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Tony Goes
Descrição de chapéu Emmy

Melhores do Ano é legal, mas um Emmy brasileiro seria ainda melhor

Premiação interna da Globo não contempla a diversidade da TV brasileira

Luciano Huck apresenta o Melhores do Ano 2022 - João Miguel Júnior/Divulgação
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No domingo (25), aconteceu a 26ª edição do Melhores do Ano. O prêmio surgiu na época em que o Domingão ainda era comandado por Fausto Silva e, assim como todo o resto do programa, foi herdado por Luciano Huck. É o mais próximo que a televisão brasileira tem do Emmy, a mais importante premiação da TV americana. Quase todos os indicados comparecem à cerimônia, e os emocionados discursos de agradecimento repercutem nas redes sociais.

Só que o Melhores do Ano não é o Emmy. É uma premiação interna da Globo. Com exceção do troféu para a música do ano, todas as demais categorias consideram apenas produções exibidas pela própria emissora e, de uns tempos para cá, pelo Globoplay. SBT, Record, Band, Cultura, Netflix, Amazon Prime Video, YouTube... nada disso existe para o prêmio.

Essa não é uma crítica à Globo. A emissora tem, é claro, o direito de promover a premiação que bem entender. É uma crítica ao showbiz brasileiro, e também à imprensa que cobre esse showbiz. Nossa televisão tem mais de 70 anos, nossos programas são assistidos e aplaudidos no mundo inteiro, e não fomos capazes de criar um prêmio de impacto que contemple todo esse enorme conteúdo.

Ok, existe o Troféu Imprensa, uma tradição de décadas do Programa Silvio Santos, que teoricamente abrange toda a TV brasileira –mas, na prática, só os canais abertos costumam ser considerados.

Eu fui um dos jurados da edição deste ano, e foi uma experiência divertidíssima. Mas a cerimônia em si é algo fria: Silvio Santos anuncia os candidatos em diversas categorias, os jurados escolhem na hora quem ganhou e o nome do felizardo é anunciado. Só que nenhum deles está presente. Alguns vencedores de edições anteriores aparecem no final para buscar suas estatuetas, às vezes com muitos anos de atraso.

Além disso, o Troféu Imprensa precisa dar uma renovada em suas categorias. Há uma ênfase excessiva nos programas de auditório e absolutamente nada para as séries. Como muita coisa no SBT, o prêmio parece estar ligado a um passado que não existe mais.

Eu também faço parte da APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Arte, e participo do júri que elege os melhores da TV a cada ano. Canais abertos, canais fechados, streaming, tudo isso é levado em consideração.

No entanto, por diversas razões, só podemos escolher os destaques em umas poucas categorias. Os vencedores são anunciados em janeiro. Isso tira o suspense da cerimônia de premiação, que acontece em fevereiro e não se restringe à televisão: abarca também teatro, dança, artes plásticas, rádio, música e por aí vai.

Ou seja: não temos um equivalente ao Emmy no Brasil. Um prêmio com inúmeras categorias, inclusive técnicas, que reconheça a imensa diversidade da nossa TV. Escolhido por profissionais do ramo, como nos Estados Unidos, ou por jornalistas especializados, como em diversos outros países.

Seria ótimo se uma premiação nesses moldes existisse no país. Ela daria um selo de qualidade aos agraciados e serviria para fortalecer a indústria da TV como um todo. Sim, é mais do que provável que as produções da Globo dominariam esse prêmio hipotético, mas todos os canais e plataformas de streaming poderiam competir.

Algumas das coisas mais interessantes e inovadoras da nossa televisão estão acontecendo fora da Globo. Será que o canal Cazé TV no YouTube, centrado no influenciador Casimiro, conseguirá reter parte da enorme audiência que conquistou durante a Copa do Mundo? E os programas realizados fora do eixo Rio-São Paulo, que começam a ter impacto fora de suas regiões? Só mesmo um Emmy brasileiro, com credibilidade e abrangência, para dar conta de tudo isso.

Tony Goes

Tony Goes (1960-2024) nasceu no Rio de Janeiro, mas viveu em São Paulo desde pequeno. Escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. Ele também atualizava diariamente o blog que levava seu nome: tonygoes.com.br.

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