Saiu no NP

Bandido Mascarado deixa São Paulo assustada

A violência na cidade de São Paulo assusta, e não é de hoje. Há 50 anos, o caso do "Bandido Mascarado" aterrorizou a capital paulista, com invasão de casas e violência contra seus moradores.

Em 1º de janeiro de 1965, o jornal "Notícias Populares" já publicava uma prévia de como seria aquele ano na vida da população de SP: "65 iniciou com 10 assaltos e um desastre". A manchete corroborava o sentimento de insegurança das pessoas àquela época, assustadas com roubos, furtos, estupros e assassinatos se tornando cada vez mais frequentes.

Crédito: Folhapress
Em 1º de janeiro de 1965, o "Notícias Populares" informava sobre a onda de violência que alarmava São Paulo

No dia 4 de janeiro, o jornal deu destaque às ações do meliante João Alberto Galvão Caltabelloti, de 23 anos: "Mascarado atacou em Vila Mariana". E relatou que, na ocasião, com parte do rosto coberto por um lenço e com meias nas mãos como se fossem luvas para não deixar provas contra si, o larápio invadiu um conjunto de prédios na rua Domingos de Moraes (zona sul), por volta de 6h do domingo.

Nos corredores de um dos três blocos do condomínio, o ladrão verificou porta por porta se alguma estava com a fechadura destrancada. Foi assim que ele penetrou sorrateiramente no apartamento 18 -aberto por descuido de um empregado-, onde dormiam Hilda K., 21, sua filha de 6 meses e seu irmão de 13 anos. O criminoso começou a revirar gavetas à procura de dinheiro e objetos de valor, mas um descuido seu acordou a jovem mãe. Imediatamente ele tapou a boca da vítima e, com uma faca, a sujeitou a atos imorais, de acordo com o jornal.

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"Mascarado confessou" foi destaque na edição do "Notícias Populares" de 6 de janeiro de 1965

Na sequência, o bandido deixou a residência com a quantia de 4.000 cruzeiros, enquanto Hilda, desesperada, começou a gritar. O zelador do prédio socorreu moça e providenciou o fechamento das portas do condomínio. Sem saída, o mascarado pulou em direção ao vão que separava os blocos e machucou um de seus pés na queda.

Com dificuldades para se locomover, foi facilmente alcançado pelos vizinhos da moça, que o capturaram e depois o entregaram à polícia. Sujeitado a longos interrogatórios pelos policiais investigadores, que acreditavam que ele fora o autor de outros crimes na região, o "Bandido Mascarado" começava a ver sua máscara cair.

O "Notícias Populares" estampou a seguinte manchete em 6 de janeiro: "Mascarado confessou". Naquela edição, João Alberto Galvão Caltabelloti assumiu a autoria do crime da rua Domingos de Moraes e também de um audacioso furto de 8 milhões de cruzeiros em joias em uma residência de alto padrão na rua Machado de Assis.

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Em 13 de janeiro de 1965, o jornal publica que o Bandido Mascarado fora reconhecido por três mulheres

Na edição do dia 13, o "Notícias Populares" mostrou que vítimas reconheceram o meliante: "Mascarado foi reconhecido por 3 mulheres". Entre os que o reconheceram, um casal contou à polícia a ousadia do ladrão, que, em silêncio, entrou no quarto deles enquanto dormiam, acordou a mulher e a ameaçou para que ela dissesse onde estavam as joias e o dinheiro. Para frustração do larápio, o marido acordou e o colocou para correr.

O reconhecimento e o depoimento dos lesados por João Alberto foram o suficiente para tirá-lo das ruas e mandá-lo à prisão.

O ano de 1965 ainda seria muito difícil, mas a população tinha, ao menos, um suspiro de alívio para enfrentar a selva de pedra que se tornara São Paulo.

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