Aviso
Este conteúdo é para maiores de 18 anos. Se tem menos de 18 anos, é inapropriado para você. Clique aqui.

Cinema e Séries
Descrição de chapéu Cinema

Zendaya diz que fez 'Euphoria' quando estava desmotivada e que não acha série chocante

'Só é chocante se você não conhecer aquilo', afirma atriz

A atriz Zendaya, que interpreta Rue na série 'Euphoria'

A atriz Zendaya, que interpreta Rue na série 'Euphoria' Divulgação

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Zendaya Coleman tem presença garantida nas telas dos cinemas e das TVs: além de ser uma das protagonistas de "Homem-Aranha: Longe de Casa", que estreou na quinta (4), a jovem de 22 anos também se destaca em "Euphoria", série da HBO sobre o universo adolescente lançada em meados de junho.

Em conversa com a mídia internacional, a atriz disse que não achou nenhuma cena chocante na série, apesar de ela tratar de temas como drogas, sexo, identidade, traumas e redes sociais. "Acho que só é chocante se você não conhecer aquilo. Não significa que, porque não aconteceu comigo, não aconteça todos os dias, o tempo todo."

No entanto, ela vê a produção como uma forma de outras pessoas se identificarem com os assuntos dos quais ela trata, e diz que está "explorando vários lados" de sua personagem. "Mas no final das contas ela é uma boa pessoa e eu acho que percebemos isso de cara."

Zendaya conta que se envolveu na série em um momento da vida em que nada a motivada ou estimulava. "Estava em um momento estranho na vida e não sabia o que ia fazer. Estava em busca de algo mágico, com algum sentimento."

Pensando que não conseguiria o papel, ela foi surpreendida pela decisão do diretor e roteirista Sam Levinson, que achou a atriz ideal para interpretar a personagem. "Eu simplesmente senti. Eu via no rosto dela. Tinha visto outro trabalho dela, eu simplesmente sabia. Não parava de pensar em tudo que ela traria para a personagem. Mas o que ela trouxe superou as minhas expectativas."

Confira trechos da entrevista dos dois com jornalistas:

De onde veio a ideia de Euphoria?
Sam Levinson - Não sei se isso é bom ou ruim, mas muita coisa veio da minha própria experiência com ansiedade e dependência. A origem é essa. Eu fui a uma reunião na HBO porque eles tinham gostado de um roteiro que eu tinha escrito e eles me contaram que tinham esse formato israelense chamado Euphoria. Eu fui ver e voltei para conversar com a Francesca Orsi, responsável pela área de dramas. Quando eu perguntei do que ela gostava na série, ela disse que era do fato de ser “crua”. Conversamos durante uma hora e meia sobre experiências de vida, dependência, amor e sofrimento, e no final ela me disse: “Por que você não escreve isso?”. Ela me incentivou a mergulhar nesse processo e foi isso que levou a Euphoria. Eu fui escrevendo, escrevendo, depois nós começamos a fazer e fomos em frente.

Qual é a diferença entre esta série e outras séries sobre adolescentes?
Sam Levinson -
Eu queria fazer uma série sobre a ansiedade de ser jovem e as inseguranças no amor e nos relacionamentos em geral, e ao mesmo tempo eu queria fazer isso de um jeito inédito. Sempre que se está lidando com temas difíceis assim se costuma recorrer ao estilo docudrama, com câmera de mão, mas eu queria criar algo formal em termos de estrutura, iluminação e estética. Eu queria fazer na televisão algo que não dependesse de pessoas falando sobre o que elas sentem e fazem, porque eu acho que um dos principais aspectos de ser jovem – um dos mais difíceis – é não ser capaz de articular como você se sente. Permitir que os personagens ficassem quietos ou dissessem só algumas frases e nos deixar perceber os sentimentos pelo comportamento deles, e abordar isso de uma perspectiva mais expressionista, foi realmente importante.

Como é a personagem principal (e narradora) Rue?
Zendaya - Para mim às vezes é difícil de explicar porque ela tem muitas facetas. Ela pode ser muito meiga e amorosa, e também pode ser instável e má, tímida e engraçada. É muito louco. Eu estou explorando os vários lados dela, mas no final das contas ela é uma boa pessoa e eu acho que percebemos isso de cara. Como ela é uma boa pessoa, dá para sentir o que ela sente e isso ajuda a ouvir o que ela pensa. Quando ela faz coisas ruins ou magoa alguém, nós sabemos o que está se passando dentro dela e podemos continuar gostando dela mesmo assim. Eu não sei se ela é como uma irmã mais nova ou eu mesma em outra vida, mas todos nós realmente nos preocupamos com ela e queremos que ela fique bem.

Como você se envolveu com a série, Zendaya?
Zendaya - Eu estava em um momento estranho na vida e não sabia o que ia fazer. Estava em busca de algo mágico, com algum sentimento. O que eu andava lendo não era assim. Eu não sabia explicar, mas achava que não teria um emprego, não sabia o que estava fazendo. Nada me motivava, nada me estimulava. Aí apareceu Euphoria. Eu li, adorei e quis participar. Todos os meus medos anteriores, tudo que eu tinha pensado que deveria ou não deveria fazer, sumiram. Eu simplesmente sentia que era bom e que eu queria fazer. Depois nos reunimos e o resto todo mundo já sabe.
Sam Levinson: Por incrível que pareça, um ano antes eu entrei na HBO com uma montagem da Z como Rue. Mas eu achava que não havia chance de que ela fizesse, é muito louco.

O que na Zendaya a tornava certa para interpretar a Rue?
Zendaya - [Dirigindo-se ao Sam] É o que eu me pergunto! Como você pensou nisso? Eu estou muito agradecida de ele ter pensado em mim, mas não entendia como, vendo o que eu tinha feito, ele achava que eu seria capaz de fazer esse papel. Eu fiquei muito agradecida porque precisamos que os outros acreditem na gente.
Sam Levinson - Eu simplesmente senti. Eu via no rosto dela. Eu tinha visto outro trabalho dela, entrevistas, eu simplesmente sabia. Eu não parava de pensar em tudo que ela traria para a personagem. Mas o que ela trouxe superou as minhas expectativas. É muito difícil mostrar um dependente de drogas sem que o público fique julgando aquela pessoa pelas escolhas que fez. E ela trouxe humor, emoção e fragilidade. Ela é o coração disso. Você sente uma empatia por ela em um nível que eu nunca pensei que fosse possível. Você só quer abraçá-la e dizer que vai dar tudo certo. Procurar ter esse tipo de compaixão por alguém que enfrenta a dependência química é muito importante para que essa pessoa possa conseguir ficar sóbria. O talento e a habilidade da Z não têm limites, e isso é inspirador para um roteirista, para um cineasta. Ela vai fazer merda no terceiro episódio. Quando estávamos filmando eu fiquei pensando que aquilo era mesmo muito interessante. Depois, quando eu estava reescrevendo alguma coisa do quinto e do sexto episódio, decidi fazer o sétimo episódio com tudo aquilo. Estava muito entusiasmado com o que ela tinha trazido.

Vocês trabalharam realmente em conjunto, Sam.
Sam Levinson - Um dia eu estava conversando com a Barbie Ferreira [Kat], ela me contou uma coisa e aquilo foi parar no roteiro! E ela percebeu o que eu tinha feito. Eu adoro a experiência de trabalhar com o elenco, e este elenco é único. É muito divertido poder crescer com eles como roteirista e cineasta, manter essa troca de ideias.

Algumas cenas são muito angustiantes. Você achou alguma coisa especialmente chocante, Zendaya? Zendaya - Não. Eu acho que só é chocante se você não conhecer aquilo. Não significa que, porque não aconteceu comigo, não aconteça todos os dias, o tempo todo. Algumas pessoas vão entender um pouco melhor do que outras. Algumas pessoas vão abrir os olhos para isso. Outras pessoas vão pensar “isso aconteceu comigo” ou “ela é como a minha irmã”, coisas assim. Algumas pessoas vão entrar em contato com isso, e quem precisar ver isso vai ver. É importante saber que não se está sozinho, que outras pessoas estão enfrentando a mesma coisa, principalmente neste mundo em que às vezes as pessoas se sentem como se fossem a única pessoa com um determinado tipo de problema, acabam se isolando, se sentem culpadas. Eu acho que esta série mostra que não estamos sozinhos, que ninguém sabe o que está fazendo, estamos simplesmente fazendo as coisas do melhor jeito possível e descobrindo coisas pelo caminho.
Sam Levinson - Estudei atuação durante quatro anos e, quando entro na cabeça do personagem, consigo ver o mundo pelos olhos dele. O personagem entra na minha vida. Se eu estou escrevendo para a Rue, a Maddy ou a Jules, posso agir um pouco como elas. Às vezes sou irreverente, as pessoas se surpreendem e eu respondo: “Desculpa, foi a Maddy.”

Já se disse que "Euphoria" é como se juntássemos “Kids” com “Trainspotting”. Você concorda? Sam Levinson - Não costumo fazer comparações, mas fico contente quando ouço isso porque eu vi a série. Não me ofende.

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem