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Fã de vinhos, brincalhão e recluso: filho e amigos falam de Marcelo Rezende 1 ano após sua morte

Record exibe último episódio de especial sobre o jornalista nesta 5ª

Marcelo Rezende
Marcelo Rezende - Eduardo Anizelli/ Folhapress

Fernanda Pereira Neves
São Paulo

O controverso jornalismo que alia o trágico e o engraçado perdia um de seus alicerces há exatamente um ano. Era 16 de setembro de 2017 quando Marcelo Rezende morreu, aos 65, em decorrência de um câncer no pâncreas.

À frente do Cidade Alerta (Record), o carioca, que começou no jornalismo com apenas 17 anos, no extinto Jornal dos Sports, foi um dos expoentes de uma vertente bastante peculiar do telejornalismo brasileiro, que mistura doses de sensacionalismo, entretenimento e crítica social. Sempre com imenso apelo junto ao público.

Para o jornalista Geraldo Luís, 47, sua popularidade é resultado da ousadia e do talento de criação do amigo, que teve duas passagens pelo programa, de 2004 a 2005 e de 2012 a 2017. “Marcelo era uma aula de jornalismo. Detestava quem era do meio e não tinha motivação para inovar. Impaciente com aqueles que ele notava passivo com a profissão, com a vida”.

Já o filho, Diego Esteves, 36, diz que não era apenas um formato de programa, mas uma oportunidade do pai ser ele mesmo. “Ele dizia que precisava se soltar, sair do formato engessado. Mostrou na TV o que já era em casa. Acordava cedo, sempre na correria, no ritmo dele. Era um ‘corta pra mim’ o dia inteiro”, brinca.

Ao tirar o terno de Marcelo jornalista, no entanto, o Marcelo homem se desarmava. Encontrava a calma, ficava reflexivo, mostrava uma doçura no tom da voz. Cercava-se de livros e muitas vezes ia para o sofá que tinha no pé da cama, encarar a janela que dava acesso ao sol e também a uma árvore que permanece na sua rua.

Teve cinco filhos, hoje espalhados pelo mundo. Encontrava um ali, outro aqui. A última vez que reuniu todos foi em dezembro de 2015. Morando sozinho, chegou a confessar ao amigo Geraldo Luís que não tinha ânimo para dividir uma casa com mulher. Dizia que o tempo levou sua paciência.

Além do jornalismo, tinha como amigos constantes os livros e os vinhos. Fazia excepcionais risotos com funghi ou com frutos do mar, mas gostava mesmo era de comer farofa com ovo, abóbora com carne seca e dobradinha. A simplicidade estava também em suas roupas. Nada de camisa em casa, preferia às bermudas e ao chinelo Havaianas.

O câncer, descoberto seis meses antes de sua morte, deixou Rezende ainda mais recluso. Viu o corpo ficar debilitado, sentiu o surgimento das dores e muitas vezes preferiu passar por tudo isso sozinho, apoiado na fé. Chegou a anunciar que abandonaria a medicina tradicional, em busca de uma “cura espiritual”.

“Enfrentou a doença do jeito dele, com muita coragem e recluso, mas porque não queria passar o sofrimento às outras pessoas. Ele mostrava isso nas publicações que fazia no Instagram, mostrando otimismo e tranquilidade para os fãs, mas nós, amigos e filhos sabíamos”, avalia Esteves. 

HOMENAGEM

Por conta do aniversário de morte do jornalista, a Record preparou o especial As Grandes Entrevistas de Marcelo Rezende, que desde o dia 23 de agosto é exibido pelo canal. O último dos quatro episódios vai ao ar nesta quinta (13), mostrando mais da vida pessoal do apresentador, com participação inclusive de seu filho e de seu irmão adotivo, José.

“Foi um reencontro com meu pai a partir das pessoas que trabalharam com ele. Todos que estavam lá tinham trabalhado com ele. Todos tinham algo positivo para falar dele, maquiador, passadeira, cinegrafista, produtora”, diz o filho, que veio de Buenos Aires para o programa. A primeira visita ao Brasil desde a morte do pai: “Ficou um vazio”.

O especial conta com a participação de parceiros e talentos revelados por Rezende no Cidade Alerta, como Luiz Bacci, Percival de Souza e Fabíola Gadelha. Já as entrevistas dos três primeiros episódios incluíram as que ele fez com Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque; Pedrinho Matador; e o goleiro Bruno Fernandes.

O quarto episódio terá um formato diferente e mais pessoal, mostrando a casa do jornalista, revendo fotos e lembrando de suas paixões. “Foi emocionante entrar no estúdio onde ele foi o Marcelo Rezende que todos conhecem. Onde ele se tornou aquele jornalista mais subjetivo, mais ele mesmo. Onde ele se sentiu realizado”.

Bacci, que comanda hoje o Cidade Alerta, diz que também lembra de Rezende todos os dias ao usar o camarim que era dele. E destaca que o programa ainda mantém o formato que o antecessor tornou tão popular: “a essência de proteger vítimas de violência que ficam muitas vezes sem acesso a uma investigação de qualidade”.

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