Cinema e Séries

Bruna Marquezine vive sua 1ª protagonista no cinema em drama sensorial que mescla arte e nudez

Gravado no litoral paulista, 'Vou Nadar Até Você' estreia nesta quinta-feira (5)

Cena do filme “Vou Nadar Até Você”, com Bruna Marquezine

Cena do filme “Vou Nadar Até Você”, com Bruna Marquezine Divulgação

São Paulo

Em "Hamlet", história de William Shakespeare, Ophelia é uma jovem da alta nobreza que, por obra do destino, morre afogada. Mas encarnada em Bruna Marquezine, ela é uma mulher de 21 anos, sentimental e por vezes inconsequente, que vai nadando de Santos a Ubatuba, no litoral paulista, a fim de encontrar o pai alemão que ela nunca pôde conhecer.

A premissa é do filme “Vou Nadar Até Você”, que estreia nesta quinta-feira (5), e foi escrita e dirigida por Klaus Mitteldorf, que diz que a principal ideia do novo longa é fazer refletir sobre a passagem da era analógica para a digital.

Na produção, Ophelia tem uma relação forte com a fotografia, assim como seu pai, que está em Ubatuba justamente expondo seu trabalho como fotógrafo. Ela, então, escreve uma carta a ele para dizer que irá encontrá-lo. Ele, por sua vez, manda um de seus ajudantes persegui-la sem ser notado. 

“A ideia era mostrar essa passagem de um mundo para o outro. Os personagens têm resquícios dessa época analógica –a Ophelia, por exemplo, escreve cartas e fotografa. Ela é idealista, e vive de coisas do passado que aprendeu com a mãe dela”, diz o diretor estreante no mundo da ficção, que também é fotógrafo, em entrevista ao F5.

"Ela é uma menina, de fato, nada óbvia”, completa Marquezine, que vive sua primeira protagonista em um longa-metragem –antes disso, ela havia feito somente participações pontuais em seis filmes, como "Xuxa em o Mistério da Feiurinha" (2009). "Ela não escolhe a forma mais convencional de ir de um ponto ao outro, e isso diz muito sobre ela. Essa não é só uma jornada para encontrar um pai, mas de auto descobrimento.”

Desde que aceitou fazer o papel até o início das gravações, em 2016, a atriz teve um ano para namorar bastante sua personagem, que ela descreve como “lúdica e corajosa”. “Tive um tempo para ficar imaginando a Ophelia, viajando e juntando referências. Criei até uma pasta para ela”, conta.

O filme seria lançado em 2017, mas devido ao orçamento apertado e à grande quantidade de sequências na água, o que exigiu equipamentos mais sofisticados, retardou seu lançamento.

Os rios, mares e até banheiras cheias d’água são frequentes nas cenas do longa, que prioriza a fotografia e os sons frente à própria história. "As filmagens dentro da água eram desgastantes, mas prazerosas”, diz Marquezine, que enfrentou águas geladas e três semanas intensas de aulas de natação. Mesmo assim, a atriz usou dublê para a cena em que sua personagem salta de uma altura de 16 m da ponte de Santos.

“Ela é meio anfíbia. A água é o elemento no qual ela se sente em casa, que inspira ela e a faz ficar forte”, acrescenta Mitteldorf. Ao escrever a história em 2009, ele conta que escolheu o cenário da Rio-Santos por ter crescido fotografando o local que, por sua vez, é pouco explorado em produções audiovisuais, apesar de ter praias e áreas de Mata Atlântica que "rendem cenas de tirar o fôlego".

Além das sequências na água, um aspecto bastante presente no filme é a nudez feminina, especialmente da protagonista. "Vou Nadar até Você" foi exibido no 47° Festival de Gramado, em 2019, e gerou certa controvérsia sobre a nudez de Marquezine. A atriz aparece despida em cenas em um lago e dentro de casa, como se tivesse se relacionando com a câmera. 

O diretor nega que tenha sensualizado a atriz, apesar dos frequentes questionamentos da mídia sobre isso, mas, sim, que “deixou uma mulher bonita” uma vez que a água tem um “lado mais poético”. “A água tem uma coisa de fluidez, de textura, que transforma as pessoas."

O drama traz ainda Ondina Clais (que interpreta a mãe da Ophelia, Talia), o alemão Peter Ketnath (pai de Ophelia, Tedesco) –que atuou em "Cinema, Aspirinas e Urubus" (2005), Fernando Alves Pinto (o “vilão da história” Smutter, cujo nome foi criado pelo próprio diretor) e uma participação especial de Dan Stulbach. 

“As pessoas querem ver a Bruna Marquezine pelo que ela é no mundo, mas na verdade ela assume o papel de uma Ophelia muito especial. O filme transmite uma linguagem completamente diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver normalmente”, diz Mitteldorf. “Ele tem uma parte sensorial muito grande. Ao assisti-lo, esqueça do mundo e tente ser levado pelos sentidos."

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