Saiu no NP

A casa caiu para o comunismo: marreta abre buraco no Muro de Berlim

Neste ano, a Alemanha foi palco das comemorações que lembraram os 25 anos do fim da influência do regime comunista no país. Em 9 de novembro de 1989 caiu o Muro de Berlim, construído pelos soviéticos para separar o lado oriental - sob comando da URSS - do lado ocidental, controlado pelas potências capitalistas.

No jornal "Notícias Populares", que caracterizou a barreira como "muro da vergonha", essa história também se fez presente.


Seis anos após esta reportagem, o "Notícias Populares" relembrou outro aniversário do evento, na reportagem "Alemanha [Oriental] comemora 12 anos do Muro de Berlim". O texto chegou a conter trechos da cobertura da imprensa comunista alemã sobre as festividades. Para um jornal local, o "Neue Zeith", a muralha significava a frustração "dos planos dos imperialistas, que pretendiam estender seu domínio sobre a República Democrática da Alemanha, usando Berlim como ponte para lançar ataques intensivos e manobras de confusão ideológica" contra os comunistas. Já para o "Der Morgen", "a muralha provou que a Alemanha Oriental estava determinada a proibir que os seus cidadãos escapassem para o ocidente. A roda da história não pode dar marcha ré". O regime comunista ainda sobrevivia na Europa quando o diário cobriu o que seriam os últimos anos do Muro de Berlim.

Em agosto de 1986, a reportagem "25 anos do Muro de Berlim" lembrou que nos últimos anos centenas de pessoas morreram ao tentar escapar da "opressão comunista". Na celebração do lado ocidental, o papa João Paulo 2º, que assumia a posição anticomunista da igreja, rezou uma missa para os mortos e apelou para que fosse adotado um cessar-fogo. Durante solenidade dirigida aos alemães da região, o pontífice pregou a unificação dos dois países e defendeu a justiça e a liberdade. O jornal encerrou a reportagem com as declarações do chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl, para quem a parada militar que celebrava a mesma data do lado comunista estava "cheia de cinismo". Ninguém imaginava que três anos depois um dos maiores símbolos do regime soviético sucumbiria.


Em 11 de novembro de 1989, três dias após o início da queda do muro, o "Notícias Populares" publicou os agitos na Alemanha. Dias antes, o governo comunista anunciara que as viagens entre os dois lados estavam liberadas. A manchete "Alemães caem na farra na abertura do muro de Berlim", além de noticiar a crise do comunismo, registrava o começo do fim de uma era. "Milhares de pessoas dos dois lados correram em uma celebração espontânea que entrou pela madrugada e continuava até ontem", escreveu o "NP". O texto retratava a euforia dos alemães que festejaram com champanhe e exigiam "aos gritos que o muro fosse derrubado".

No dia seguinte, 12 de novembro de 1989, o diário manteve a cobertura com os desdobramentos na Europa. "Alemães começam a botar no chão o muro de Berlim", publicou o "Notícias Populares". O diário destacou que, dias antes, um grupo de operários alemães orientais começou a abrir um buraco de 20 metros na parede de concreto. Aproveitando-se da fenda, a reportagem mostrava que mais 30 mil pessoas já haviam atravessado para o lado ocidental. Em "Marreta abre buraco no muro da vergonha", o jornal contou que guardas dos dois extremos se cumprimentavam através do buraco aberto pelas pessoas, que aplaudiam a possibilidade de rever amigos e parentes outrora separados.

Passados 25 anos, o mundo voltou a lembrar do evento que marcou o século. No mês passado, a Alemanha voltou a derrubar um muro simbólico feito de balões que reproduziam 15 dos 156 km de extensão da divisória. Durante as comemorações, personalidades mundialmente conhecidas, entre elas Mikhail Gorbachov, ex-líder soviético, recordou do tempo em que o mundo estava dividido pela Guerra Fria. Estima-se que 137 alemães morreram tentando atravessar o muro de Berlim e outros 5.000 conseguiram furar o bloqueio.

Crédito: Britta Pedersen - 9.nov.2014/Efe Multidão aguarda soltura de 8.000 balões que recriaram a divisão da cidade, nos 25 anos da queda do Muro de Berlim
Multidão aguarda soltura de 8.000 balões que recriaram a divisão da cidade, nos 25 anos da queda do Muro de Berlim

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