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Palhaço e vingador torturam e matam no 3º capítulo dos crimes do século

13/08/2014 - 05h59

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ALBERTO NOGUEIRA
DO BANCO DE DADOS FOLHA

A seção "Saiu no NP" desta quarta-feira (13) apresenta o terceiro capítulo da série "Crimes do Século", que traz uma compilação das melhores histórias do especial homônimo lançado em 1993 pelo jornal "Notícias Populares".

Hoje, você conhecerá Pogo, o palhaço que assassinou 33 jovens nos EUA, e a história do massacre no restaurante chinês, ocorrido na cidade de São Paulo em 1938.

5 - POGO, O PALHAÇO ASSASSINO

Para os vizinhos, um gorducho simpático, sempre disposto a ajudá-los. Para as crianças, o palhaço Pogo, que animava festas e hospitais infantis. Para as autoridades americanas, o maior assassino em série, à época, com 33 homicídios.

A única maneira de procurar "entender" o que se passava na mente do psicopata John Gacy é voltar ao passado e conhecer como foi a sua infância.

Folhapress
No dia 19 de setembro de 1993, o "Notícias Populares" contou a história do maior serial killer dos EUA até 2003
No dia 19 de setembro de 1993, o "Notícias Populares" contou a história do maior serial killer dos EUA até 2003

Gacy nasceu e cresceu em um bairro de classe operária em Chicago, no Estado americano de Illinois. Filho de pais alcoólatras, o garoto sofreu desde bebê com a violência de quem devia protegê-lo e educá-lo. Como em outros casos, vistos nas edições anteriores desse especial, a violência doméstica se mostra o ingrediente perfeito da "receita" para criar um homicida.

Fora as violações sofridas durante sua meninice, como ter um tubo enfiado em seu ânus, no qual era despejada água para provocar diarreias instantâneas e fazer seus pais economizarem na compra de fraldas, o pobre garoto sofreu uma pancada —aparentemente acidental— na cabeça aos 11 anos, o que o levou a sofrer, durante muito tempo, com frequentes apagões, até quando os médicos descobriram e trataram com medicamentos um coágulo que havia se formado em seu cérebro.

Mesmo com tudo isso, ele se mostrava um bom menino. Considerado pelos colegas de colégio um simpático contador de histórias, Gacy também era reverenciado pelos vizinhos, que o achavam generoso, pois sempre limpava a neve acumulada nas calçadas das casas de seu bairro, sem que ninguém pedisse.

Os anos se passaram, ele cresceu, casou-se e se mudou para Waterloo (Iowa-EUA). Lá, gerenciou uma lanchonete de uma famosa rede de fast food, a qual a família de sua esposa era proprietária.

Tudo ia bem até que em maio de 1968 ele foi preso acusado de ter abusado sexualmente de um funcionário. Condenado a dez anos de prisão pela Justiça americana, Gacy perdeu sua mulher devido ao escândalo e à descoberta de sua homossexualidade.

Por causa de seu bom comportamento, o rapaz teve sua condicional concedida após 18 meses de reclusão. Solto, voltou à Chicago, estudou, casou-se novamente, começou a trabalhar como empreiteiro, montou sua própria empresa, ganhou algum dinheiro e recomeçou sua vida.

Como no passado, Gacy voltou a fazer bondades, desta vez vestido de palhaço. Pogo, como era conhecido quando vestia seu traje e pintava seu rosto, era um personagem criado por ele para entreter pessoas em eventos de caridade e trazer alegria para crianças hospitalizadas.

Na verdade, tudo isso não passava de "fachada" para encobrir sua vida dupla. Durante a noite, o empreiteiro saia de carro pelas ruas de Chicago atrás de suas vítimas: rapazes de 8 a 20 anos, muitos deles garotos de programa, iludidos pela promessa de dinheiro fácil. Assim, o maníaco atraia suas vítimas.

Elas eram algemadas, sedadas, abusadas sexualmente e mortas enquanto ele recitava trechos da Bíblia. Por fim, ele enterrava o corpo embaixo do assoalho de sua casa. Mas, tempos depois, precisamente em 12 de dezembro de 1978, a "maquiagem" do palhaço começou a cair... Neste dia, Pogo faria sua última vítima, o garoto Robert Piest, de 15 anos, que vivia no mesmo bairro.

A polícia não demorou muito para supor que Gacy estava envolvido no desaparecimento de Piest, já que a vítima havia dito a amigos que iria trabalhar com ele em sua empresa. Ao puxarem sua ficha criminal, os policiais não tiveram dificuldades para expedir um mandado de busca.

Quando a polícia chegou até a casa do suspeito, percebeu o cheiro pútrido que exalava do chão do local. Na busca, 29 corpos foram localizados ali, e outros cadáveres foram encontrados em rios próximos à residência, num total de 33 mortos.

Detido, em 22 de dezembro do mesmo ano confessou ter tirado a vida de ao menos 30 pessoas. Julgado pela Justiça do Estado de Illinois, foi condenado à morte em 12 de março de 1980 —era até então o maior assassino em série (comprovado) dos EUA até novembro de 2003, quando George Ridgway, o assassino de Green River, que admitiu ter matado 48 mulheres, superou a marca.

Durante os 14 anos em que ele permaneceu no corredor da morte, desenhou autorretratos vestido de Pogo. Seus desenhos foram vendidos a celebridades, como o ator Johnny Depp, e renderam milhares de dólares.

John Gacy, apelidado de palhaço assassino pela mídia, foi morto em 10 de maio de 1994, após aplicação de injeção letal.

6 - O MASSACRE NO RESTAURANTE CHINÊS

No centro de São Paulo, mais precisamente na rua Venceslau Brás, um pequeno restaurante foi palco de um crime que chocou a população da cidade na década de 30.

Ho-Fong, um imigrante chinês que chegou ao Brasil em 1933, ao lado da esposa, Maria Ching, era o proprietário do Órion, um pequeno estabelecimento que servia comida boa e barata aos trabalhadores da região central. Ele e a mulher eram os únicos a trabalhar no local.

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A história dos assassinados cometidos em restaurante no centro de SP foi tema do "Notícias Populares" em 20 de setembro de 93
A história dos assassinados cometidos em restaurante no centro de SP foi tema do "Notícias Populares" em 20 de setembro de 93

Os anos passavam, e o sucesso do restaurante só aumentava. Então o ambicioso Fong decidiu que era necessário contratar pessoas para auxiliá-lo nas tarefas do dia a dia. Foi aí que o rango começou a azedar...

A vida difícil e amargurada do praticamente solitário Fong —ele não tinha amigos—, somada às diferenças culturais que existiam entre ele e seus empregados, fizeram com que o chinês reclamasse a todo momento dos serviços prestados.

Sempre insatisfeito, ele vivia aos berros, com ofensas e humilhações direcionadas aos seus subordinados. A rotatividade no restaurante era alta, pois o patrão adorava demitir seus funcionários, principalmente na frente de seus clientes.

Uma das vítimas do empresário foi Arias de Oliveira, que, indignado com o tratamento recebido, jurou a si mesmo que se vingaria do chinês.

Na noite de 1º de março de 1938, uma terça-feira de Carnaval, ainda indignado com a maneira como fora tratado, Oliveira –moço negro e de origem humilde– decidiu colocar sua vingança em prática.

Após ter bebido muito naquele dia, o rapaz dirigiu-se até o Órion, que já estava fechado, disposto a roubar dinheiro e joias, que ele sabia que eram guardadas no local pelo casal.

Ao chegar, foi recepcionado por seu ex-colega de trabalho José Kolikivicius. Depois de muito insistir, conseguiu convencê-lo a deixá-lo entrar, ao dizer que não tinha lugar para passar aquela noite.

José morava nos fundos do estabelecimento com outro funcionário, Severino Rocha. Ali, Oliveira se instalou em um colchão entre as camas dos dois e fingiu estar dormindo. Quando os outros dois pegaram no sono, ele se levantou e foi até a cozinha, onde sabia da existência de um porrete.

Com o objeto em mãos, voltou ao cômodo em que seus ex-colegas dormiam e começou o massacre. Primeiro, foi José, que recebeu diversas pancadas na cabeça. Depois, Severino, que chegou a acordar assustado com o barulho e até tentou fugir, mas teve o mesmo desfecho.

A ideia de Oliveira era não deixar testemunhas. Assim, prosseguiu com seu plano, subiu as escadas em direção ao outro andar, no qual dormiam os proprietários do lugar. Porém, com o som das pancadas e os gemidos dos agonizantes, Fong se levantou da cama imaginando estar sendo assaltado e desceu as escadas para ver o que acontecia.

No meio do caminho, o chinês deu de cara com seu ex-funcionário, que, ensandecido, estrangulou o ex-patrão até que ele desmaiasse. Depois, o empresário levou uma sequência de golpes na cabeça e morreu.

O rapaz, ainda tomado pela raiva, foi até o quarto e torturou a mulher do chinês. Ele queria saber a localização do cofre. Mas ela não resistiu ao peso do joelho de Oliveira em sua barriga e faleceu. O fígado de Maria explodiu devido à força usada pelo lunático.

Com isso, Oliveira não encontrou o cofre. Ele acabou por roubar algumas bebidas e saiu de lá tranquilamente, pensando que nunca seria preso. Mas estava errado, já que, de alguma forma, a polícia chegou a ele em aproximadamente um mês. Aí, não teve jeito, ele confessou os assassinatos.

O cruel assassino foi condenado pela Justiça a 30 anos de prisão, dos quais ele cumpriu oito. Arias de Oliveira morreu em 1976, vítima de câncer no estômago.

*

Na próxima semana, no quarto e último capítulo da série "Crimes do Século", prepare-se para ler a história do "vampiro" que matou e bebeu o sangue de 13 crianças e a de outro crime que chocou a população paulistana na década de 30 ("A maldição de sangue no Castelinho da Rua Apa).

A primeira e a segunda parte desta série podem ser conferidas em http://folha.com/no1491131 e http://folha.com/no1495494

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