Música

Marcelo D2 revela ataque de pânico na pandemia: 'Escrever é doloroso'

Cantor diz que parou produção do novo disco do Planet Hemp

Marcelo D2 em sua casa na Gávea
Marcelo D2 em sua casa na Gávea - Ricardo Borges/Folhapress
São Paulo

O cantor e compositor Marcelo D2, 53, é o primeiro convidado da terceira temporada do Papo de Música, canal no YouTube que traz entrevistas com grandes artistas da música popular brasileira, que estreia nesta terça-feira (4), ao meio-dia.

Na conversa com a jornalista Fabiane Pereira, o cantor fala do orgulho de ser suburbano e do ataque de pânico que teve no início da pandemia de Covid-19 —ele parou a produção do álbum da sua antiga banda, o Planet Hemp, que ele estava finalizando.

“Eu falei cara vou parar, não dá para escrever um disco do Planet Hemp na pandemia, se não eu vou ficar doente. Escrever é doloroso, eu arranco um pedaço de mim assim”, diz Marcelo D2, que foi diagnosticado com Covid-19, em janeiro deste ano, junto com a mulher, Luiza Machado.

Marcelo D2 critica alguns temas que não deveriam ser discutidos em 2021, como a se a ciência vale a pena ou não. Para ele, a atual situação do Brasil tem dificultado seus processos criativos, porque precisa sempre lutar contra um inimigo.

“Artistas são pessoas muito sensíveis e se tocam muito por isso. Eu tive o meu período mais produtivo quando eu não precisava lutar contra um inimigo. Minha arte era mais construtivista do que de combate”, diz.

O cantor afirma ainda que, como todo mundo, teve momentos durante a pandemia em que não quis levantar da cama. “Quem não sair deste momento aprendendo alguma coisa, perdeu uma grande oportunidade [de reflexão]”.

Marcelo D2 comenta sobre o processo de produção do álbum “Assim Tocam os Meus Tambores” (2020). Durante um mês, o rapper carioca entrou ao vivo de sua casa, quase diariamente, mostrando toda a trajetória de um disco, do conceito à gravação.

"Foi um alívio poder fazer esse disco e não enlouquecer em casa ou, pelo menos, não enlouquecer sozinho", diz o artista, ao destacar as parcerias com Djonga, BK, Baco Exu do Blues, Tropkillaz e Russo Passapusso. “Compor é um lugar solitário, mas eu tive muitos parceiros, muita gente que achou a ideia maravilhosa e falou vamos nessa."

O artista adianta que o projeto deve ganhar desdobramento com um volume dois, porque a pandemia ainda não terminou. “ Ele ainda é um estudo sobre esse lugar que a gente está. Para mim, ainda não acabou a pandemia, tem mais de 4.000 pessoas morrendo”, reforça.

O compositor Samuel Rosa, vocalista do Skank, e as cantoras Joelma e Mônica Salmaso estão entre os convidados do canal no mês de maio. O Papo de Música nasceu há cinco anos com entrevistas ao vivo com artistas consagrados e aqueles que estão iniciando de carreira.

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