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Celebridades
Descrição de chapéu

Anne Heche fez bem e mal à comunidade LGBTQIA+ na mesma proporção

Romance com Ellen DeGeneres colocou o amor lésbico na linha de frente, mas traição e episódios posteriores deixaram um estigma de maluquice

Ellen DeGeneres e Anne Heche: A conexão das duas foi imediata - Jim Ruymen - 19.fev.2000/AFP
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São Paulo

Anne Heche morreu nesta sexta-feira (12), aos 53 anos. A notícia de sua morte é muito triste. Ela deixa dois filhos, um de 20 anos e outro de 13, e tinha uma longa carreira pela frente. Atriz muito talentosa, nunca teve um papel em que pudesse de verdade mostrar a que veio. Sua grande chance, imagino, ainda estava por vir.

Apesar de trágica, sua morte num acidente que envolveu um carro apenas -o dela-, e um obstáculo inerte -uma casa-, não chega a surpreender. Ela não era lá a mais equilibrada das pessoas. Para quem vê de fora, a impressão é que ela vivia a vida em alta velocidade e que não tinha medo de se atirar contra a parede. Ao menos foi assim quando conheceu Ellen DeGeneres.

Para quem não acompanhou, segue uma sequência em fast forward: Anne e Ellen se encontraram em 1997 numa festa da revista Vanity Fair pós-Oscar. Até aquela altura, Anne era heterossexual; Ellen estava prestes a se tornar a lésbica mais famosa e influente do showbiz. A conexão das duas foi imediata, conforme ambas disseram na ocasião. Ellen tinha 39 anos; Anne tinha 28.

Logo em seguida, DeGeneres estampou uma capa histórica da revista TIME, em que afirmava para o mundo: "Yep, I'm Gay". Hoje em dia isso não teria provocado grande movimentação, mas naquele momento, como ficou claro, o mundo não estava preparado para ver uma comediante, sob contrato com os estúdios Disney, declarando abertamente sua homossexualidade.

Na mesma época, Anne Heche estava lançando o filme "Volcano". Ela e a namorada percorreram juntas o red carpet na pré-estreia do filme, um movimento considerado arriscado. Todos os alertas de perigo se confirmaram. Ellen foi demitida do seriado "Ellen", depois da quinta temporada (1994-1998). Anne Heche declarou que foi cancelada de Hollywood e, depois de lançar "Seis Dias, Sete Noites", em que contracenou com Harrison Ford, passou a receber convites apenas para filmes independentes.

Foi aí que Ellen decidiu voltar ao início da carreira e cruzou os Estados Unidos fazendo um tour de stand-up. Anne Heche viajou junto, colhendo material para um documentário sobre a viagem. Elas contrataram um cinegrafista, Coley Lafoon. Anne se apaixonou por ele, o documentário passou despercebido, Ellen ficou a ver navios. Lafoon é pai do primeiro filho de Anne, Homer. O segundo, Atlas, é filho do ator Jamer Tupper.

Depois do fim do relacionamento com Ellen DeGeneres, Anne Heche se envolveu em um evento no mínimo esquisito. Invadiu a casa de estranhos sem falar coisa com coisa, e foi levada ao hospital. A "explicação" dela foi que tinha ouvido vozes dizendo que deveria ir em busca de uma nave espacial, e que para entrar na tal nave ela teria de tomar ecstasy.

Em 2001 Anne lançou sua autobiografia, Call me Crazy (Me chame de Louca, numa tradução livre). Lá ela conta de sua infância complicada, dos abusos sexuais que sofreu do próprio pai, de sua trajetória no showbiz e do romance com Ellen. Este capítulo foi definitivamente um divisor de águas na vida dela. Anne passou a ter uma popularidade que ainda não tinha alcançado na carreira. Ellen parecia mais feliz do que nunca.

Aquele casal lésbico tão público fez mal e bem para a comunidade LGBT na mesma proporção. O bem que elas fizeram foi desfilar seu amor com orgulho, desafiar as convenções, viver o sentimento delas sem medir as consequências. Mas depois que Anne traiu e abandonou Ellen no meio de um projeto profissional comum, ela prestou um desserviço.

Será que aquele amor todo não passava de oportunismo? Será que um amor lésbico não pode competir com o amor entre um homem e uma mulher? Será que uma lésbica linda e feminina pode mudar de ideia assim que aparecer um homem que a interesse? E uma velha questão de sempre: é possível ser bissexual?

A morte de Anne neste acidente que ainda não está totalmente esclarecido parece um capítulo póstumo de Call Me Crazy. No dia 5 de agosto, Anne entrou com seu Mini Cooper numa casa na região de Mar Vista, em Los Angeles. A colisão provocou um incêndio que levou uma hora para ser extinto, segundo relatos. Ela estava consciente quando foi resgatada, mas entrou em coma no hospital e não recobrou mais a consciência.

Hoje foi declarada a sua morte cerebral. Ellen tweetou uma mensagem carinhosa: "Este é um dia triste. Mando todo o meu amor para os filhos de Anne, sua família e seus amigos".

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