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Adele, a cantora que não quer ser magra e a era das "noivas cadáver"

27/10/2011 - 10h03

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DE SÃO PAULO

"Meu objetivo na vida é nunca ser magra". A declaração da cantora sensação Adele poderia ser uma frase qualquer. Mas em época de celebridades anoréxicas e de ditadura da magreza extrema, a talentosa inglesa mostra que, além de tudo, é subversiva. Detalhe: Adele nem é uma moça obesa, nada disso. Apenas uma garota normal assim, como tantas de nós.

Mas na era em que magreza cadavérica é ordem para qualquer garota comum, pressionada diariamente a ser um palito, Adele, famosa, sofre pressão em dobro. Mas encara a patrulha dos mortos vivos de frente. "Eu amo comer e não tenho tempo para fazer exercícios. Não quero estar na capa da 'Playboy' ou da 'Vogue'. Prefiro estar na capa da 'Rolling Stone' ou da 'GQ'. Eu prefiro pesar uma tonelada e fazer um álbum maravilhoso a parecer com a Nicole Ritchie e fazer um álbum de merda."

Adele toca em pontos importantes da indústria das "noivas cadáver".

Mario Anzuoni/Reuters
A cantora Adele, que disse que não quer ser magra
A cantora Adele, que disse que não quer ser magra

O mundo da moda

Ela desdenha ser capa da "Vogue", a revista ícone da moda. Na realidade do mundinho mundo afora, as modelos parecem mais desnutridas a cada temporada. E muitas o são, de fato. Elas cumprem saga a de uma realidade triste e cruel. A menina tem 13 anos e corpo de criança. Ao crescer e adquirir peito e curvas (sim, as garotas crescem) começam a ser chamadas de gorda e a perder trabalhos. Isso aos 20 anos. Algumas, naturalmente, param de comer.

As celebridades anoréxicas

Nicole Richie, a patricinha amiga de Paris Hilton é um bom (ou péssimo) exemplo. Ela faz parte da galera de Hollywood que aparenta aparência cadavérica. Vive em regimes e sob boatos de transtornos alimentares. Difícil não especular sobre a verdade deles depois de ver fotos da moça em suas fases "magras demais".

As meninas da "Vogue" e as celebridades serem "obrigadas" a se adaptar ao padrão esquálido é triste. Mas pior é ver garotas do mundo todo as copiando. E para isso fechar a boca. Se sentir porca. Correr atrás da barriga chapada. Chamar brigadeiro de "gordice" e sentir culpa ao mordiscar um chocolate.

Adele, a moça que não quer ser magra, foi mais que subversiva. Ela fez um serviço de utilidade publica para a humanidade. As garotas do mundo inteiro agradecem.

Nina Lemos tem 40 anos e é carioca exilada em São Paulo. Escreve para a "Folha" desde os anos 90 onde, entre outras coisas, atuou como colunista com o trio 02 Neuronio. É autora de cinco livros com o grupo e do romance "A Ditadura da Moda". Atualmente é repórter especial da revista "Tpm".

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