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Descrição de chapéu The New York Times

Gwyneth Paltrow passa a vender vibradores e responde se testou o produto

Fundadora da Goop fala também sobre 'wellness sexual' e sobre ter tido Covid-19

Gwyneth Paltrow no escritório da Goop em Santa Mônica (Califórnia) Alex Welsh-23.abr.2019/The New York Times

Valeriya Safronova
The New York Times

Se comparado a um ovo de jade vaginal e a uma vela cujo nome pode ser traduzido “tem o cheiro da minha vagina”, um vibrador parece quase, digamos, antiquado.

Mas isso não impediu que os fãs da Goop, a companhia de “wellness” de Gwyneth Paltrow, alvo de frequentes zombarias, arrematassem o vibrador de ponta dupla da empresa, que lembra um cone de sorvete, em cor clara.

Em entrevista na terça-feira (16), Paltrow expressou decepção por subestimar a demanda (o estoque do vibrador está esgotado). Afinal, a pandemia quer dizer que as pessoas passam muito tempo dentro de casa e sozinhas, e gerou um boom de brinquedos sexuais.

E o vibrador da Goop é uma proposta interessante para combater o tédio. Com uma bola massageadora em uma ponta e uma varinha na outra –e oito padrões de pulsação em cada—, isso significa 64 combinações possíveis (para propiciar uma sensação diferente a cada dia durante dois meses de quarentena). Ao preço de US$ 95, o produto parece até acessível, pelo menos em comparação com o consolo de ouro de US$ 15 mil que Paltrow recomendou em um dos boletins informativos da Goop.

“Sempre tivemos interesse por ‘wellness’ sexual, como um pilar realmente importante do ‘welness’ mais amplo”, disse Paltrow.

Por que um vibrador, agora?
Para muita gente –não para você e não para mim—, um vibrador ainda é considerado uma coisa muito ousada. Isso obviamente mudou muito nos últimos 10 anos. Mas há muita gente que ainda se incomoda com conteúdo sexual, ou com a própria sexualidade. As mulheres não são ensinadas sobre um determinado vernáculo, e sobre como expressar o que desejamos. Não somos boas quando o assunto é sermos vulneráveis com relação à nossa sexualidade.
Acho que, em lugar de “por que um vibrador agora”, a questão seria mais “como podemos fazer um vibrador que ajude a reduzir o estigma que ainda cerca o assunto”.

Fale do design.
Muitos vibradores parecem sexualizados demais. São ou realmente fálicos ou se parecem com algo que você compraria em uma sex shop. Fiquei realmente intrigada pela ideia de que o produto poderia ter uma aparência bonita e cool, e que ele poderia ficar na mesa de cabeceira sem causar embaraços à dona ou a qualquer outra pessoa. Há um sentimento de controle nisso.

Explique, por favor.
Acho que estávamos só tentando fazer alguma coisa.... talvez mais intelectual?

O prazer sexual feminino vem sendo menos estigmatizado. O mercado está crescendo?
Isso é visível agora, com a ascensão de novas empresas de produtos femininos como a Honey Pot, ou outras empresas de bens de consumo que desenvolvem produtos para a vagina e a vulva. Há celebridades que assinaram com companhias de vibradores para ajudar a promovê-los. É maravilhoso que mulheres visíveis, fortes e populares estejam dizendo que “isso é OK. Isso não é causa de vergonha e você não precisa se envergonhar”.
A Goop com certeza vem sendo uma parceira em abrir esse caminho e criar uma cultura em torno da saúde feminina, saúde sexual e sexualidade. Por isso fazemos uma vela vaginal. Vamos acabar com o preconceito. Não quero que as projeções alheias me afetem. Quero poder experimentar a mim mesma, o meu corpo e o meu prazer, da minha maneira.

Você testou o vibrador pessoalmente?
Ninguém me fez essa pergunta até agora. Você me fez enrubescer. Acho que podemos deixar o assunto aí.

Algo menos pessoal, então. Algum hobby novo durante a pandemia?
Não diria que desenvolvi novos hobbies, mas voltei a me dedicar a alguns deles, ou a dedicar mais tempo a alguns deles, como a meditação. É algo que faço toda manhã. Antes, era talvez uma vez a cada duas semanas, ou nunca. Agora também cozinho o tempo todo, como todas as outras pessoas do planeta. P. Você interpretou a Paciente Zero no filme “Contágio”. Isso a preparou para a pandemia?R. Lembro-me de estar no set e de pessoas dizerem que aquilo poderia realmente acontecer, e acontecer durante nossa vida.

Em fevereiro, antes de cobrir o rosto se tornar a norma, você postou um selfie no Instagram que a mostrava de máscara.
É um padrão comum em minha vida. Faço alguma coisa realmente antes de todos, e as pessoas não entendem o que estou fazendo e me acham louca. E aí a cultura adota o que fiz.Tive de fazer uma viagem à França quando a pandemia estava começando. Usei a máscara no avião, mas não a usei no evento a que fui, e acabei pegando a Covid e voltando para casa, e fui uma das primeiras pessoas conhecidas a apanhar a doença.

Você está planejando se vacinar?
Ainda tenho anticorpos. Outras pessoas, que não estão protegidas, devem ser vacinadas primeiro.

A Goop foi criticada por fazer afirmações dúbias sobre “wellness” e, em 2018, teve de pagar US$ 145 mil por fazer afirmações de saúde não confirmadas sobre seus ovos vaginais. Por que os consumidores deveriam confiar na empresa?
Foram coisas que aconteceram alguns anos atrás porque nós ainda éramos uma pequena empresa que revendia marcas de terceiros, fazendo como que uma curadoria, e essas marcas afirmavam certas coisas sobre seus produtos. Nós avançamos bastante e não somos mais uma pequena startup. Mesmo no caso dos ovos Yoni. O que estava em questão eram coisas que o fabricante afirmava, e não envolviam o produto. O ovo não era perigoso. Nós ainda o vendemos.

Tradução de Paulo Migliacci.

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