Bate-Papo na Web

'Agir Salva Vidas' é o tema da campanha Setembro Amarelo neste ano

Movimento divulga informações que podem ajudar a evitar suicídios

Adesivos da campanha Jornada do Acolhimento na estação Paulista, na linha 4-amarela
Adesivos da campanha Jornada do Acolhimento, na estação Paulista, na linha 4-amarela do metrô de São Paulo - Divulgação
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Pandemia, desemprego recorde, inflação em alta, crise política, ameaças à democracia. Não está fácil ser brasileiro. Não está fácil manter o bem-estar quando os responsáveis por promover a paz, o equilíbrio e o desenvolvimento do país são justamente os que semeiam o caos, a instabilidade e o ódio.

Mas a tristeza que sentimos por dificuldades da vida —quando ela não afeta a nossa rotina, quando não nos impede de levantar e seguir em frente, apesar de tudo e de todos— é diferente da depressão, que é uma doença séria. Séria, sim, mas que tem tratamento.

Desde 2014, neste mês realiza-se a campanha Setembro Amarelo, que busca jogar luz sobre o tema da saúde mental, eliminar preconceitos e diminuir os índices de suicídio. No Brasil, são mais de 13 mil casos por ano, o equivalente a 35 por dia ou mais de um por hora— e o número pode ser maior ainda por causa da subnotificação.

Estudos apontam que, em mais de 98% dos casos, o suicídio foi causado por transtornos mentais não tratados ou não identificados, sendo que 96,8% estão relacionados à depressão e ao transtorno bipolar.

Isso não significa que todo mundo que têm depressão ou outro transtorno mental têm tendência ao suicídio, mas sim que esse é um fator de risco e vale a pena prestar atenção.

O tema da campanha deste ano é “Agir Salva Vidas”, porque é possível evitar que pensamentos suicidas se transformem em realidade. O primeiro passo é combater estigmas.

Quem está com dor de dente não vai ao dentista? Quem está com dor nas costas não procura um ortopedista? Então, quem está com algum problema de saúde mental precisa buscar ajuda profissional, com psicólogos e psiquiatras. E isso é normal.

Para isso, é muito importante o apoio de quem está por perto, pois muitas vezes a pessoa não consegue ir atrás, agendar consultas. Ou até marca, mas não vai. É essencial também saber ouvir, sem julgamentos, sem diminuir o sofrimento do outro (nada de “tem gente em situação muito pior”, “isso é bobagem” etc.). O principal é a acolhida, o espaço de confiança que precisa ser aberto.

Alguns sinais são especialmente preocupantes: piora no desempenho escolar ou profissional, alterações de sono e apetite, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com a aparência, falta de amigos, mudanças de hábitos, falas como “queria morrer”.

Nos sites setembroamarelo.com e setembroamarelo.org.br tem muita informação de qualidade sobre o assunto. Ajude a espalhar os materiais, a combater preconceitos, a salvar vidas. Bora agir!

Para quem precisa de ajuda, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende 24 horas, gratuitamente, pelo telefone 188 ou por chat e email em cvv.org.br.

Bate-Papo na Web

Alessandra Kormann é jornalista, tradutora e roteirista. Trabalhou sete anos na Folha.
Desde 2005, é colunista do Show!, do jornal Agora.

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