Saiu no NP

Timão bate o Palmeiras e é campeão paulista

A seção Saiu no NP desta quarta-feira (6) resgata momentos que antecederam a emocionante final do Campeonato Paulista de 1995 entre Corinthians e Palmeiras e, claro, o desfecho com o grande campeão daquele ano.

Na época, alvinegros e alviverdes passavam por momentos distintos. Apesar da grande campanha dos corintianos no torneio, o Palmeiras colhia os louros do início da vitoriosa era Parmalat com os bicampeonatos paulista (93-94) e brasileiro (93-94) e o título do Rio-São Paulo (93) -destes cinco títulos, três foram em cima do arquirrival (Paulista-93, Rio-SP-93 e Brasileiro-94).

Tudo isso aumentava mais a pressão da Fiel em cima dos jogadores do Corinthians. O "Notícias Populares" de 29 de julho de 1995 retratou em sua manchete este clima: "Viola sai no pau com torcedor pentelho". O jornal relatou que, durante um treinamento no Parque São Jorge, um torcedor xingou o centroavante: "Ô negão do caralho, vamos marcar gol!". Irritado, o atacante foi tirar satisfação... Quando a coisa ameaçou piorar, os seguranças do clube intervieram e retiraram o causador do tumulto.

No Palmeiras, o único problema era se o goleiro Veloso teria condições ou não de jogar a primeira partida da final. Ele já havia desfalcado o time no primeiro jogo contra o Grêmio, pelas quartas de finais da Libertadores, no Rio Grande do Sul (5 a 0 para os gaúchos), devido aos seis pontos que levou na mão direita no jogo contra o Mogi Mirim, pela segunda fase do Paulista. Seu substituto, Sérgio, não inspirava confiança na torcida, por causa dos gols sofridos contra os gremistas.

Na edição de 30 de julho de 1995, dia da primeira finalíssima, o "NP" apresentou aos leitores uma partida de jogo de botão entre o lateral direito corintiano André Santos e o meia-atacante palmeirense Edílson. O Corinthians levou a melhor na brincadeira: 2 a 1. O lateral considerou sua atuação no botão como "irrepreensível". Já o meia alertou: "Lá no campo será diferente". E, ao menos na primeira partida, foi.

NERVOS À FLOR DA PELE
O jornal do dia seguinte destacou a "guerra" entre os jogadores corintianos e o árbitro Oscar Roberto Godói. Com a bola rolando, o Verdão teve a chance de abrir o placar em cobrança de pênalti, ainda no primeiro tempo, mas o lateral esquerdo Roberto Carlos desperdiçou. Depois, em um lance entre o palmeirense Alex Alves e o corintiano Bernardo, cartão vermelho para ambos. Os alvinegros se revoltaram com a arbitragem e alegaram que a agressão havia partido somente do atacante do Palmeiras. No intervalo, ainda reclamavam de um suposto pênalti cometido por Mancuso em Souza.

O Corinthians demorou para voltar ao gramado para a disputa do segundo tempo. Cogitou-se até que a equipe abandonaria a partida por achar que estava sendo severamente prejudicada por Godói. Quando a bola voltou a rolar, o Timão pôs a cabeça no lugar e, em linda jogada do lateral esquerdo Silvinho, Marcelinho Carioca colocou a bola no fundo da rede do goleiro Sérgio, que mais uma vez substituía Veloso.

Os palmeirenses pressionaram em busca do empate. O técnico alviverde, Carlos Alberto Silva, trocou o atacante Müller por Nilson. A mexida deu certo. Já nos acréscimos, aos 47min, Nilson empatou a peleja. Após o apito final, os corintianos tinham mais um motivo para chiar. Marcelinho reclamou do tempo extra, e Zé Elias disse que o árbitro o chamou de "bosta" e "filho da puta".

TURBULÊNCIAS
Na saída do estádio, mais tumulto. Torcedores do Palmeiras provocaram os atletas corintianos, quando estes estavam saindo de ônibus do estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto (SP)_ palco das duas partidas. Irritados, Zé Elias e Viola desceram para brigar com os provocadores. Na bagunça, a PM chegou com violência, e sobrou pancada para todos os lados. Zé Elias machucou o braço, e Viola disparou: "Não confio na polícia de Ribeirão".

Crédito: Folhapress Ilustrações mostram as diferentes versões para a briga que marcou o pós-jogo do primeiro confronto entre Corinthians e Palmeiras na decisão do Paulista-95
Ilustrações mostram as diferentes versões para a briga que marcou o pós-jogo do primeiro confronto entre Corinthians e Palmeiras na decisão do Paulista-95

Na edição de 1º de agosto de 1995, o "Notícias Populares" publicou entrevista com soldado Varjão, o PM acusado de agredir a dupla. De acordo com o policial, que afirmou ser corintiano, Zé Elias e Viola estavam parecendo "umas doidas". O policial disse que apenas segurou o volante pelo braço para apartar a confusão. Na mesma edição, o jornal trouxe duas ilustrações, que retrataram as versões dos corintianos e da PM.

O Corinthians tentou tirar o segundo jogo da final de Ribeirão Preto, mas a Federação Paulista de Futebol negou o pedido de mudança. Em contrapartida, a entidade providenciou um árbitro estrangeiro para apitar a decisão, o francês Remi Harrel.

No dia 4 de agosto, mais um fato agitou o lado do time de Parque São Jorge. A torcedora Ana Cristina Borges, na época com 20 anos, teve um ataque epilético durante o treinamento. Zé Elias, ao ver a cena, correu, pulou o alambrado, seguido pelo goleiro reserva Wilson, e prestou os primeiros socorros à vítima. Após ter alta no hospital, Ana deu uma declaração ao "NP" sobre o seu salvador, Zé Elias: "Eu achei que ele era metido. Mas ele é um ser humano super simples", suspirou.

No sábado anterior à finalíssima, os treinadores definiram suas equipes. O goleiro Veloso, desfalque do Verdão no primeiro jogo, estava confirmado, e Viola, dúvida por causa de um problema na unha de seu pé, foi bancado pelo técnico Eduardo Amorim. Garantido, o centroavante, que iria fazer seu último jogo com a camisa do Corinthians –estava vendido ao Valencia (Espanha)–, disse: "Seria a realização de um sonho sair como campeão. Vou fazer tudo que for possível para levar este título".

O jogo não só definiria o grande campeão paulista de 1995, mas também desempataria a disputa entre os rivais, maiores campeões da história do torneio, na época, cada um com 20 conquistas.

DOMINGO DE DECISÃO

Crédito: Ormuzd Alves - 6.ago.1995/Folhapress
Müller pula, mas não evita o gol de falta de Marcelinho Carioca, que empatou o clássico entre Corinthians e Palmeiras na finalíssima do Paulista-95

Na finalíssima, os torcedores das duas equipes presenciaram um 1º tempo muito truncado, mas bem controlado pela arbitragem, muito diferente do jogo anterior. No segundo tempo, o Palmeiras cresceu, foi para cima e, aos 11min, em bela jogada de Rivaldo, o atacante Nilson abriu o placar.

A alegria palmeirense durou pouco. Aos 16min, Marcelinho Carioca bateu falta de forma magistral, no ângulo de Veloso. Nem Müller, posicionado na linha do gol, conseguiu impedir o golaço. Tudo igual: 1 a 1. A disputa foi para a prorrogação.

No tempo extra, o Verdão quase mudou o rumo do jogo em um bate-rebate na área corintiana, mas o lateral esquerdo Silvinho salvou em cima da linha. Próximo do final do segundo tempo da prorrogação, exatamente aos 13min, durante uma blitz corintiana na defesa palmeirense, o zagueiro Célio Silva botou a bola na área, Tupãzinho rolou e Elivélton soltou a bomba. Não dava mais para o Palmeiras reagir: 2 a 1.

Crédito: Ormuzd Alves - 6.ago.1995/Folhapress
O atacante Viola, do Corinthians, carrega a taça de campeão paulista de 1995

O algoz alviverde dedicou o gol do título à filha. Já Viola, emocionado com a conquista e com sua despedida, prometeu voltar em 1998_ o atleta se transferiu ao Palmeiras em 1996 e nunca mais retornou ao Corinthians. Após ser derrotado nas três ultimas finais disputadas contra o time de Palestra Itália, a equipe de Parque São Jorge dava a volta por cima, estampada com méritos na capa do "NP" de 7 de agosto de 1995: "O Timão é campeão!".


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