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Confeiteira francesa é eleita melhor do mundo com sobremesas (quase) sem açúcar

Jessica Préalpato, 32, usa vinagres, vinagretes e sal em suas receitas

Jessica Prealpato, do Alain Ducasse au Plaza Athénée, é eleita melhor confeiteira do mundo
Jessica Prealpato, do Alain Ducasse au Plaza Athénée, é eleita melhor confeiteira do mundo - Lucas Barioulet/ AFP

Olga Nevbaeva Anna Pelegri
Paris

Com suas sobremesas levemente açucaradas, a francesa Jessica Préalpato, 32, foi eleita nesta terça-feira (11) a melhor confeiteira do mundo na lista 50 Best, que este mês anunciará sua relação anual de restaurantes.

A indicação da jovem Préalpato, que sucede na categoria o compatriota Cédric Grolet, acontece juntamente com a nomeação da mexicana Daniela Soto-Innes como a melhor chef, na categoria feminina, e do espanhol José Andrés ao prêmio Ícone, por sua contribuição à indústria da gastronomia.

NÃO 'INTRAGÁVEIS'

Responsável pelas sobremesas do sofisticado Alain Ducasse au Plaza Athénée (três estrelas no guia Michelin), Préalpato venceu por apostar no conceito da "naturalidade": sobremesas com toque de vinagre, pouco açúcar e apresentações que não são "instagramáveis".

Na carta, a fruta da temporada se destaca na proposta mais doce: morangos com brotos de abeto (uma árvore conífera) servidos fermentados, tostados, poché, assados e até ao natural.

Suas apresentações são brutas, diferente da tendência gastronômica atual que busca se promover no Instagram e chamar a atenção. Para se ter uma ideia, Grolet conta com 1,3 milhão de seguidores na rede social, já Préalpato tem 27.000.

As criações da doceira são dominadas pelas notas amargas, ácidas, enquanto o açúcar e o sal são utilizados como na cozinha: para acompanhar.

"Me interesso pelos vinagres, vinagretes, todos os estilos de cozinhar, são maneiras diferentes de sublimar o produto", explica à AFP Préalpato.

Com este estilo tão peculiar, esta chef confeiteira contratada em 2015 por Ducasse, admite ter sido alvo de críticas de colegas e clientes. 

"Jamais teria apostado porque este tipo de sobremesa levou sal". A indicação do 50 Best "é algo incrível", disse.

MUITAS CONTROVÉRSIAS

Aos 28 anos, Daniela Soto-Innes se tornou a mais jovem cozinheira a ser nomeada a melhor do mundo mundo. O 50 Best aplaudiu seu restaurante mexicano Cosme de Nova York, onde já são famosas as "infladitas" de caranguejo, bem como as carnitas de pato e a sobremesa estrela, merengue de casca de milho.

A chef francesa Hélène Darroze e a brasileira Helena Rizzo foram vencedoras em edições anteriores, enquanto a espanhola Carme Ruscalleda reclamou por considerar que se trata de um prêmio "feio", já que implica que as mulheres não podem competir no mesmo nível que os homens.

NOVAS REGRAS

Esta premiação é uma prévia da cerimônia de 25 de junho em Cingapura, na qual serão anunciados os 50 melhores restaurantes do mundo. Situado no sudeste da França, o Mirazur, atualmente número três, tem grandes chances de subir, após uma mudança nas regras que impedem que um estabelecimento vença dois anos consecutivos. 

Em 2018, o número um foi para a Osteria Francescana, na Itália, e El Celler de Can Roca, na Espanha, ficou em segundo, após ter vencido duas vezes.

A lista 50 Best, editada pela revista Restaurants, foi alvo de muitas críticas nos últimos anos, principalmente de chefes franceses, que a consideram menos rigorosa que o guia Michelin.

AFP
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