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Mestre do Sabor: Classificada, Carol Francelino relata machismo na gastronomia

Chef é a única mulher já confirmada na próxima fase do reality

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São Paulo

No início da fase de mata-mata do Mestre do Sabor, a chef paulistana Carol Francelino, 28, preparou um consomê de mortadela com alho-poró tostado, figo e mostarda. Em disputa direta com o chef Pedro Franco, 37, por uma vaga na próxima etapa do reality, ela ficou em dúvida se o caldo não estava muito salgado.

"Te juro que para mim estava muito salgado. Eu pensava: 'meu Deus do céu, vou ser eliminada por causa do sal'. Seria um erro muito tosco... eu sei que pode acontecer com qualquer um, só não queria que acontecesse comigo", disse a chef paulistana em entrevista ao F5.

O chef Claude Troisgros, apresentador do programa, discordou de Francelino. Não tinha nada de muito salgado no prato preparado por ela. E mais. Leo Paixão acrescentou: “Está com sabor isso aqui”. Como resultado, a chef se saiu vitoriosa da disputa, e se tornou a única mulher entre os seis concorrentes que seguem na competição.

Na fase Duelos, exibida na última quarta-feira (23), seis homens e seis mulheres disputaram entre si, e os jurados decidiram quem seguiria na competição a partir do melhor prato preparado e sem saber os autores das receitas.

"Acho que foram detalhes técnicos [que eliminaram as mulheres]. A Aline [Guedes] quase ganhou, a Vitória [Gasques] quase ganhou, a Bruna [Martins]...", afirmou Carol. As três, além de Ana Carolina Garcia, Bia Pimentel e Pedro Cardoso buscam retomar à disputa nesta quinta (1º), na repescagem. Só uma vaga estará em disputa.

Apesar de avaliar que o problema no Mestre do Sabor foi uma questão pontual, Francelino, que decidiu ser cozinheira por influência das avós e começou a trabalhar na área aos 17 anos, no restaurante Mocotó, na zona norte de São Paulo, afirma que o machismo é o maior desafio que tem enfrentado ao longo da sua carreira.

Machismo que, segundo ela, se manifesta de diversas maneiras. São desde comentários que pretendem ser "engraçados" até dúvidas sobre a sua capacidade de preparar um prato só pelo fato de ser mulher. "Por exemplo, comentários do tipo: 'deixa eu carregar isso que você é mulher e não aguenta'. Hoje em dia, se eu escuto alguém falar isso, já respondo bem grossa: 'Ah, por favor, porque eu não quero carregar mesmo."

"A gente como mulher tem que colocar uma barreira, porque é uma área muito masculina ainda, infelizmente." Até mesmo a já consagrada chef Paola Caroselli, 48, ex-jurada do MasterChef, já afirmou ter sofrido preconceito no início da sua carreira. "Muitos restaurantes não me aceitaram por ser mulher."

Para Francelino, apesar dos avanços dos últimos anos, ainda há uma visão histórica deturpada que naturaliza a ideia de que em casa é a dona de casa que cozinha, já no restaurante, o cargo de chef é ocupado por um homem. Para ela, é preciso também combater o machismo ainda enraizado entre as próprias mulheres.

"Precisamos nos unir e nos impor", salientou. Francelino afirmou se inspirar em Caroselli e em Helena Rizzo, 43, chef que será jurada na próxima temporada do MasterChef no lugar da argentina e com quem ela já trabalhou no restaurante Maní.

Também afirma admirar o trabalho de Rodrigo Oliveira, chef e proprietário do Mocotó, restaurante de comida brasileira sertaneja onde Francelino iniciou a carreira como estagiária aos 17 anos e onde ela voltou a trabalhar desde 2018.

Foi ali que ela conta ter aprendido mais sobre a culinária nordestina e a preparar pratos como sarapatel e baião de dois. Atualmente, trabalha nas áreas de qualidade e criação. Ao lado de Oliveira, ela atua desenvolvendo projetos que não são aplicados apenas no Mocotó. "Já fizemos o menu da KLM [companhia aérea holandesa]", conta.

Francelino afirma que antes do Mestre do Sabor nunca tinha pensado em entrar em um reality de culinária. Mas, ao receber o convite, avaliou que seria uma boa oportunidade. "O Rodrigo [Oliveira] ficou super feliz e disse que eu tinha que ir com certeza."

Na visão dela, o segredo para se sair bem na disputa é ter inteligência emocional. "Porque todos ali sabem cozinhar e são muito bons. E o nervosismo atrapalha muito e pode nos levar a cometer um erro besta."

Toda a temporada já está gravada —apenas a final será ao vivo. Sem adiantar a sua trajetória no reality, Carol Francelino diz que participar do Mestre do Sabor lhe deu mais visibilidade e a deixou mais confiante no seu trabalho.

Ela afirma ter vontade de fazer um mestrado fora do país sobre alimentação e investir mais na sua imagem nas redes sociais. "O programa reforçou a perspectiva que eu estava tendo, que a gente pode trabalhar com comida sem necessariamente estar em um restaurante, isso me deixou confiante com os projetos futuros", diz.

A chef acrescenta que cozinhar para ela é mais do que apenas alimentar alguém. "É uma forma de dar carinho e conforto para a pessoa que vai comer a minha comida", destaca. Questionada sobre o seu prato preferido, Francelino cita uma memória familiar. "A caponata, uma salada de berinjela italiana. E a caponata da tia Neide, para mim, é a melhor", diz.