Saiu no NP

'NP' previu morte de Kennedy

Há 50 anos, o presidente dos EUA, John Kennedy, foi assassinado com um tiro na cabeça em Dallas, no Texas.

O jornal "Notícias Populares" relatou a tragédia em suas páginas desde o dia da morte, que ocupou toda a primeira página do dia 23 de novembro de 1963, até chegar ao ponto de criar sua própria reconstituição do crime, além de tentar reunir todas as teorias da conspiração sobre o caso.

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No dia 23 de novembro de 1963, 'NP' publicou reportagem em que 'previra' a morte do presidente John Kennedy

A manchete "Tiro na cabeça matou JK" foi uma das mais marcantes das várias reportagens publicadas no dia do assassinato. A cobertura informava também a prisão de Lee Harvey Oswald, o então suspeito comunista acusado de ter praticado o crime.

O jornal ainda trazia a consternação nos sindicatos brasileiros por causa da morte do presidente norte-americano, o que incluiu uma nota oficial do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana lamentando o destino do estadista, e as repercussões do atentado sobre a economia brasileira.

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Infográfico aponta locais ligados à morte de Kennedy em 1963

O que mais chamou a atenção, porém, foi a matéria "Reportagem de NP previu a morte de John Kennedy!", publicada também no dia 23, em que jornal destacou texto que fora publicado dias antes, em 12 de novembro, no qual apresentou previsões para o ano de 1964 feitas pelos mais "célebres adivinhos do mundo", tendo à frente Nostradamus, considerado o maior profeta de todos os tempos.

A matéria, que fora produzida pela sucursal do "NP" em Paris, dizia que a adivinha francesa Jeanne Leplace previu que o presidente John Kennedy teria de lutar contra poderosas forças políticas e que a sua saúde exigiria a sua retirada da vida pública.

Na edição seguinte ao fato trágico, o "NP" estampou na capa "Mataram o assassino", com a notícia de que Jack "Ruby" havia assassinado Oswald.

O funeral do presidente dos EUA teve no "Notícias Populares" o título "Tambores rufaram no enterro de Kennedy!", em edição que relatava mais informações a respeito da morte de Lee Harvey Oswald e detalhes sobre seu algoz Jack "Ruby".


Com fotos do casal Jacqueline e John e dos filhos, a edição do "NP" de 27 de novembro dedicou uma página à família exemplar, ao casamento perfeito, falou dos planos para o futuro dos Kennedy, que eram conhecidos de todos: servir o país até quando fosse necessário e construir uma família grande e unida. Sonhos interrompidos pela morte abrupta.

Depois do assassinato do presidente, começaram a surgir muitos boatos como os de que Lee Oswald e Jack "Ruby" poderiam ser integrantes de um grupo cujo objetivo era matar Kennedy. Outra teoria era a de que seria impossível Lee realizar três disparos em apenas cinco segundos. Havia ainda a hipótese de que "Ruby" fora pago pelos comunistas para assassinar Oswald.

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Reconstituição feita pelo "NP" mostrou como Lee Oswald atirou

Para tirar a prova e mostrar que um homem poderia disparar três vezes em apenas cinco segundos, o "NP" reconstituiu em São Paulo o atentado que tirou a vida de Kennedy.

Como a arma idêntica à que foi utilizada no crime era raríssima, o jornal resolveu lançar mão de uma com características "muito semelhantes". Isso tudo, como dizia a publicação de 28 de novembro, era "celeuma de segundo grau, mesmo para a elucidação do crime". "O que importa é que muitas circunstâncias indicam a existência de um complô, cujo fundo terrível ainda se encontra em denso mistério. A chave de tudo isso desceu com Oswald à sepultura. Talvez."

PESQUISA DO NP
A fim de saber a opinião da população, o "Notícias Populares" percorreu em dois dias os quatro cantos de São Paulo ouvindo gente de todas as camadas sociais, sem distinção de credo, raça ou cor. Foram entrevistadas cerca de 200 pessoas, das quais a grande maioria (85%) opinou sobre o assunto. A partir dessa consulta popular, o "NP" deu sua versão para o caso. "Lee Oswald não pode ser culpado individualmente por ninguém, muito menos pelo povo americano, pois o assassino do presidente Kennedy trabalhou em ação conjunta com agitadores".

A cobertura da morte do presidente John Kennedy ainda preencheria outras edições do "NP", empenhado que estava em relatar todas as teorias da conspiração. A verdade é que esse foi um dos fatos históricos mais marcantes do século 20 e, até hoje, mexe com o imaginário popular.

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