Sacha Baron Cohen em Los Angeles

Sacha Baron Cohen em Los Angeles Buck Ellison-12.out.2020/The New York Times

Maureen Dowd

Borat usa o canteiro de flores diante do Trump International Hotel, no Columbus Circus da cidade de Nova York, como banheiro masculino. Sacha Baron Cohen toca violoncelo e está planejando fazer aulas com os mestres do instrumento, via Zoom.

Borat mantém sua filha adolescente trancafiada em uma jaula ("será que minha jaula é mais bacana que a de Melania?", ela pondera). E quando ele a leva para fazer compras, pede que a vendedora os conduza à seção "Não significa Sim".

Sacha Baron Cohen, que um dia sonhou ser chefe de cozinha, ama cozinhar para sua família. Borat compra um bolo de chocolate e pede à mulher do outro lado do balcão que inscreva "os judeus não vão nos substituir" na cobertura –por sobre uma cara redonda e sorridente.

Sacha Baron Cohen é judeu praticante, fala hebraico e trabalha com a Anti-Defamation League (ADL, da sigla em inglês para Liga Contra a Difamação), na campanha "detenha o ódio com fins lucrativos", que busca amenizar o azedume das mídias sociais. Borat canta uma musiquinha sobre a gripe em Wuhan e sobre esquartejar jornalistas "como os sauditas fazem".

Sacha Baron Cohen usa o Zoom para dar esta entrevista, usando um boné preto, uma camiseta preta, e ostentando traços de barba padrão Covid. Conversamos por duas horas, sobre todos os assuntos, da hilariante continuação de "Borat" ao momento em que ele se apaixonou por sua mulher, a atriz Isla Fisher, e sobre seus preparativos para interpretar Abbie Hoffman em "The Trial of the Chicago 7", novo filme de Aaron Sorkin para Netflix, e sua decisão de comprar briga com Mark Zuckerberg e os "seis do Vale do Silício".

Se você imaginava que o humorista jamais faria algo mais absurdo do que pedir um autógrafo de Dick Cheney em um kit de "waterboarding", como fez em sua série "Who Is America?", exibida pelo canal Showtime em 2018, estaria errado. Há uma cena de cair o queixo com um assessor do presidente Trump em "Borat: Fita de Cinema Seguinte”, que estreia nesta sexta-feira (23) na Amazon. Dizem que Trump destruiu a sátira. Mas Baron Cohen prova que isso não é verdade.

Tenho acompanhado seu trabalho, e insistido constantemente que ele me desse uma entrevista, desde que o humorista chegou pela primeira vez aos Estados Unidos, disfarçado em Ali G, um aspirante britânico a rapper, e começou a ludibriar dignatários insuspeitos para conseguir entrevistas. Ele interrogou James Baker sobre seu método de diplomacia, que envolve alternar cenouras (estímulos) e bengaladas (castigos). E se o país envolvido não gostar de cenouras? O que acontece se os moradores preferirem outro legume?

Em 2003, Ali G propôs a Trump um investimento em uma luva para consumir sorvetes, que impediria o consumidor de melecar a mão ao chupar um sorvete. Trump, que abandonou a entrevista, furioso, me disse, depois, que "eu achei que ele fosse completamente retardado. Foi uma completa enganação. Mas minha filha Ivanka viu a entrevista e achou ótima".

Baron Cohen, que completou 49 anos na semana passada, diz que "percebi que eu claramente detestava o presidente há muito tempo. Foi por isso que quis entrevistá-lo como Ali G". Ele acrescentou: "O que ele fez de brilhante foi usurpar o termo que estava sendo usado contra ele, fake news, e empregá-lo contra todos os jornalistas que têm integridade profissional".

O personagem não vê problemas em sair correndo de um hotel de luxo em Nova York e fugir pela rua vestido em lingerie cor de rosa. Mas o homem por trás das brincadeiras é bastante reservado, e até um pouco tímido. Baron Cohen se recusou por muitos anos a dar entrevistas como ele mesmo. De vez em quando, ele conversava com um jornalista, mas na pele de um de seus personagens.

Sua tendência sempre foi permitir que as críticas passassem sem refutação, como quando alguns jornalistas questionaram se Ali G não estava seguindo a tradição de Al Jolson, ou quando Abe Foxman, antigo diretor da Anti-Defamation League, criticou Borat, temendo que o personagem incitasse o antissemitismo, porque algumas pessoas talvez não compreendessem a ironia.

Depois do comício dos nacionalistas brancos em Charlottesville, Virgínia, Baron Cohen, chocado, entrou em contato com Jonathan Greenblatt, diretor da ADL, que persuadiu o humorista a fazer um discurso na conferência "Never Is Now", que a organização promoveu no ano passado.

"Fiquei muito impressionado com sua inteligência", diz Greenblatt. "Essas questões têm posição central na motivação dele para seu estilo de arte único. Mais do que qualquer outra pessoa na vida pública, hoje, ele expõe os vieses –seja antissemitismo, homofobia ou racismo puro e simples– e os exibe como realmente são, vergonhosos, dilacerantes e ignorantes. (Baron Cohen usa hebraico e um pouco de polonês para simular o idioma cazaque, como Borat.)

O humorista começou seu discurso declarando que, para ser claro, "quando digo racismo, ódio e fanatismo, não estou falando dos nomes dos labradoodles de Stephen Miller [um dos principais assessores de Trump]". Mais tarde ele apontou que, embora seus gracejos possam ser "imaturos" e "pueris", pelo menos alguns deles têm por objetivo levar as pessoas a revelar o que realmente sentem, "como quando Borat convenceu um bar inteiro no Arizona a cantar 'jogue o judeu no poço', o que revelou a indiferença das pessoas ao antissemitismo" .

Criticando os soberanos da nuvem, ele afirmou que o Facebook publicava e direcionava aos seus usuários qualquer "anúncio" político que alguém quisesse publicar, mesmo que a peça só contivesse mentiras. "Se o Facebook já existisse na década de 1930", diz Baron Cohen, "teria permitido que Hitler publicasse anúncios de 30 segundos sobre sua 'solução' para o 'problema judaico'".

O discurso serviu como catalisador para a campanha "detenha o ódio com fins lucrativos", para a qual uma coalizão de grupos de defesa dos direitos civis e Baron Cohen atraíram outras celebridades. Fazer o discurso "foi algo que me colocou completamente fora de minha zona de conforto", ele diz, "porque sempre relutei em ser uma celebridade, e sempre hesitei em usar a fama para promover qualquer visão política, honestamente".

Ele acrescentou que "aquela foi a primeira vez que fiz um discurso importante em minha própria voz, mas senti que era preciso soar o alarme e dizer que a democracia está em perigo, este ano". "Senti que, mesmo que aquilo fosse destruir minha carreira e as pessoas pudessem me mandar calar a boca, afirmando que a última coisa de que precisam é uma celebridade lhes dizendo o que fazer –e compreendo perfeitamente as pessoas que sentem isso–, mesmo assim era preciso fazer o que fiz, ou eu não conseguiria mais viver comigo mesmo".

O comediante britânico Sacha Baron Cohen em Los Angeles
O comediante britânico Sacha Baron Cohen em Los Angeles - Buck Ellison-12.out.2020/NYT

INFILTRADO ENTRE PROPONENTES DE TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Baron Cohen na verdade começou a estudar o antissemitismo na Universidade de Cambridge, quando escreveu sua tese sobre a “aliança entre negros e judeus” e a política de identidade no movimento de direitos civis americano. Por isso, ele estava preparado para interpretar o travesso Abbie Hoffman.

"Ele estava essencialmente tentando ser um humorista stand-up", diz Baron Cohen sobre Hoffman, fundador dos Yippies [o Partido Internacional da Juventude] e proponente da paz e amor. "Hoffman foi muito influenciado por Lenny Bruce, e percebeu que se conseguisse fazer com que as pessoas rissem, poderia conseguir que se engajassem em uma causa".

Embora se defina como um "humorista que fez alguns papéis como ator ao longo dos anos", Baron Cohen na verdade, como todos os grandes palhaços –e sim, ele estudou para ser palhaço, na École Philippe Gaulier– consegue com facilidade fazer a transição do sombrio para o leve. (E ele tem uma excelente voz como cantor, o que provou em "Sweeney Todd", "Les Misérables" e na festa de 75º aniversário de David Geffen, quando cantou "If I Were a Rich Man", de "O Violinista no Telhado", e zoou com os milionários e bilionários presentes, definindo-os como “a terceira maior economia do planeta.)

Sorkin, que escreveu e dirigiu o filme sobre os sete de Chicago, conta que o dia em que Baron Cohen rodou sua cena no banco de testemunhas o fez lembrar de Jack Nicholson em sua cena de tribunal em "Questão de Honra", afirmando que "todo mundo queria assistir; 120 extras nem se incomodaram por a câmera não estar voltada para eles; ficaram lá só para assistir".

Baron Cohen já foi comparado a uma versão arruaceira de Alexis de Tocqueville, e diz que viu uma grande mudança na sociedade dos Estados Unidos, do momento em que ele rodou "Borat", 15 anos atrás, até o momento em que começou a filmar a continuação.

"Em 2005, era preciso um personagem como Borat, misógino, racista e antissemita, para levar as pessoas a revelar seus preconceitos interiores", ele diz. "Agora aqueles preconceitos internos estão expostos. Os racistas se orgulham de serem racistas". Quando o presidente "é declaradamente racista, declaradamente fascista", ele afirma, "isso permite que o restante da sociedade mude seu diálogo também".

"Meu objetivo aqui não era expor o racismo e o antissemitismo", ele diz sobre a continuação, "mas sim fazer com que as pessoas riam, mas ao mesmo tempo revelar a perigosa deriva rumo ao autoritarismo". Ele ponderou se os Estados Unidos, caso Trump conquiste um segundo mandato, não se tornariam "uma democracia apenas nominal, como a democracia na Turquia ou a democracia na Rússia".

Baron Cohen conta que passou dois dias hospedado com um par de defensores de teorias da conspiração para o novo "Borat", a fim de mostrar "que eles são pessoas comuns, boas pessoas, mas foram alimentados por uma dieta de mentiras. São completamente diferentes dos políticos, cuja motivação é manter o poder e perceberam que podem criar medo ao espalhar essas mentiras por meio da máquina de propaganda mais efetiva da história", as plataformas de mídia social.

Eu imaginei que o momento mais desafiador para o satirista talvez tenha sido aquele em que caiu no sono, como Ali G, depois de se embriagar com dois velhos cavalheiros do sul dos Estados Unidos, e de alguma maneira, para espanto de seu diretor, acordou sem abandonar o personagem.

Mas no novo "Borat", filmado em parte durante a pandemia, ele diz que "a coisa mais difícil que tive de fazer foi passar cinco dias como o personagem numa casa em lockdown. Eu acordava, tomava café, almoçava, jantava e ia dormir como Borat, quando me hospedei em uma casa em que viviam dois adeptos de teorias da conspiração. Não era possível deixar o personagem nem por um instante".

Outro momento de grande dificuldade foi quando ele se infiltrou em um discurso de Mike Pence durante a Conferência de Ação Política Conservadora, este ano. Ele estava fantasiado de Trump, e carregava nos ombros uma atriz que interpreta sua filha, como presente do Cazaquistão ao "vice-premiê" Mike Pence.

"Obviamente eu estava usando um fantasia que me engordava", diz o humorista. "Como entrar e sair?" A segurança estava ativa, "para verificar todo mundo que estava chegando. Tenha em conta que passei cinco horas no departamento de maquiagem naquela manhã, com a equipe mudando meu rosto para me deixar parecido com Trump. A roupa era imensa, um traje com 144 centímetros de cintura para me deixar com a circunferência de Trump, porque estimamos que esse seria o modo mais realista".

Quando o detector de um segurança começou a apitar, Baron Cohen improvisou e disse que era por conta de seu marca-passo. "Aí terminei me escondendo no banheiro, e passei cinco horas ouvindo homens conservadores fazendo suas necessidades, até conseguir me infiltrar na sala. Fomos cercados por pessoal do Serviço Secreto, policiais e seguranças".

Ele afirma que quando propôs o novo "Borat" aos serviços de streaming, diversos deles expressaram preocupação com o conteúdo político e a ideia de colocar o filme em cartaz antes da eleição. Mas o humorista estava determinado a mostrar o filme antes da eleição, "porque queríamos que ele servisse como um lembrete para as mulheres sobre em quem elas estariam votando –ou em que não estariam votando. Se você é mulher e não vota contra esse cara, pelo menos saiba o que isso vai causar para o seu gênero".

A LISTA B

Fiquei imaginando se a mulher dele não lhe diz que seu trabalho é perigoso demais, com todas as suas fugas perigosas de malucos armados, mergulhos em alçapões e saltos para vans em movimento, carregando uma prancheta para se proteger em caso de tiros.

"Se vou fazer alguma coisa perigosa, só conto depois que terminou", ele diz. "Cometi um erro com ela. Uma vez, ela foi ao set só por diversão. Mas o set no caso era uma minivan que me carregava para toda parte enquanto estávamos filmando 'Bruno'. E terminamos envolvidos em uma perseguição policial. Eu estava em outro carro, e a polícia ficou tentando me encontrar. Ela ficou tão incomodada com a coisa toda que jamais voltou ao set."

Baron Cohen teve um vislumbre inicial do espírito vingativo de Trump. Na cerimônia do Oscar de 2012, ele fez uma brincadeira. Vestido como seu personagem do filme "O Ditador", ele despejou as cinzas da "cremação" de Kim Jong-il –na verdade era apenas farinha– sobre o smoking de Ryan Seacrest. Trump, que costumava dedicar um tempo absurdo a fofocar sobre celebridades, ficou furioso, publicando diversos tuites e um vídeo no YouTube sobre uma brincadeira que ele considerou rude.

O empresário imobiliário disse que a segurança de Seacrest deveria ter "surrado" e "socado" Baron Cohen "na cara, tantas vezes que ele nem saberia mais o que estava acontecendo". Trump disse que o humorista deveria ter ido parar no hospital. Recordando o bizarro incidente, Baron Cohen diz: "Lembro-me de meu pai assistindo a Trump em campanha em 2016. Perguntei a ele o que achava de Trump. Ele respondeu que, 'duas coisas. Ele é muito divertido. Muito mais divertido do que Hillary. Dois, ele é fascista'. Meu pai nasceu em 1932. Viu fascistas nas ruas, os camisas pretas de Oswald Mosley surrando judeus. E ele sabia bem o que é fascismo".

A avó judia de Sacha, Liesel, era bailarina e fugiu da Alemanha em 1936. Ela viveu em Israel, e era instrutora de fitness. Baron Cohen filmou as aulas dela para um vídeo, "Exercise for the Over 60s", e lhe mandava um buquê de flores a cada semana até ela morrer. A mãe dele também trabalhou com fitness.

Ele conta que seu pai, nascido no País de Gales, foi editor de um periódico londrino chamado "New Middle East" e mais tarde começou a trabalhar no ramo de roupas. O pai costumava se sentar ao lado de Sacha, à mesa da cozinha, quando este ainda vivia em casa, e o ajudava a editar o primeiro roteiro de Ali G.

"Ele comentava que o texto estava muito engraçado", recorda Baron Cohen, feliz ao falar do pai. "Foi um grande apoio, um cara corajoso, forte, e histericamente engraçado. Tenho certeza de que ele teria preferido fazer o que faço hoje a trabalhar como contador em uma pequena loja de moda masculina." O negócio, diz Baron Cohen, "era tão fora de moda que algumas das marcas retiravam suas roupas da loja do meu pai quando queriam voltar a estar na moda".

Gerald Baron Cohen viveu para ver o sucesso de seu filho. Conheci os pais do humorista em uma festa do Oscar da revista Vanity Fair, certa vez, e eles eram as pessoas mais satisfeitas da festa, na qual muitos astros e estrelas circulavam com cara de entediados. O pai de Baron Cohen usava um chapéu ousado e parecia extremamente orgulhoso, quando lhe perguntei sobre seu filho.

"Isso é muito engraçado", Baron Cohen diz, quando lhe falo do encontro. "Só se pode fazer o que eu faço se você se sentiu amado, seguro, e que não estava sendo julgado. Eles amavam que eu fosse travesso, engraçado, e os embaraços que eu podia lhes causar entre os amigos."

Ele afirma que seu pai cresceu pobre, mas que tanto ele quanto sua mãe deram duro para garantir que seus três filhos pudessem fazer uma boa escola de segundo grau. Sacha se saiu bem o bastante nos exames e em sua entrevista em Cambridge para conquistar uma cobiçada vaga no curso de História.

Quando estava desempregado, Baron Cohen, que tem 1,90 metro de altura, trabalhou como modelo. "Acredite se quiser", ele diz, em tom meio constrangido. "Fiz alguns poucos trabalhos, em uma época na qual eles queriam modelos que não parecessem modelos."

Ele também tentou se tornar chefe de cozinha. "Quando acabei o segundo grau, havia um chef chamado Raymond Blanc, cujo restaurante tinha uma estrela no guia Michelin", ele diz. "Fui ao restaurante, Le Manoir aux Quat’Saisons, e lhe pedi um emprego, mas ele recusou. Disse que eu era alto demais para trabalhar na cozinha. Desisti do meu sonho."

"Recentemente, tive a oportunidade de trabalhar na cozinha do Le Bernardin, em Nova York. Encontrei-me por acaso com Eric Ripert, disse que no passado tinha querido ser chefe de cozinha, e ele me convidou para uma visita. Foi maravilhoso, porque eu e meu irmão passamos três horas na cozinha durante a hora do jantar. É incrivelmente cansativo, e nós com certeza atrapalhamos. Fiquei me sentindo mal a respeito."

Fisher, uma Carole Lombard moderna que se converteu ao judaísmo por Baron Cohen, diz que é difícil embaraçar seu marido. "Olha, eu fico embaraçado", ele afirma, mas "quando estou na pele de um personagem, mergulho nele a tal ponto que termino praticamente trancado lá". Baron Cohen diz acreditar, como disse Abbie Hoffman, que "vacas sagradas dão o melhor hambúrguer".

Em "Who Is America?" ele satirizou a esquerda com um personagem que é professor de estudos da mulher e gênero no Reed College. O professor acredita que "a arma química mais perigosa do mundo é a testosterona", e se refere à "presidente Hillary Clinton". Ele anda de bicicleta e usa uma camiseta da NPR e um "pussy hat" cor de rosa, e diz coisas como "em nossa iurta, tentamos desafiar os estereótipos de gênero. Meu filho, Harvey Milk, não tem autorização para urinar de pé. E minha filha Malala é obrigada a urinar de pé".

Baron Cohen explica que seu objetivo é "desafiar e zombar também do absurdo da extrema esquerda", e criticar "a falta de efetividade dos extremistas de esquerda que são incapazes de fazer a mais simples pergunta porque toda sentença requer qualificações demais, já que eles não desejam ofender pessoa alguma".

Outros humoristas falam com admiração do trabalho de Baron Cohen, especialmente os sketches em que ele zomba da esquerda, e certamente prejudicam suas perspectivas de premiação em Hollywood. Se você fizer uma lista do que constitui excelência, disse Bill Maher, Sacha Baron Cohen exemplificaria as qualidades incluídas.

"Originalidade, coragem, grau de dificuldade, a capacidade de causar gargalhadas", disse Maher. "As coisas que as pessoas revelam sobre si mesmas e, ao fazê-lo, sobre o país, são espantosas. Ele é um gênio, e não há ninguém à sua altura."

Pergunto a Baron Cohen como é que um casal formado por pessoas da Lista A, e com três filhos, consegue fazer o casamento funcionar. "Por sorte, não somos da Lista A", ele diz. "Lembro-me de um dia em Hollywood. Eu estava tentando evitar que os paparazzi me fotografassem. Acho que coloquei alguma coisa na frente do meu rosto ao sair de um restaurante, e o fotógrafo gritou: ‘Você é da Lista B!’. Quando cheguei em casa, disse a Isla que ‘meu Deus, somos da Lista B! Conseguimos! Somos da Lista B!"

Ele comentou que "parece bizarro ainda estarmos casados, depois de todos esses anos, em Hollywood". Os dois se conheceram em Sydney, Austrália. Foi encantamento à primeira vista? "Ela era muito divertida", diz Baron Cohen. "Estávamos em uma festa muito pretensiosa e nos aproximamos porque começamos a zombar dos outros presentes. Eu soube na hora. Não sei se o mesmo aconteceu com ela". Ele ri. "Acho que ela demorou 20 anos para perceber."

E o que ele pretende fazer agora, depois que seus dois filmes estrearem e ele tiver uma folga? "Bem, talvez eu volte a me exercitar, que é algo que não faço há sete meses." A menos que fugir de americanos enlouquecidos conte como exercício.

O comediante britânico Sacha Baron Cohen em Los Angeles
O comediante britânico Sacha Baron Cohen em Los Angeles - Buck Ellison-17.dez.2020/NYT

CONFIRME OU NEGUE

Maureen Dowd - Você fez com que seu pai posasse como chefe de cozinha em seu casamento?
Sacha Baron Cohen - Correto. Casamo-nos em segredo, em Paris. E o truque era que meu pai estava fazendo 70 anos e ele era um famoso chefe de cozinha na Inglaterra. Foi como evitamos a presença de fotógrafos. Eu o ensaiei para fazer o personagem. Ele disse que entre os pratos que criou, seu favorito era "l’oeuf mexido".

Você fez um brinde por Zoom no casamento de Larry David com Ashley Underwood, que foi uma das produtoras de "Who Is America".
Eu e minha mulher os apresentamos em minha festa de aniversário. Juntos, já arranjamos três casamentos.

Seu filme favorito de Adam Sandler é "Zohan – Um Agente Bom de Corte".
Eu tentei participar do filme, de verdade; reescrevê-lo, trabalhar nele.

Em 2000, na pele de Ali G, você interpretou um motorista de limusine no vídeo de “Music”, de Madonna
Sim, é verdade.

Se Steve Mnuchin não fosse secretário do Tesouro, você acha que ele seria um dos produtores do novo “Borat”.
Não. Mas acho que ele foi um dos investidores no primeiro “Borat”.

Você se tornou "day trader" e abriu uma conta na Robinhood durante o lockdown.
Bem que eu queria. Na verdade, perdi muito dinheiro. Sou péssimo com coisas financeiras.

Você passa as noites lendo tuites enquanto assiste "The Great British Baking Show" na Netflix.
Eu tuíto ocasionalmente, mas não tenho acesso ao Twitter. Acho que eu ficaria furioso demais com as coisas e não conseguiria me controlar. Quando escrevo um tuite, não tenho acesso à minha conta, e por isso preciso mandar o texto para que alguém suba.

Você se hospedou na casa de Brad Pitt e Jennifer Anniston enquanto estava filmando Ali G.
Correto.

Você continua amigo de Pamela Anderson, que fez uma participação no primeiro "Borat".
Nunca fui amigo dela. “Borat” foi o motivo de seu divórcio. Ela escreveu isso nos papéis de divórcio. “Motivo do divórcio: Borat”. Ela mostrou o filme na casa de Ron Meyer, com Kid Rock. Não tinha contado a ele que havia feito o filme. Depois ela me mandou uma mensagem de texto e eu perguntei se o filme tinha ido bem. Ela respondeu: “Foi ótimo, mas estou me divorciando”. Achei que fosse brincadeira, mas era verdade.

Seu irmão, Erran, compositor que escreveu a música para Ali G e um novo hino nacional cazaque para o primeiro “Borat”, além de fazer a música do novo filme, também é responsável pelo maior disco de hannukah já gravado: “Songs in the Key of Hannukah”, com participação de todo mundo, de Chrissie Hynde ao rapper Y Love.
Confirmado.

Você toca violoncelo.
Correto. Minha primeira aparição na TV foi tocando violoncelo em um programa chamado "Fanfare for Young Musicians".

Você não consegue acreditar que Tom Hayden conquistou Jane Fonda.
Verdade, não consigo.

"Borat: Fita de Cinema Seguinte"

  • Quando Estreia 23/10
  • Onde Amazon Prime Video
  • Classificação 17 anos
  • Elenco Sacha Baron Cohen, Irina Novak, Luenell, Maria Bakalova e Rudy Giuliani
  • Direção Jason Woliner
  • Duração 95 minutos
  • Gênero Comédia
The New York Times

Tradução de Paulo Migliacci

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem