Tony Goes

Boicote de Malafaia à Disney é só cortina de fumaça e não deve dar certo

Não é de hoje que a Walt Disney Company é alvo da fúria dos evangélicos. A maior produtora de conteúdo infantil do mundo também é uma das empresas mais simpáticas aos LGBT, o que volta e meia provoca boicotes e protestos.

Funcionários da Disney casados com pessoas do mesmo sexo podem incluir seus parceiros nos planos de saúde desde 1995. Também já faz tempo que as produções da empresa trazem mensagens implícitas de tolerância, a ponto de muita gente suspeitar que a princesa Elsa de "Frozen" seja lésbica .

Agora mesmo está rolando uma petição on-line nos Estados Unidos conclamando o público a reclamar da inclusão de um personagem gay no remake com atores de "A Bela e a Fera" e da exibição de beijos entre casais homossexuais no desenho "Star vs. As Forças do Mal".

Aqui no Brasil, Silas Malafaia achou que esta seria uma oportunidade de ouro para energizar sua combalida base de fiéis. O pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo gravou um vídeo acusando a Disney de erotizar crianças com homossexualismo (sic).

Só que o tiro parece estar saindo pela culatra. No momento em que escrevo, o vídeo furibundo —p ostado no YouTube nesta quinta (2)— ainda não atingiu 30 mil visualizações. Enquanto isso, um vídeo onde o vlogueiro Cauê Moura critica Malafaia — postado no mesmíssimo dia— já passa das 400 mil visualizações.

Beijo gay em série da Disney
Beijo gay em série da Disney *** **** - Reprodução/Youtube

Nas redes sociais, a reação à diatribe do pastor também está sendo largamente negativa. A maioria dos internautas entende que os gritos esganiçados de Malafaia contra a Disney não passam de uma tentativa desesperada de criar uma cortina de fumaça, no momento em que ele é indicado pela Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro.

Não é a primeira vez que Silas Malafaia convoca um boicote malsucedido. Em 2015, o pastor se levantou contra a campanha de O Boticário para o Dia dos Namorados, que mostrava casais gays se abraçando. As vendas da perfumaria para a data foram maiores que de costume, e até lideranças evangélicas criticaram o gesto do colega.

Malafaia gosta de projetar um poder que não tem. Ele talvez seja o pastor mais famoso do Brasil — o mais barulhento, de fato é —  mas nem de longe comanda a maior congregação. E agora vê seu império, que já vinha minguando, ser ameaçado de extinção.

Assolado por dívidas e perigando ir para a cadeia, Malafaia escolheu seu saco de pancadas habitual para distrair a atenção de seu rebanho: os gays. Talvez tenha escolhido errado, pois a presença LGBT na mídia é cada vez mais frequente e elogiada.

É cedo para saber, mas a Disney provavelmente não sofrerá um único arranhão com esse boicote. Ao contrário: ganhou propaganda grátis. Já o pastor só deu mostras de que seu repertório está se esgotando.

Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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