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colunistas - ricardo feltrin

Em um ano, TV Cultura perde quase um quarto da audiência

12/01/2012 - 02h30

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RICARDO FELTRIN
EDITOR E COLUNISTA DO "F5"

Em apenas um ano, o ibope da TV Cultura encolheu 23%. Entre 2010 e 2011 a audiência da emissora caiu de 1,2 ponto para 0,9 ponto. Parece pouco, mas é relevante diante da já pequena audiência do canal público, outrora considerado o melhor do país. Se a emissora perder mais 4 décimos de ibope, por exemplo, cairá para o nível chamado "traço" de audiência (de 0,5 para baixo). A queda atinge seis meses da nova gestão de João Sayad, com uma política de demissões e/ou extinção de várias atrações. A emissora rebate e diz que, desde julho "vem crescendo de forma sustentada" (leia mais abaixo).

Divulgação
Pingu, um dos poucos sucessos de ibope da Cultura
Pingu foi um dos poucos sucessos de ibope do canal

E pensar que quase chegou lá...
Curiosamente, 2010 foi o último ano em que a Cultura chegou a ameaçar a quinta posição no ranking, ocupada pela RedeTV! normalmente. Não tanto porque a Cultura estava abafando, por cima da cocada preta, dando as cartas, se achando a última jujuba do pacote etc, mas, principalmente, porque a RedeTV! passou a definhar. Em 2010, vários programas da Cultura ciscavam a audiência da RedeTV! e até de outras emissoras, em determinadas faixas horárias, não raro deixando o canal em terceiro lugar no ibope. Isso ocorria principalmente de manhã. No ano passado, porém, o horário matinal da Cultura (7h às 12h) perdeu 26% de ibope.

Inezita, o baluarte dacasa
Além da animação suíça "Pingu", que chegou a dar picos de quatro pontos de ibope, o único sucesso da Cultura continua sendo o veterano "Viola Minha Viola". O programa musical e folclórico da diva Inezita Barroso não raro atinge três pontos de média. O resto da programação oscila entre menos de 0,5 e 1,5 ponto. Veja a "involução" do ibope da Cultura nos últimos cinco anos:

Arte/Folhapress

Outro Lado
Procurada para comentar a respeito das informações acima, a TV Cultura, por meio de sua assessoria, informou que:

"A TV Cultura, na atual gestão iniciada em junho de 2010, vem "atualizando" atrações existentes e criando vários novos programas, para os diversos públicos. E os resultados já começam a aparecer, muito embora seja necessário um tempo para que os telespectadores assimilem uma nova programação e reajam a ela (positiva ou negativamente). Em abril passado, a TV Cultura fez um lançamento recorde de novidades e o público dá sinais positivos. Desde julho passado, a emissora vem crescendo de forma sustentada (pouco mais de 30% no período), contínua, e positiva frente aos mesmos meses de 2010. E em termos de share, a evolução é ainda mais forte: 1,7% em julho para 2,9% em dezembro, sem retroceder um mês sequer, mostrando que há espaço, sim, para uma programação diferenciada e de qualidade. Vale ressaltar ainda que a TV Cultura ficou, em dezembro de 2011, 19 vezes em 5º lugar no ranking das principais emissoras abertas da Grande São Paulo, no período das 7h à meia-noite."

Uma segunda opinião sobre ibope, além do Ibope
O Instituto Ibope pode ganhar um concorrente ainda este ano. Mas, se isso depender da Globo, não. A emissora não participou de uma reunião com a empresa Nielsen, que pretende iniciar sua própria medição de audiência da TV brasileira. Na reunião com as TVs, cerca de três semanas atrás, a Nielsen informou que, se todas as TVs estivessem de acordo com seu plano, a medição poderia ser iniciada já em julho...

Márcio Neves/Folhapress
O peoplemeter, aparelho do Ibope que mede a audiência das TVs, instalado em residência em SP
O peoplemeter, aparelho do Ibope que mede a audiência das TVs, instalado em residência em SP

Reunião? Que reunião?
De todas as emissoras abertas, a única que não compareceu à reunião foi a Globo. É a segunda vez que a Nielsen tenta entrar no ramo de ibope das TVs no Brasil. A última vez que isso ocorreu em meados dos anos 2000, com apoio de Silvio Santos. Na ocasião, descontente com os índices que o Ibope atribuía ao seu SBT, Silvio Santos estimulou a vinda da empresa norte-americana, que atua hoje em mais de 40 países e estreou medindo audiência de programas de TV norte-americanos na década de 50.

Outro lado
Consultada pelo "F5" se haveria interesse em conhecer o trabalho da Nielsen, a Globo, por meio da (atenciosa) CGCom, declarou o seguinte:

"Não há nenhum impedimento em conhecermos as propostas da Nielsen para o Brasil. Não somos contra a chegada de um novo fornecedor de pesquisa de audiência. O que, sim, não deixamos de ressaltar, é que o trabalho realizado atualmente pelo Ibope é de alta qualidade, o que deixa pouco espaço no mercado para dois fornecedores de serviços muito similares entre si."

Fábio Braga - 31.ago.00/Folhapress
Aposentadoria do Exaltasamba pode ficar no gogó
Aposentadoria do Exaltasamba pode ficar no gogó

Despedida, pero no mucho

O Exaltasamba está enchendo a mala com a chamada "turnê de despedida". O grupo anunciou no ano passado que faria sua última temporada de shows, e que depois acabou, adeus, nunca mais, c'est fini etc. Nos bastidores da cena musical, no entanto, fontes do "F5" garantem que não é bem assim, e que a tal despedida é aquilo que se chama popularmente de "cascata". Ou melhor, um monólogo pastoso para acalentar bovinos. Graças ao fim anunciado, os integrantes do grupo estão enchendo a burra (sem trocadilho), pois os shows estão lotando (às vezes mais de um no mesmo dia). Os fãs ficam em lágrimas e coisa e tal...

Vá ver, mas não me convide
Em 2012, a propósito, a "turnê de despedida" do Exalta (como só os íntimos dizem) segue em quinta marcha. Tanto que praticamente já não há datas em janeiro (e fevereiro também está auspicioso). Despedida, portanto, é só uma teoria por enquanto. Agora... sobre o fim do Restart...

Brincadeirinha...

Leticia Moreira/Folhapress
Serrado, antes de incorporar Crô
Serrado, o Crô

Crítica baba-ovo...
Marcelo Serrado é um grande ator e nem precisa provar isso, mas, convenhamos, em "Fina Estampa", seu Crô é uma das figuras mais caricatas e ridículas já vistas numa novela. Os elogios a Crô, oriundos de boa parte da mídia "especializada", só provam que, no Brasil, ninguém entende nada de dramaturgia. Qualquer personagem afetado hoje em dia já é apontado como "genial", "hilário", "fantástico", "nossa, que engraçado". O Crô de Serrado só serve para estereotipar ainda mais a representação dos gays no Brasil --e, principalmente, nas novelas.

Muito+ bocejo
O programa "Muito+" continua capenga no ibope, na casa do 1 ou 1,5 ponto. A despeito disso, a atração (sic) deve continuar no ar, na Band, ao menos até abril. Isso porque a emissora não tem outras opções na manga. O mais constrangedor é ouvir a apresentadora, cercada de futilidade, defendendo "fofocas do bem".

Não custa repetir
Memorizem, porque alguns jornais e sites estão dando bola fora quase que diariamente: Rafinha Bastos NÃO está negociando um programa no canal Fox Sports, que estreia em 5 de fevereiro. A negociação com o grupo é para que ele comande um programa no masculino canal FX.

Nega tudo
Assessoria de Hebe Camargo nega informação de que ela teria ameaçado rescindir contrato com a RedeTV!, caso a emissora continue a atrasar salários --especialmente da sua produção. Cláudio, seu sobrinho e empresário, disse ao "F5" que "não vale a pena nem comentar isso".

enquete

Divulgação
Turma da Mônica, na Globo
Turma da Mônica, na Globo

QUEM É LEGAL

"Turma da Mônica"

Eis um produto que não tem idade ou prazo de validade. Uma criação atemporal de Maurício de Sousa, e que está no imaginário de qualquer brasileiro, independentemente da idade. A Globo acerta ao investir na turminha. Quem ganha é o telespectador, sejam pais ou filhos.

Divulgação/Band

QUEM IRRITA

"Mulheres Ricas"

É menos um programa e mais um escárnio na TV, diante de uma sociedade desigual e tão cheia de miseráveis. Programa fútil, tolo, oco como algumas cabeças que o estrelam. Nem no "BBB" se vê gente tão vazia de ideias e conteúdo. E querem saber o pior, caros leitores e leitoras? Vai ter outra temporada.

Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin, 51, é colunista do "F5", site de entretenimento da Folha, e também colunista do UOL, onde apresenta o programa "Ooops!" às terças. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros.

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