Música

Edi Rock, dos Racionais, prepara disco solo com nova geração e grava com MC Pedrinho

Primeira música é 'Sonhos em Construção', com Simone Brown

 imagem do videoclipe "Sonhos em Construção"
Edi Rock prepara disco solo; imagem do videoclipe "Sonhos em Construção" - Leonardo Muniz/Divulgação

Fabiana Schiavon
São Paulo

Depois de "Contra Nós Ninguém Será", lançado em 2013, o rapper e compositor dos Racionais MC’s, Edi Rock, 50, se prepara para mais um disco solo, ainda sem nome, para o ano que vem. Durante o hiato de cinco anos, o artista nunca parou de criar, além de cumprir a agenda de compromissos dos Racionais.

Acostumado a discos repletos de parceiros e amigos, Edi Rock quer renovar e busca parcerias com músicos da nova geração, como a cantora Simone Brown, com quem gravou "Sonhos em Construção", primeira do novo álbum, e MC Pedrinho. 

"Simone já trabalhava comigo. Já tinha a ideia de fazer uma parceria com ela, pela representatividade de ela ser negra, bonita e com muito talento, e porque ela canta muito bem. Tudo isso precisa ser mostrado", disse o rapper.

Estrela polêmica do funk paulistano,  MC Pedrinho, 17, também foi convidado para uma colaboração no novo álbum –a música é um rap produzido pelo DJ Kalfani, filho do KL Jay. "Gostei muito da batida que o Kalfani me mostrou e quando entrou o refrão do MC Pedrinho, gostei ainda mais. A soma do funk com o rap deu certo. Na letra, eu falo de onde eu venho, mas não lá da periferia, porque vim de outro continente. Por isso, vou gravar videoclipe em Salvador, matriz da cultura africana", adianta o rapper. 

Edi Rock ​afirma que o rap está muito bem representado e que tem muita gente boa que ainda precisa ser conhecida. "Tem Cynthia Luz, Hungria, Karol Conka, Flora Matos, Emicida, Projota, e uma molecada da internet que ainda não chegou ao 'mainstream' [grande público] e precisa ser reconhecida. É com eles que eu quero gravar." 

O novo projeto, segundo Rock, é desenvolvido há cerca de três anos e a demora se deve a busca por mais qualidade. "Tenho um ritmo meio baiano. Acho que a gente preza pela qualidade, por isso eu demoro um pouco para lançar. Não faço um monte de filho, faço com amor. Por isso, eu tenho poucos", brinca o rapper. 

Enquanto não resolvia suas questões burocráticas, Edi Rock lançou algumas músicas no meio do caminho, como "Special", em parceria com Alexandre Carlo, do Natiruts, e "Cortina de Ferro". "Tive um longo processo de transição entre rescindir um contrato e assinar outro com a [gravadora] Som Livre. Não sabia qual rumo a minha vida iria tomar, mas eu já vinha fazendo músicas. Estava tudo na manga."

​​Edi Rock diz que nunca falou tanto sobre sua vida e suas origens, mas o disco não deve ser pautado em um tema só. "A vida é um 'looping'. Tudo volta a acontecer. Sempre terá racismo, morte, polícia e tráfico. Os assuntos são os mesmos. Corte de cabelo e roupa que eram estilo nos anos 1960 e 1970 voltam para a moda. Até candidato à Presidência remete ao passado. O ser humano evolui, mas a gente vai estar sempre lutando contra o mal."

O rapper afirma que solta todos os seus demônios quando está compondo, como se estivesse em uma consulta com um psiquiatra. "Rap é reflexão e sinto que estou fazendo uma análise. É como se eu fosse ao psiquiatra. Fico me perguntando qual é a versão desses assuntos tomos no século 21. Como os negros estão vivendo nesse século."

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