Celebridades

Ronnie Von diz não ter muita vocação para youtuber e ensaia volta à TV

Apresentador também dará aula sobre vinhos a partir desta quinta

Ronnie Von ministra curso de vinhos

Ronnie Von ministra curso de vinhos Divulgação

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São Paulo

Piloto de avião, economista, cantor, compositor, apresentador, sommelier de vinhos, empreendedor, publicitário e ultimamente youtuber. Aos 77 anos, o currículo de Ronnie Von não para de crescer. Nesta quinta-feira (16), ele acrescenta mais uma habilidade a ele: a de professor na masterclass virtual “Beabá do Vinho”.

Com formação em sommelier e um estudioso da enologia, ele compartilha na aula online no site polen.me, conhecimentos básicos sobre a bebida, diretamente da adega que mantém em casa com mais de 2.500 rótulos.

Ronnie Von diz que pretende ensinar aos alunos conhecimentos simples sobre a bebida, como os principais tipos, regiões produtoras, a não pagar rótulos e escolher um vinho barato com qualidade. “Não existe regra, o bom vinho é o que te agrada.”

Em setembro do ano passado, o apresentador se tornou youtuber com um canal que leva seu nome e tem 87 mil seguidores. No canal, ele posta vídeos de receitas, fala de botânica, cozinha com a filha chef Alessandra Von, canta com o filho músico Léo Von, faz entrevistas e conta inúmeras histórias.

Mesmo publicando vídeos toda semana, Ronnie diz que não tem muita vocação para ser youtuber e reclama da falta de monetização na plataforma. Ele quer mesmo é voltar para a televisão, de onde está afastado desde o fim do programa Todo Seu (TV Gazeta), em 2019.

O apresentador revela que tem um acordo com uma emissora para voltar à telinha com um programa nos moldes do Todo Seu, mas ainda sem data de estreia. “Era para ter começado em junho, mas a pandemia adiou, estou esperando. Será um programa mais antenado com gastronomia e entretenimento”, explica.

Antes de se tornar apresentador, em 1966, Ronnie era um cantor de sucesso. Ele começou na música devido a um grupo de amigos que fazia cover dos Beatles e tocava na boate Little Club, no Beco das Garrafas, que abrigava casas noturnas em Copacabana, berço da MPB.

Um dia, ele foi ver os amigos tocarem e um deles disse ao microfone que Ronnie cantava bem. Ele lembra que praticamente caiu de joelhos no palco, foi aplaudido e o diretor de uma gravadora o convidou para gravar.

“O João Araújo [pai do cantor Cazuza e um dos fundadores da gravadora Som Livre] era esse diretor. Foi ele que inventou o Ronnie Von [e o convidou para gravar um disco]. Eu acreditei que ninguém iria ouvir e gravei ‘Meu Bem’ [versão de ‘Girl’, dos Beatles]”.

O cantor lembra que a primeira vez que ouviu sua música tocando no rádio estava no carro voltando de uma visita a um cliente da empresa da família. Ronnie Von vem de uma família rica e tradicional no Rio de Janeiro e tinha um pai diplomata.

“Quando eu estou passando por Botafogo [ouço] eu próprio cantando. Fiquei nervoso, encostei o carro, é uma sensação absurda, liguei para os meus amigos, mas ninguém ouviu”, recorda.

Para o azar de Ronnie uma tia matriarca também ouviu sua música na rádio. Ela reuniu toda a família e perguntou onde eles tinham errado na educação do sobrinho e que ele iria jogar o nome deles na lama. Os colegas da faculdade de economia também não gostaram.

“O pessoal da faculdade me virou as costas porque [diziam] que eu fazia música de inglês alienado. Perdi o suporte da família e amigos”, lamenta.

Nesta época, ele foi descoberto por diretores da TV Excelsior, que o levaram para São Paulo para cantar e, segundo ele, “ganhar dinheiro”. Um tempo depois, o cantor trocou o conforto de Copacabana, no Rio de Janeiro, para morar em uma região no centro de São Paulo, que hoje é conhecida como cracolândia. “Eu abria os shows do Agnaldo Rayol com a música ‘Meu Bem’.”

Um dia, seu pai veio a São Paulo e aproveitou para verificar onde Ronnie morava. Ele não gostou do local e disse que tinha cometido uma imprudência com o filho por gostar dele. O pai ajudou Ronnie a alugar um apartamento na Vila Nova Conceição, que ainda não era o bairro de classe média alta, e virou seu fã.

Ronnie continuou na carreira de cantor e fazendo sucesso pela sua música. Com olhos azuis e cabelos longos e lisos, ele também chamava atenção pela beleza e ares aristocráticos no início da carreira.

Um dia, ao participar do programa de Hebe Camargo, na TV Record, ele contou que era aviador e que gostava dos livros do escritor Antoine de Saint-Exupéry. Ele havia feito a escola de formação de pilotos na Aeronáutica e interrompeu o sonho aos 19 anos para trabalhar na empresa fundada pelo bisavô.

O apresentador conta que a família queria formar um sucessor para o negócio. Ele foi convencido a trocar os aviões que amava pela economia, que odiava. “Não tinha vocação, nem talento para tocar [o negócio].”

Naquela época, ele contou para Hebe que tinha lido todos os livros do escritor Antoine de Saint-Exupéry, menos “O Pequeno Príncipe”, porque era o preferido das candidatas a miss. Ela achou Ronnie parecido com o personagem principal do livro e lhe deu o apelido de Príncipe.

O livro estourou em vendas no Brasil e parte disso foi culpa de Ronnie, que ajudou a popularizar a obra. Consuelo, viúva de Saint-Exupery, soube que um cantor de rock cabeludo era o responsável e mandou fazer uma escultura do pequeno príncipe para presentear Ronnie.

“A dona Consuelo mandou fazer um pequeno príncipe que ainda faz parte da decoração da minha casa, no lugar de destaque ao lado de outras obras de arte”, diz, com carinho.

Em 1966, ele passou a apresentar o programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von", na TV Record, começando uma carreira paralela de apresentador. Mas Ronnie ainda continuaria por mais alguns anos na música.

O cantor tentou fugir um pouco do título de príncipe e lançou três discos psicodélicos, que não foram aceitos pelo público: “Ronnie Von” (1968), “A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca mais” (1969) e “A Máquina Voadora” (1970). “Foi considerado uma loucura, jogar dinheiro fora da gravadora”, lembra.

Anos depois, ele conta que uma revista alemã incluiu o trio de discos entre os melhores psicodélicos do mundo. “Um amigo comprou um disco meu em Tóquio e pagou US$ 4.500 (R$ 23,5 mil)”, conta Ronnie, que depois disso teve os três discos relançados no Brasil.

Nos anos 1970, ele lançou ainda mais dois álbuns de rock: "Cavaleiro de Aruanda" (1972) e "Ronnie Von" (1973). Mas aos poucos, Ronnie foi abandonando a carreira musical e se dedicando a uma bem-sucedida carreira de apresentador.

Ronnie não grava discos desde 1997 e revela que começou a desistir da carreira de cantor quando as gravadoras começaram a pagar para que as músicas dos artistas fossem executadas. “Tem empresa que deu dois carros e uma casa em Miami para programador de rádio.”

Para Ronnie, essa prática das gravadoras fez com que a arte não valesse nada. Por isso, ele afirma que escolheu outra atividade "para levar a arte": apresentar programas de televisão. Mas sem nunca esquecer a sua trajetória. “Eu não posso negar que tudo que eu tive material e emocional foi a música que me deu.”

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