Cinema e Séries

Anderson di Rizzi perde sete quilos e faz aulas de tiro para viver protagonista de 'O Segundo Homem'

Em entrevista, ator falou sobre a relação com armas, Lei Rouanet e dedicação no trabalho

Cenas do filme 'O Segundo Homem' com Anderson di Rizzi interpreta Miro Rildo Cundiev

São Paulo

Com dores nas costas e na mão, Anderson di Rizzi chega ao set de gravações do novo longa-metragem de Thiago Luciano, “O Segundo Homem”, com um ar sério. Mas logo se solta. "Hoje eu aceito uma massagem”, diz o ator ao brincar com a equipe.

As dores são reflexo da aula de tiro, na tarde do dia anterior. "Ontem foi meu primeiro tiro da vida, eu tremia. Não tenho uma boa imagem da arma. A que me foi passada é uma imagem ruim, de que as pessoas usam para assaltar e matar", diz o ator, durante visita do F5 ao set de filmagem no final de 2019.

Di Rizzi conta que precisou de ajuda para desconstruir essa ideia e conseguir aprender as técnicas. Para cumprir a missão, o artista contou com a orientação de um policial da Delegacia Especializada Antissequestro, do qual não desgrudou por semanas. Dele, ouviu “histórias cabulosas”, aprendeu fundamentos e copiou trejeitos. 

No filme, que desenha um cenário distópico, o porte de armas é liberado no Brasil. Em meio às discussões sobre o assunto, o ator se posiciona. "Thiago [roteirista e diretor] imaginou um futuro no qual você compra a arma no mercado e paga no caixa. Tenho muito medo disso. Medo das pessoas destreinadas, na verdade."

Na pele do protagonista Miro, o ator também precisou de disciplina na alimentação e na rotina de exercícios físicos. Por conta das gravações espaçadas, que começaram no início do ano, em Paris (França), ele precisou manter por vários meses a mesma dieta rígida e suplementada para viver o forte soldado da trama. Emagreceu cerca de sete quilos. “Perdi todas as roupas que eu tinha. Estou há um ano comendo brócolis, peixe e arroz integral."

Conhecido por papéis mais doces ou cômicos na televisão, Di Rizzi acredita que a oportunidade possa ter grande impacto sobre sua trajetória artística. "É um papel que existe muito de mim psicologicamente e fisicamente. Eu acredito que esse personagem vai ser muito importante para a minha carreira. Pode mudar a forma como as pessoas vão me enxergar daqui para frente”, afirma. 

Enquanto isso, ele também interpretou o executivo Márcio na novela “A Dona do Pedaço” (Globo) e encarnou um personagem inspirado em textos de Franz Kafka no teatro, em temporada no Rio de Janeiro. Nesse meio tempo, Rizzi ainda ganhou seu segundo filho, Matteo, em junho.

Segundo o ator, ultimamente tem sido mais difícil trabalhar com arte no país. “Fizemos [o espetáculo “Um Beijo em Franz Kafka”] sem patrocínio. Meus amigos tiveram peças censuradas, filmes com editais aprovados que foram parados. Eu percebo que há uma censura velada.”

Para ele, uma das questões mais graves nesse contexto são os preconceitos e mitos em torno de leis de incentivo à cultura, como a Rouanet. “Senti que nos últimos meses a figura do artista ficou banalizada. Parecia que a gente queria dinheiro para outras coisas e não para exercer a nossa arte, nossa função”, afirma.

Di Rizzi faz ainda um convite aos que desejam apoiar produções brasileiras. “O público precisa ser a resistência. Tem que prestigiar, ir ao teatro, ir ao cinema, consumir cultura.”

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