Bate-Papo na Web

'Padroeiro da internet', Carlo Acutis é elogiado pelo papa Francisco

Beato criou redes que conectaram milhares de paróquias no mundo

O menino Matheus Viana (de camisa verde), que segundo o Vaticano foi curado por um milagre de Carlo Acutis - Paróquia de São Sebastião
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No último dia 10, a Igreja Católica beatificou o italiano Carlo Acutis, que morreu aos 15 anos, em 2006, de leucemia. Conhecido como "padroeiro da internet", ele criou redes que conectaram milhares de paróquias no mundo, além de exposições virtuais detalhadas sobre os milagres reconhecidos pela igreja e as aparições de Nossa Senhora (carloacutis.com).

Para virar beato, a igreja reconheceu um milagre do próprio jovem –uma criança brasileira teria se curado de uma doença grave depois de tocar numa relíquia com o sangue de Acutis. Para se tornar santo, são necessários dois milagres.

O papa Francisco o chamou de brilhante e criativo. Mas lembrou que o mundo digital pode expor os jovens "ao risco do retraimento, do isolamento ou do prazer vazio".

Na encíclica "Todos Irmãos", lançada no começo do mês, o papa também criticou o uso excessivo da internet: "fazem falta gestos físicos, expressões do rosto, silêncios, linguagem corpórea e até o perfume, o tremor das mãos, o rubor, a transpiração, porque tudo isso fala e faz parte da comunicação humana".

Apesar do pé atrás em relação à internet, Francisco é um papa altamente conectado: tem 51,6 milhões de seguidores no Twitter em diferentes perfis em nove idiomas (@Pontifex_pt em português), além de 7,2 milhões no Instagram (francius).

Francisco parece estar fazendo no mundo virtual o que João Paulo 2º fez no mundo real: o polonês foi o papa que mais viajou pelo mundo, falando muitas vezes a língua local e utilizando como ninguém o poder da imagem das mídias analógicas de sua época.

Nesta semana, uma declaração de Francisco apoiando a união civil entre casais gays ficou entre os assuntos mais comentados da internet. Essa postura mais tolerante, mais fiel aos ensinamentos de Jesus, pode atrair fiéis que repudiam os preconceitos. Mais do que um papa pop, conectado à internet, Francisco mostra estar conectado com o seu tempo.

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Alessandra Kormann é jornalista, tradutora e roteirista. Trabalhou sete anos na Folha.
Desde 2005, é colunista do Show!, do jornal Agora.

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