foi imediata: um tremendo corre-corre tomou conta do local, com gente saindo até pela janela do salão fúnebre.

Mostrando-se surpreso e um tanto indignado com a insólita cena que acabara de vivenciar, o "morto vivo" só se deu conta de que era o "bolo da festa" depois de ver no chão o resultado de sua "ressurreição": alguns pares de sapatos, véus, livros religiosos, terços e a esposa, que havia desmaiado antes mesmo das indagações do marido.

O episódio trouxe fama para José Antônio, que, em muito boa forma para um morto, ganhou algumas manchetes nos jornais de Recife. Recebeu ainda congratulações de familiares e amigos menos assustados, e até do vigário da paróquia local, que na ocasião chegou a cogitar a hipótese da intervenção de Chico Xavier no caso.

Se José Antônio ainda é vivo, não se sabe. Já o tal "mal desconhecido" que o vitimara e por pouco não o sepultara, talvez tenha se tornado o maior enigma de sua vida.

Crédito: Folhapress Reportagem do "Notícias Populares" conta a história da ressurreição de José Antônio
Reportagem do "Notícias Populares" conta a história da ressurreição de José Antônio

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