Televisão

Em 'Éramos Seis', Julia Stockler comenta fama de má de Susana Vieira e diz que se assusta com popularidade

'Ela me ensina a assumir minhas fragilidades', diz atriz sobre Justina

Emília (Susana Vieira) e Justina (Julia Stockler)

Emília (Susana Vieira) e Justina (Julia Stockler) Victor Pollak/Globo

Rio de Janeiro

​Cria do teatro, onde iniciou a carreira artística aos 17 anos, somente agora, ao estrear na televisão, Julia Stockler, 31, descobriu o que é a fama nas ruas. Em bate-papo com jornalistas nos bastidores da novela "Éramos Seis" (Globo), na qual interpreta Justina, a atriz de 31 anos revelou uma saia justa que passou em razão da popularidade de sua personagem.

"Outro dia uma mulher gritou com toda a força do corpo dela, no meio da rua: ‘Justiiiinaaaa!!!’. Eu saí correndo. Pensei: ‘Essa mulher vai me pegar’. Dá um certo medo, as pessoas te invadem. Mas geralmente as pessoas me falam um ‘oi’, bem devagar, ficam com um pouco de medo da Justina. Foi por isso que essa mulher em específico me deixou meio em choque", diz a atriz.

Dividindo cenas importantes com Susana Vieira, 77, que interpreta Emilia, mãe de Justina na trama de Angela Chaves, Stockler se diverte ao confessar que tinha medo da veterana, que tem fama de "não ter paciência para quem está começando" –uma alusão à frase dita por Vieira à repórter Geovanna Tominaga durante entrevista ao extinto Vídeo show (Globo), em 2009.

"Susana foi muito generosa comigo. Quando soube que eu vim do teatro, ela abriu um leque de respeito em relação à minha profissão (...) Comecei a ganhar nela um afeto. Ela é uma mulher super engraçada, carinhosa. Não tive nenhum estresse", afirma a intérprete de Justina.

Encantada com a trajetória da jovem autista na novela, Julia Stockler evita dar spoilers sobre o destino da personagem, mas garante que ela "seguirá por um caminho de luz". Recentemente, o trauma da jovem finalmente começou a ser revelado. Ela, que tem síndrome de Asperger –transtorno do espectro autista–, relembrou de cenas sobre a morte do pai por meio de sessões de hipnose com Selma (Aline Borges).

"Estou fazendo uma personagem gigante, afetivamente falando. Fazer ela todo dia me interessa, ler as cenas dela me interessa. Me interessa a força que ela tem com o público. Não estou ali falando nada com nada. Fazer a Justina veio no momento ideal”, avalia a atriz.

Stockler diz ainda que aprende muito com a persoangem. "Justina, pelas circunstâncias, assume seus medos. Ela diz: ‘Estou com medo’. E isso é algo que tenho dificuldade. E ela me ensina que está tudo bem assumir a fragilidade. Vai ter gente que vai acolher, como a Adelaide (Joana De Verona), o Zeca (Eduardo Sterblitch)."

QUEBRA DE TABU

Aline Borges, 44, que interpreta a psicanalista Selma, responsável pelo tratamento de Justina, diz que se emociona ao gravar a novela “Éramos Seis”, e revela uma das cenas que mais lhe tocou o coração. "Quando Justina vai ao consultório pela primeira vez e Selma a leva para a mesa de artes e a deixa livre para pintar…. Isso foi emocionante. Justina com as tintas, deixando a arte falar por ela. Aquela cena me comoveu nesse lugar, do quanto a arte tem esse poder de desatar nós, de te deixar falar além do que você poderia expressar com palavras."

A atriz faz questão de frisar que análise não é coisa de “gente louca” e que a novela também serve para quebrar este tabu. "Meu pai tem 90 anos e minha mãe tem 78. Falar sobre isso com eles, por exemplo, está sendo um presente para mim. Estou ensinando na prática para eles que esse tabu, essa coisa que eles sempre acreditaram, de que terapia é coisa de louco, não é verdade."

Além da novela, o trabalho mais recente de Stockler é o longa “A vida invisível”, de Karim Aïnouz, que venceu o prêmio “Un certain regard” no Festival de Cannes. "A vida invisível". No filme, ela é Guida, a irmã rebelde da pianista Eurídice (Carol Duarte/Fernanda Montenegro).


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