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'Censuram até Machado de Assis', diz Miguel Falabella sobre cortes em 'Sexo e as Negas'

14/09/2014 - 08h03

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LOUISE SOARES
COLABORAÇÃO PARA O "F5", DO RIO

Os dilemas amorosos de "Sex And The City" serão transportados para o subúrbio do Rio de Janeiro na nova série de Miguel Falabella.

"Sexo e as Negas" (Globo) vai mostrar as histórias de quatro amigas, moradoras da Cidade Alta de Cordovil, que vivem às voltas com questionamentos sobre sexo, beleza e família, ao mesmo tempo em que enfrentam os perrengues do dia a dia, como a falta de transporte público e o desemprego.

"É uma série de gente que luta para sobreviver, que tem as suas dificuldades. Elas são assim, são quatro mulheres que buscam um homem mítico ideal, como todas as outras mulheres do planeta, querem estar bonitas, querem estar arrumadas, querem estar bem na foto", afirma Miguel Falabella, autor do seriado.

Fã declarado de "Sex and the City", Falabella teve a inspiração de escrever o roteiro através da convivência com sua camareira de longa data, que mora em Cordovil. Assim como aconteceu com "Pé na Cova", também de sua autoria, a nova série não teve uma recepção entusiástica logo de cara e foi preciso batalhar para manter a proposta do seriado.

"Teve o problema do título, ninguém queria 'Sexo e ar Nêga'. Eu falei que era uma brincadeira, uma prosódia sofisticadíssima com o sotaque da periferia carioca que transforma o S em R. Eu queria falar disso, queria falar de mulheres que lutam", justifica.

Outro problema para o autor tem sido o corte de alguns diálogos e piadas mais ousadas, o que requer de sua parte uma ginástica para reformular o texto.

"Para bom entendedor meia palavra basta e eu gostaria que o público pensasse, não quero mastigar tudo para o público. Eu não posso dizer que sou uma pessoa extremamente censurada por que eu sou brigão. Brigo e várias vezes ganho a causa. Mas, às vezes, não ganho", lamenta.

"Cortam Machado de Assis nesse país. Jogam fora o DNA literário de um povo. Você pode parar para pensar que país é este em que se simplifica um Machado de Assis? Você pode imaginar um jovem francês lendo Flaubert ou Balzac simplificado? Eu vou me preocupar com isso? Eu não, a gente vai morrer um dia não pode perder tempo não", protestou.

Uma vitória de Falabella foi a inclusão de um segmento musical ao final de cada episódio. A sequência aparece para o público como um delírio, um sonho em que Tilde (Corina Sabbas), Zulma (Karin Hils), Lia (Lillian Valeska) e Soraia (Maria Bia) se transformam em "As Marvelettes", uma banda composta por cantoras negras norte americanas que fez sucesso na década de 1960. As cenas foram a forma encontrada pelo autor para prestigiar o talento das protagonistas, que vêm do teatro musical.

"Ter essas quatro vozes raras e não dividi-las com o público é, no mínimo, mesquinharia da minha parte. Como eu não tinha uma história musical na dramaturgia, inventei essa área do sonho", conta o autor.

Mesmo com a autoria de dois seriados em mãos, ele afirma que seus dias de autor de novelas estão acabados. "Gosto mais de escrever séries. Acho que nunca mais vou escrever novela, não é minha praia", admite.

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