Monica Lewinsky sorridente apoiada em uma sacada

Monica Lewinsky Ryan Pfluger/The New York Times

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Jessica Bennett
The New York Times

"Isso é surreal”, repetiu Monica Lewinsky, 48, diversas vezes. Ela estava tentando chegar à sua mesa, em uma sala lotada onde todos queriam sua atenção.

Era uma noite quente de verão em Nova York, em um momento de recuo da pandemia antes que a variante delta explodisse, e a energia da elite vacinada da cidade parecia pulsar. Ninguém havia comparecido a uma festa como aquela, em muito tempo.

A ocasião envolvia uma exibição e um evento de promoção de “Impeachment”, o título da história na mais recente temporada da série “American Crime Story”, de Ryan Murphy. A trama revisita os acontecimentos que conduziram ao julgamento de impeachment do presidente Bill Clinton, e é narrada da perspectiva das mulheres envolvidas.

Lewinsky tem uma parte importante na história, é claro. Mas a série também gira em torno de Linda Tripp, a amiga que expôs o caso entre Lewinsky e o presidente; Paula Jones, que acusou Clinton de assédio sexual; e, em menor grau, de Hillary Clinton. Lewinsky, porém, é a única das mulheres retratadas a participar da série como produtora.

Lewinsky preferiu não assistir à exibição da série —como ela disse, em tom brincalhão, quem ia querer assistir aos momentos mais humilhantes de sua vida em companhia de um grupo de completos desconhecidos?—, e aproveitou o horário vago em sua agenda para uma sessão via vídeo com seu terapeuta.

Mas concordou em participar da recepção, mais tarde. A noitada aconteceu no restaurante Four Seasons, em Manhattan —no passado, um ponto de encontro entre os ricos e poderosos de Nova York, alguns dos quais estavam de volta ao local para o evento.

Lá estava Tina Brown, a célebre editora que em 1999 publicou a primeira entrevista sobre o caso com Hillary Clinton, na revista Talk, e mais tarde comentaria sobre o comportamento gracioso de Lewinsky quando as duas conversaram durante a recepção.

O escritor Gay Talese, saboreando um filé mignon, comentou com seus colegas de mesa o quanto ela parecia mais magra. Calvin Trillin, outro figurão da mídia nova-iorquina, se levantou para aplaudir quando a sala ovacionou Lewinsky.

Entre as figuras mais jovens estava Beanie Feldstein, sentada ao lado de Lewinsky e sua intérprete nos dez episódios da série. Por meses, a atriz carregou com ela para toda parte sua cópia da biografia autorizada de Lewinsky.

Por perto estava Sarah Paulson, que personifica Tripp —sua postura abrutalhada, a cadência de sua voz— de modo tão convincente na série que algumas cenas causaram flashbacks em Lewinsky.

Lewinsky tinha 22 anos quando seu relacionamento com o presidente começou —um caso que durou 18 meses e transcorreu em geral dentro do Gabinete Oval, mesmo depois de ela se transferir para um emprego em tempo integral no Departamento de Defesa.

“Impeachment” começa no dia em que tudo desabou, 16 de janeiro de 1998, quando ela foi emboscada pelo FBI (serviço federal de investigações) em um shopping center. “Foi o dia mais aterrorizante da minha vida, e concorre ao posto de pior dia com o do lançamento do Relatório Starr”, disse Lewinsky.

Na cena de abertura da série, vemos a jovem Monica em roupa de ginástica e meias soquete, ingenuamente esperando por Tripp, que àquela altura havia entregado às autoridades mais de 20 horas de conversas telefônicas com a amiga, que havia gravado sem que esta soubesse.

As 11 horas seguintes, que Lewinsky passou sendo interrogada em um quarto de hotel, onde foi ameaçada de uma sentença de prisão de 27 anos, mudariam o rumo de sua vida —e, claro, resultariam em um dos maiores escândalos políticos de nossa era.

Todos sabemos o que veio a seguir. Um relatório suculento ao Congresso, com 160 páginas. Piadas sobre sexo oral nos talk shows noturnos de TV, e uma disparada na venda de charutos. As audiências de impeachment. Um legado político maculado. E uma jovem estagiária que um dia havia sonhado se tornar psicóloga forense e que passou a ter uma identidade talhada em pedra: “Aquela mulher”.

De lá para cá, Lewinsky se reinventou diversas vezes, e por muito tempo sem grande sucesso. Ela tentou lançar uma linha de bolsas, que fracassou. Passou por um reality show, por um breve período. Morou no exterior. Em seguida, viveu quase uma década em rigoroso silêncio de mídia.

Mas as coisas começaram a mudar em 2014, com um artigo para a revista Vanity Fair no qual ela declarava que era hora de “deixar para trás a boina e queimar o vestido azul”, e de “trazer propósito ao meu passado”.

No ano seguinte, ela fez uma palestra na TED, falando sobre a humilhação pública que sofreu. Juntas, essas duas coisas mostraram uma nova versão de sua história em um momento no qual a cultura parecia pronta para ouvi-la –em meio a uma conscientização maior sobre bullying e traumas, e a um entendimento mais sofisticado sobre a dinâmica do poder sexual.

“O mundo passou a entender o lado dela na situação”, disse David Friend, seu editor na revista Vanity Fair, da qual Lewinsky é colaboradora.

Ela encontrou trabalho pago em campanhas contra o bullying, e faz palestras sobre o assunto. Lentamente, abriu caminho para uma carreira como produtora de cinema e TV, que inclui um documentário, a ser lançado, sobre pessoas que foram submetidas a grandes vergonhas em público, operando por meio de uma produtora chamada “Alt Ending” [final alternativo].

Mas “Impeachment”, que estreou em 7 de setembro nos Estados Unidos, é o capítulo mais pessoal —e possivelmente— o mais importante de sua reabilitação. A data de estreia no Brasil ainda não foi confirmada.

A boa notícia para Lewinsky é que desta vez é ela que direciona a história. O lado negativo talvez seja o fato de que isso a leva a reviver o período mais sombrio de sua vida –e a mostrá-lo para pelo menos uma geração que não estava lá para presenciar o acontecido. Ela ainda não sabe bem como se sente sobre a coisa toda.

Mas lá estava Lewinsky no evento, em companhia de tantas das pessoas que no passado ganhavam a vida zombando dela, e se preparando para revisitar o mesmo drama que havia passado metade de sua vida tentando deixar para trás. Ela parecia feliz, e sorria ao cumprimentar dezenas de pessoas que estavam lá para congratulá-la, mas ao mesmo tempo demonstrava uma ponta de cautela.

“Quando você cometeu um erro colossal, como eu fiz, tão cedo em sua vida, e perdeu tanta coisa por causa disso, a ideia de cometer um erro é catastrófica”, ela me disse mais tarde. “Mas, para ir em frente, preciso correr riscos, preciso tentar coisas novas. Preciso continuar a definir quem eu sou”.

'EU QUERIA SER TRATADA NORMALMENTE'

Conheci Lewinsky sete anos atrás, quando ela estava se preparando para reaparecer depois de uma década de silêncio. Cheguei à maioridade na era Clinton. Lembro-me, quando adolescente, de ler o Relatório Starr, com meus amigos, e de ser jovem demais para compreender a complexidade da dinâmica de poder em um relacionamento entre o presidente e uma jovem estagiária, mas de ter idade suficiente para saber que havia algo de que não deveríamos gostar “naquela mulher” —com quem o presidente negou raivosamente, em uma entrevista coletiva, ter tido “relações sexuais”.

Quando fui apresentada a Lewinsky, mais de uma década depois daquilo, ela tinha 41 anos, mas lhe faltavam muitas das coisas que uma pessoa daquela idade provavelmente desejaria: uma residência permanente, uma fonte de renda, uma carreira, uma família.

Enquanto o resto do mundo —os Clinton, a mídia, e mesmo as demais mulheres envolvidas— pareciam ter ido em frente, ela parecia congelada no tempo.

Mas não por falta de esforço. Em 2005, ela tinha tentado uma vez mais começar de novo, se mudando para Londres para fazer mestrado em psicologia social. Ela esperava que isso a habilitasse a retomar “um percurso normal de desenvolvimento”, nas palavras de seu terapeuta na época.

“Eu queria um emprego. Queria um marido. Queria filhos”, ela disse. “Queria ser tratada normalmente”. Mas ela jamais conseguiu escapar de todo da sombra que pendia sobre seu nome.

Depois do mestrado, ela se mudou por algum tempo para Portland, Oregon, onde tentou um emprego em marketing, sem sucesso. “Acho que me candidatei a 50 empregos”, ela disse.

E por isso ela decidiu se isolar. Voltou a Los Angeles, a cidade em que cresceu, ainda dependente dos pais para assistência financeira. Lewinsky fez trabalhos voluntários, convivia com amigos, e se tratou com diversos especialistas em saúde mental (depois dos acontecimentos de 1998, ela teve diagnosticado um distúrbio de estresse pós-traumático).

Enquanto isso, Lewinsky continuava a recusar ofertas para explorar sua história —televisão, livros, peças, uma graphic novel e centenas de pedidos de entrevistas. (Da última vez que alguém contou, o nome dela era citado na letra de 128 músicas de rap.)

Recentemente, passando por uma estrada em Pasadena, ela viu retornarem as lembranças daquele período de desorientação em Los Angeles, quando fazia longos passeios de carro para passar o tempo. “Foi um momento muito, muito sombrio”, ela disse. “Eu não tinha propósito”.

Então, em 2010, Tyler Clementi, aluno da Universidade Rutgers, se suicidou depois que um colega usou uma webcam para gravar um encontro íntimo dele com outro homem. Lewinsky não conhecia Clementi, mas a mãe dela parecia devastada de tristeza.

Mais tarde, ela percebeu que sua mãe estava “revivendo um período em que ela passava as noites sentada à beira da minha cama, e me obrigava a deixar a porta do banheiro destrancada quando eu tomava banho”, por medo de que ela tentasse o suicídio.

Lewinsky dedicou muito tempo a refletir sobre o impacto da vergonha na psique. No curso de mestrado, ela estudou os efeitos do trauma sobre a identidade. Mas a reação de sua mãe despertou algo de mais urgente nela.

Lewinsky recordou uma conversa que teve com um professor no mestrado —sobre a inexistência de uma “narrativa concorrente” sobre sua história. Será que ela mesma poderia ser a narradora de seu lado da história, para encontrar uma saída?

Não existe forma perfeita de retomar o controle de uma narrativa. Mas alguma coisa no ensaio de Lewinsky para a revista Vanity Fair ecoou.

David Letterman expressou remorso por ter zombado dela. Lewinsky foi convidada a fazer uma palestra na TED, e a falar no Festival Cannes Lions de publicidade e em outros eventos –não sobre o que tinha acontecido na época do escândalo, mas sobre o que estava acontecendo naquele momento.

Ela se tornou a catalisadora de uma reconsideração mais ampla de algumas das outras mulheres que foram expostas a humilhação na mesma época –Tonya Harding, Lorena Bobbitt e até mesmo Britney Spears, todas agora tratadas com mais respeito em documentários e filmes.

Era só questão de tempo para que Hollywood redescobrisse Lewinsky. Em 2017, Murphy adquiriu os direitos de adaptação de “A Vast Conspiracy”, best seller de Jeffrey Toobin sobre o escândalo Clinton. (O escritor mesmo se viu envolvido em um escândalo no ano passado. Ele não participou da produção da série.)

Em seguida veio o movimento #MeToo. Lewinsky, que sempre sustentou que seu relacionamento com Clinton foi consensual, escreveu sobre a complexidade desse tipo de dinâmica de poder em outro ensaio (“desequilíbrios de poder, e a capacidade de abusar deles, existem mesmo que o sexo tenha sido consensual", ela afirmou).

Em toda parte, os legados de homens poderosos pareciam estar sendo reexaminados, assim como os das mulheres vilificadas.

Murphy se encontrou com Lewinsky em uma festa e lhe disse que “ninguém deveria contar sua história a não ser você, e seria meio repulsivo caso alguém mais o faça”. Ele a convidou a participar da série como produtora.

Lewinsky disse que teria preferido que não houvesse série alguma. Mas se uma série estava destinada a acontecer –e caso o projeto de Murphy não fosse adiante, outra pessoa certamente tentaria a mesma ideia—, ela queria ser parte do processo.

“É melhor passar por isso tudo sendo parte de alguma coisa”, ela disse, “do que ter de me esforçar desesperadamente para descobrir que história o programa estaria contando”.

OSCILANDO ENTRE O PASSADO E O PRESENTE

Hoje em dia, Lewinsky dedica boa parte de seu tempo a outros projetos. Ela está cuidando dos retoques finais em um documentário do qual foi produtora executiva, “15 Minutes of Shame”, no qual trabalhou com o diretor Max Joseph.

O filme entrará em cartaz no serviço de streaming HBO Max no mês que vem. Está trabalhando com a produtora Stacey Sher em uma série que reimagina um clássico literário sobre sexo e vergonha. Em junho, Lewinsky assinou um contrato de produção com a 20th Television.

Mas, duas semanas antes da estreia de “Impeachment”, seu sentimento dominante era o de ansiedade. Estávamos em seu apartamento em Los Angeles, de onde a região da cidade em que ela cresceu, Beverly Hills, é visível.

Lewinsky vestia jeans e uma camiseta, e tinha os cabelos presos em um coque desajeitado. Havia velas e incenso queimando. Por trás dela, uma gravura de Ed Ruscha, com a palavra “Miracle”, presente de um amigo, enfeitava a parede.

Naquela manhã, ela havia sofrido um ataque severo de ansiedade. Não sabia exatamente o que o havia causado, mas tinha percebido que estava por vir. Dias antes, ela tinha participado de uma sessão de fotos para esta reportagem. E agora havia uma repórter em sua casa, e pedindo para gravar a conversa que teriam (é fácil imaginar como ela se sente sobre qualquer gravação de suas conversas).

Seria impossível separar a Monica Lewinsky de hoje daquilo que aconteceu 23 anos atrás. A mãe dela, Marcia Lewis Straus, disse que as experiências da filha na época não mudaram a pessoa que ela é em seu cerne —a “menininha persistente” capaz de convencer a mãe a fazer, ou deixar de fazer, praticamente qualquer coisa.

Mas o que aconteceu mudou a maneira pela qual ela aborda a vida: com mais cautela. Com mais reserva. E com um forte sentimento de proteção quanto àquilo que construiu.

O ator Alan Cumming é amigo de Lewinsky desde que os dois foram apresentados por um conhecido comum, em 2000, um período em que ela “na verdade não era exatamente humana, para a maioria das pessoas”, ele disse. (Cumming conta que, quando eles saiam juntos para jantar, às vezes pessoas no restaurante se aproximavam dela para tocá-la, como se para ter certeza de que Lewinsky existia.)

“Quando você percebe tudo que ela passou, o fato de que continue a ser quem é –uma pessoa calorosa, bem humorada e hilariante– é simplesmente notável”.

É verdade. Basta passar alguns minutos com Lewinsky para perceber que ela é mais inteligente e engraçada –muitas vezes tomando a si mesma como alvo– do que as pessoas costumam imaginar.

Ela continua a ser cuidadosa e, em dados momentos, circunspecta, mas demonstra mais relaxamento, e um pouco mais de autoconfiança, do que costumava alguns anos atrás.

Hoje em dia, ela usa seu nome em público (quase sempre). Sente-se confortável em interromper uma entrevista –ou abandonar uma palestra– caso a situação a incomode.

E, pela primeira vez, desfruta de independência financeira, e ganha a vida com seu trabalho como produtora e consultora, e com as palestras que faz. E hoje em dia, ela é capaz de rir de coisas que no passado eram mais dolorosas. Como, por exemplo, os Clinton.

Quando escrevi um artigo sobre ela em 2015, Lewinsky abruptamente cancelou a colaboração depois que um artista que pintou um retrato de Bill Clinton declarou em uma entrevista que uma “sombra” em seu quadro, que é parte do acervo da National Portrait Gallery dos Estados Unidos, tinha por objetivo representar o caso.

Lewinsky disse que lamentava muito, mas que se sentia exposta demais para permitir que o artigo fosse adiante. Ela terminou por mudar de ideia.

Mas em uma tarde recente, quando chegamos a um estúdio de produção para uma reunião e encontramos três cartazes gigantescos com o rosto de Hillary Clinton –publicidade para o documentário “Hillary”, do serviço de streaming Hulu— , ela simplesmente deu uma risadinha. “Isso é engraçado”, ela disse.

“As coisas já não me afetam da mesma maneira, sabe”?, ela disse, mais tarde, quando perguntei se ver notícias sobre os Clinton ainda a incomodava. “Eles já não ocupam espaço tão grande quanto foi o caso durante duas décadas de minha vida”. E cabe esclarecer: ela votou em Hillary Clinton na eleição de 2016.

'UMA CONVERSAÇÃO COLETIVA"

Embora Lewinsky tenha ficado feliz por se envolver na narrativa de sua história em “Impeachment”, isso não significa que o processo tenha sido particularmente agradável.

Ela muitas vezes conta com apoio em vídeo de seu terapeuta, para ler os roteiros. E ficou abalada, durante a produção no ano passado, ao descobrir que Tripp estava perto da morte. (A traição daquela amizade, ela disse, “foi uma fissura que nunca se fechou, em minha vida”.)

Mas de algumas maneiras, trabalhar na produção da série também foi um exercício de recompor os fragmentos de suas identidades –ou de descobrir, nas palavras dela, como “integrar” o passado ao presente.

Há a Lewinsky da ficção, que comprou a revista Sassy naquele dia no shopping center, e que ajudou Tripp a preparar uma planilha detalhando seus encontros sexuais com Clinton. E há a Lewinsky real, que na verdade estava apavorada demais para comprar qualquer coisa no dia em que foi detida, e jamais fez uma planilha (embora ela diga que Tripp fez anotações).

Há a Lewinsky mais jovem e tempestuosa, cujas palavras finais para Tripp, retratadas no primeiro episódio, foram defini-la como “uma cadela traiçoeira”. E há a Lewinsky de hoje, que buscou garantir que sua ex-amiga fosse retratada de maneira nuançada e que, nas reuniões de roteiro, se recusou a comentar sobre a dinâmica que existia entre os Clinton (“me pareceu inapropriado, sabe”?)

Há Lewinsky, a produtora, que interferiu em numerosos detalhes, do diálogo ao guarda-roupa, de acordo com o produtor executivo Brad Simpson, e que, a despeito dos grandes esforços dos realizadores para não fazer do sexo o tema central da história, os encorajou a incluir o infame momento em que ela mostra a tanga ao presidente (embora a cena a deixe constrangida). “Não achei que eu deveria ser poupada”, ela disse.

E há Lewinsky, a pessoa, que tinha de lembrar a si mesma o tempo todo de que a série é uma “dramatização”, e que é possível realizar um programa de TV sobre o passado sem deixar de ir em frente.

Ainda que ela pondere: será que um dia ela poderá deixar de falar dessa história? Será que eu, e os demais jornalistas, deixaremos de fazê-lo?

“A realidade é que essa história é parte da conversação coletiva há 20 anos, e, à medida que eu evoluo e que o mundo evolui, ela ganha significados diferentes”, disse Lewinsky, dirigindo em meio ao tráfego de Santa Monica, a caminho do píer para um passeio na praia. “Por isso, não sei”, ela disse. “Pode ser a última vez. Espero que seja. Mas não faço ideia”.

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