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Zezé Motta fica lisonjeada com críticas de que teria sido desperdiçada em novela

Atriz e cantora interpretou a Grande Mãe em 'O Outro Lado do Paraíso'

Zezé Motta em cena como a Grande Mãe da novela 'O Outro Lado do Paraíso' (Globo)
Zezé Motta em cena como a Grande Mãe da novela 'O Outro Lado do Paraíso' (Globo) - Raquel Cunha/Globo

Sarah Mota Resende
São Paulo

Lisonjeada. É assim que se sente a atriz e cantora Zezé Motta, 73, acerca das cobranças, vindas de telespectadores, fãs e imprensa, de que sua atuação teria sido pouco aproveitada em "O Outro Lado do Paraíso", novela da Globo que chega ao fim nesta sexta (11).

"Com relação às críticas de que eu fui desperdiçada e de que a participação foi pequena, eu me sento lisonjeada. Lisonjeada pelas pessoas, pelos fãs nas ruas que me cobravam isso, e também pela preocupação por parte da imprensa", diz ao F5. 

Na trama de Walcyr Carrasco, Zezé Motta viveu a Grande Mãe, conselheira de um quilombo no Jalapão, em Tocantins, retratado no folhetim. Suas poucas cenas no folhetim, entretanto, não foram surpresa para a artista. "Eu não estranhei, não, porque eu sabia que seria mesmo apenas uma participação."

QUILOMBOLAS

Para Zezé, o maior conselho que leva da Grande Mãe diz respeito à visibilidade dos quilombolas. "A gente tem que falar mais sobre os quilombolas. Os brasileiros precisam saber mais sobre como é a vida nesses lugares. Os brasileiros precisam saber quais são suas necessidades, suas carências. Tem muita coisa para se saber sobre os quilombos, que são marginalizados na nossa sociedade. E essas informações são importantes para que as autoridades tratem os quilombolas com mais carinho, com mais dignidade", diz.

Recentemente, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) defendeu que terras demarcadas como indígenas ou quilombolas sejam exploradas. Para ele, há a possibilidade de que essas áreas ricas em recursos naturais se tornem independentes. 

No ano passado, o político foi condenado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro a pagar R$ 50 mil a comunidades quilombolas e à população negra por danos morais. "Eu fui em Eldorado paulista. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Nem para procriador ele serve mais”, disse, a época, em palestra.

Para Zezé Motta, a abordagem de Walcyr deve incentivar mais pautas sobre quilombolas. "Ele deu o primeiro passo falando sobre quilombos numa novela. Então, fica ai a sugestão para que esse tema tenha mais espaço, seja na mídia falada, impressa, no cinema, na televisão. Se alguém quiser saber mais sobre os quilombos, fica a dica para assistir "Quilombo", um filme do Cacá Diegues do qual eu tive a honra de participar como Dandara.

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