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Menino santo atende a pedidos dos católicos na Consolação

16/07/2014 - 05h59

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CLAUDIA CRESCENTE
DO BANCO DE DADOS FOLHA

O "Notícias Populares" sempre deu especial atenção às crendices dos brasileiros, sem deixar de lado a mais importante delas: a fé nos santos. Em São Paulo, um dos adorados milagreiros é um garoto que morreu aos 12 anos, Antonio da Rocha Marmo, conhecido como Antoninho ou o Santinho da Consolação, referência ao cemitério em que foi sepultado.

Em 22 de dezembro de 1967, o jornal trouxe entrevista com a mãe do menino, Maria Isabel da Rocha Marmo, então com 81 anos, que relembrou a vida e os últimos momentos do filho. De acordo com ela, pouco antes de morrer em 21 de dezembro de 1930, Antoninho ficou um longo tempo de olhos fechados e, quando os abriu, contou: "Tive um encontro com meu avô Joaquim, numa avenida florida, muito bonita".

O garoto então disse que sua avó, ainda viva na época, não deveria contar a ninguém sobre o acidente de cavalo que o avô sofrera anos antes, sob pena de perder toda a fortuna da família. Mas, como conta Maria Isabel, o aviso veio tarde: a avó já tinha aberto a boca e, depois da morte de Antoninho, perderam mais da metade dos bens.

A irmã Nair Marmo contou ao "NP" que Antoninho tinha adoração por igrejas desde pequeno e idolatrava padres e o papa. Também desde cedo o garoto sofreu com doenças: primeiro sarampo, depois gripe e, enfim, a tuberculose que o matou.

Folhapress
Notícia de 3 de novembro de 1982 fala sobre a grande quantidade de pessoas que visitaram o túmulo de Antoninho no cemitério da Consolação, em São Paulo
Notícia de 3 de novembro de 1982 fala sobre a grande quantidade de pessoas que visitaram o túmulo de Antoninho no cemitério da Consolação, em São Paulo

A família o levou algumas vezes para São José dos Campos, no interior paulista, para tomar ares mais saudáveis. Nair relembra que numa das viagens, quando entraram em um armarinho, Antoninho pediu ao dono do estabelecimento a estampa de Nossa Senhora.

O negociante respondeu que só tinha tecidos lisos, mas, como o menino insistisse, pegou um recorte na prateleira indicada por ele e constatou, surpreso, que o tecido tinha uma estampa. Segundo Nair, Antoninho disse: "É esta mesma. É de Nossa Senhora da Saúde. A santa que vai ajudar todos os doentinhos que forem internados no sanatório que o povo construirá".

Profecia ou simples sonho de criança, o fato é que foi construído um sanatório em São José dos Campos após a morte do menino, por iniciativa da família e moradores da cidade. O Sanatório Antoninho da Rocha Marmo era, de início, dedicado ao tratamento de crianças carentes com tuberculose. Nos anos 1980, o local se tornou um hospital infantil e, em 1996, uma maternidade. Hoje é um hospital voltado ao tratamento de várias patologias.

A crença inabalável do menino na fé católica e a fundação do sanatório fizeram de Antoninho um forte candidato à santidade. Embora nunca tenha sido reconhecido oficialmente pelo Vaticano, ganhou a fama de santo e seus poderes são reafirmados por aqueles que fazem pedidos diante do túmulo na quadra 80 do cemitério da Consolação, na região central da capital paulista.

Reportagem do "NP" de 31 de outubro de 1977 afirmava que os milagres promovidos por Antoninho vão desde a salvação da amputação de um braço até o sonho alcançado da casa própria. No dia do seu sepultamento, um vizinho teria feito um pedido junto ao esquife e foi atendido pouco tempo depois.

O jornal também deu crédito à lenda que ronda a inscrição no túmulo de Antoninho. Por ocasião da missa de 7º dia, o pai, Pamphilo, queria encontrar alguma frase a ser proferida que simbolizasse a memória e o legado do filho. Antes da cerimônia, estava na sala da casa no Bom Retiro quando um livro caiu da estante e uma folha se soltou. Na página, estavam os versos: "O céu habita em minha alma / Meu bom Jesus repousa em mim / Que tanto amor hoje me inflama / O meu Jesus, sou vosso enfim!".

Essa história não é para os céticos e ateus, mas ano após ano leva dezenas de pessoas ao túmulo do Santinho da Consolação no Dia de Finados, como mostrou o "NP" em várias edições de 3 de novembro. As fotos dos fãs do menino, se não comprovavam os milagres, reforçavam a fé tipicamente brasileira nos santos populares.

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